UM DOMINGO CHUVOSO – Ana Machulis

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UM DOMINGO CHUVOSO

Ana Machulis

Um domingo chuvoso. Fico pensando como cheguei até aqui. Logo veio a idéia de registrar uma pequena história sobre a minha vida.

Sou carioca e, da gema. Afinal nasci no subúrbio do Méier e me criei em Brás de Pina, indo para Santíssimo e Anchieta, onde passei toda a minha adolescência, até morar sozinha no centro da cidade. Morei em Vila Isabel, num pensionato de moças e, de lá, saí para me casar.

Tive muitos namorados. Mas, casei com Fernando, alagoano, que foi para o Rio estudar Engenharia. Ao me conhecer, teve a coragem de fazer uma aposta com seu amigo Márcio, no sentido de qual dos dois iria me ganhar. Graças a Deus, o Fernando foi vitorioso.

Logo que me casei, fui morar na Tijuca. Ganhávamos muito pouco mas lutávamos com toda força para não precisar pedir dinheiro a ninguém. Achávamos muito chato essa atitude. Tivemos muitas dificuldades. Abrimos até cofrinhos para comprar alimentos. Graças a Deus e toda a nossa fé, fomos chegando lá.

Tivemos duas filhas maravilhosas, lindas e cheias de vida – Fernanda e Flávia.

Em 1985, mudamos para Belo Horizonte. Lugar diferente; pessoas diferentes. Entrei em depressão. E foi difícil me adaptar. Em compensação, tive oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas, inclusive Sônia, que me ajudou muito em sua clínica psicológica. Fiz análise o tempo que morei por lá. O fato serviu muito para o meu caminhar.

Um tempo depois, voltei para o Rio de Janeiro. Fiquei muito dividida. Já adorava Belo Horizonte. Mas, estava voltando para a minha cidade. Ia ficar perto dos meus pais. Família novamente é legal.

Voltei a trabalhar na Embratel do Rio e revi todos os  amigos com quem trabalhava anteriormente durante 9 anos. Foi interessante, pois tinha muitas novidades para eles e eles para mim.

Passaram-se alguns anos e tivemos que morar em Recife. Fernando foi na frente e quarenta dias depois, fomos nós – eu e as crianças. Moramos em hotel durante dois meses, enquanto procurávamos um apartamento. Quando encontramos, fomos ficar bem perto da praia. Tive alguns probleminhas de saúde, mas nada sério. Fiz também terapia, pois minha mãe falecera e fiquei muito transtornada. Parecia que ia enlouquecer. O tempo e Zenaide  – Psicóloga – ajudaram muito a amenizar os meus sofrimentos.

Dois anos depois, após terem acontecido muitas coisas, arrumamos as malas mais uma vez para morarmos em Porto Velho (RO). Fernando recebeu uma proposta profissional excelente e não dava para recusar. Partimos para lá.

Moramos bem. Uma casa grande que mais parecia uma mansão. Tínhamos uma piscina, campo de vôlei e um jardim maravilhoso. Vigias tomavam conta da casa dia e noite. Mantínhamos duas secretárias domésticas que trabalhavam com seriedade.

Fernando tratou de começar um trabalho paralelo ligado a aviação, para garantir melhor nossa renda. Com algumas economias, compramos um monomotor, que tratamos logo de reformar. Quando ficou em condição de trabalhar, contratou um piloto e entrou no comércio de plantio de capim em fazendas. Ao constatar que os negócios iam de vento em popa, comprou outro avião em sociedade e ampliou seu quadro de clientes. Tendo um lucro estupendo, tratou logo de comprar um apartamento em Maceió, sua cidade do coração.

Tivemos altos e baixos em Rondônia. Fiz terapia, de novo. Como sempre, muito crescimento interior. Aprendi demais.

Fiz grandes amizades e chegou a hora de partir. Tivemos que optar por Maceió que, afinal, é um privilégio. Não moramos em nenhuma mansão, mas estou pertinho do mar. Acordo cedo. Caminho no calçadão. Tomo um copo de suco olhando o mar. Vou para casa, tomo banho, passo meus cremes, arrumo-me e vou para a Embratel.

Fernando esteve um pouco confuso com os seus projetos. É muito natural. Hoje, está disparado. Parece que ninguém segura. Está tudo sob controle.

Quanto a mim, estou me sentindo muito bem. Adoro isso aqui. Espero não mudar mais -somente passear em outros Estados.

 

 

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