Betinho – Registro de um acidente

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Registro de um acidente

Conforme anunciamos no final da ata da reunião de 24.11.96, nosso querido companheiro Wigberto Leite Magalhães, Betinho, sofreu um acidente de moto no dia 25.11.96. Hoje, 26.11.96, estivemos em sua residência fazendo-lhe uma visita, de quem conseguimos o seguinte relato:

“…Quando eu vi que o carro perdeu o controle e pendeu pro meu lado, eu não tinha nada o que fazer. Só usei o freio, porque o carro que provocou o acidente foi atrapalhado por uma F4000, que ia na sua frente e parou de surpresa. Pra se safar, virou pra esquerda. Quando ele viu que ia bater, freiou e chegou a travar a roda. E eu pensei: ‘vai todo mundo se acabar agora.’ Eu estava ultrapassando um Gol e não tinha para onde correr. Limitei-me a reduzir a velocidade, o que deu para o Gol avançar um pouco e dividir comigo o choque do carro desgovernado. Eu e meu companheiro voamos sobre o que estava na nossa frente e, por sorte, aterrissamos na frente, pois o Gol parou com a pancada, senão…Eu caí na frente do Gol e o meu parceiro na calçada. Vi o meu companheiro estendido no chão todo ensangüentado. Tentei me movimentar e não pude. A perna não permitia. Uma senhora chegou e disse: ‘Meu filho, dê graças a Deus que o senhor está vivo, mas o seu amigo está morto’. Foi terrível. Chegou uma Saveiro da Polícia Militar, dizendo: ‘Vamos jogar no carro!’ Aí eu vi a carteira dele no chão e tentei apanhá-la. Pedi a algumas pessoas e percebi que estavam fazendo corpo mole para levá-la. Pedi a outro senhor e terminei conseguindo. Eu queria encontrar o Bip que tinha desaparecido e, foi quando eu vi a Ana do Fernando. Daí a pouco eu vi o meu amigo já sentado na Saveiro, sinal que ele não tinha morrido. Fiquei mais aliviado. E perguntei: ‘Manoel, como é que você está?’ Ele nem me respondeu. Foi quando eu pedi a Ana que me fizesse um favor de avisar à Caixa Econômica da ocorrência, pois estava a serviço, inclusive para receber ajuda. Mas ela dizia: ‘Entre no carro! Entre no carro!’ Entrei no carro dela e quando a gente ia passando na frente da Embratel, ela parou para ligar para o Fernando. Lá ela recebeu todo apoio de seus superiores, que se ofereceram para ir até o local do acidente, etc. Seguimos para a Santa Casa. Lá, o recepcionista cobrou R$ 700,00 de caução. Não aceitei e fomos para o Pronto Socorro. Lá fomos para a sala de cirurgia. Aí encontramos o meu amigo, que já estava com o rosto lavado. Dois dentes que tinha, perdeu no acidente. A enfermeira me levou para outra sala para esperar um médico. Era na ortopedia. E perguntei: ‘Cadê o médico? Onde está o médico?’ ‘Sei não. Só quando aparecer um’, responderam-me. Eu pedi um telefone. Liguei logo pra Caixa. Avisei o que tinha ocorrido de viva voz. Em seguida, para o meu tio Clesivaldo, que é médico. Por sorte, ele estava na

 

 

 

 

 

 

 

clínica de fraturas. Imediatamente, ele se deslocou até o Pronto Socorro e me levou para a clínica. Daí pra frente não me faltou mais nada. Na saída, aparece um sujeito que me chamou para dizer que tinha quebrado o meu galho no hospital. “Que galho?, perguntei. Ficou com

nhennhennhen, dizendo que tinha resolvido o problema do rapaz que eu tinha atropelado e

coisa e tal. ‘Atropelado por mim? Nós fomos atropelados, moço.’ E fui embora com o meu tio.

Qualquer dia eu volto lá para acertar contas com aquele bandido. Na clínica de fraturas, tomei um banho, fiz um Raio-X e não constatou fratura nenhuma. Receitaram-me uns remédios e fui liberado para vir pra casa. Em seguida, chegou Williams, o pessoal da Caixa, os familiares, etc.

P – De tudo que aconteceu, o que você gostaria de realçar mais?

R – Sinceramente, se eu gostava da Ana do Fernando, a partir de agora eu passo a adorá-la. Ela foi demais. Quando aconteceu o acidente, ela apareceu como por encanto, parou o trânsito, atravessou o carro na pista, abriu as portas  e enfrentou tudo. De repente, a pista ficou congestionada e ela conseguiu usar até um celular de um taxista, para informar ao seu marido o que tinha ocorrido. No Pronto Socorro, ela ficou tão nervosa que sua pressão subiu e teve uma crise muito forte. Seu gesto, sua grandeza, sua atenção foram de uma nobreza tão grande que jamais vou poder corresponder. Só posso dizer; ‘Minha tia é demais’.

 

Conclusão

 

O resto da moto está no pátio do Detran; o carro que provocou o acidente está lá também, inclusive o Gol, que não tinha nada com o fato. Segundo as autoridades, os carros só serão liberados quando o problema for resolvido de acordo com a justiça.

Betinho e sua tranqüilidade. Foto do recente Torneio de biriba, na casa do Cláudio, na praia.

 

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