Ana Machulis – PRIMEIRA EXCURSÃO DO FAM – “ MUITAS EMOÇÕES”

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PRIMEIRA EXCURSÃO DO FAM – “ MUITAS EMOÇÕES”

 

O tlim tlim do telefone foi na hora exata, às 6:00 da manhã. A cunhada ligou, como combinamos. Preciso tomar vergonha e comprar logo um despertador. Afinal morei tanto tempo em Porto Velho onde os relógios são importados da Bolívia e não comprei um. Não vem mais ao caso. Despertei e iniciei uma batalha  com o tempo.

Faço um alongamento ainda na cama e levanto para o banheiro. Ritual de sempre. Xixi, rosto lavado e um bom banho  para começar o dia. Chamo a Flávia, dando um copo de leite, e tento acordar a Fernanda. Ela resiste e permanece na cama. Dou uma segunda chamada. Já pronta, saímos de casa exatamente às 7 horas, chegamos ao ponto de encontro, (SACOLÃO PONTA VERDE) no horário combinado. Não aparecia ninguém. Choveu. O humor dos adolecentes ficou terrível e o cunhado Abel chegou com a família. Vi o Magno com travesseiro na mão e resolvi buscar o meu. No meio do  caminho lembrei que a chave de casa ficou na bolsa que deixei com o povo. Voltei e estando de posse da tal,  cheguei vitoriosa com meu travesseirinho na mão e nada do nosso  ônibus.  Ufa! chegou. Entramos e vamos à viagem.

No coletivo, pessoas da família e futuros amiguinhos.

Chegamos em Arapiraca para pegar o restante do grupo. Seguimos viagem para Caruaru. O guia nos deu as boas vindas e gentilmente falou sobre a programação da viagem. Havia bebidas pagas pelo FAM e tira gosto de tudo quanto é jeito, feito com a cooperação de todos. Tratei logo de passar os meus, pois tinha levado ovo de codorna e fiquei com medo de estragar. Logo depois distribui meus amendoins torrados que nâo ficaram lá muito bons. Tinha passado do ponto, mas as pessoas, educadas, não reclamavam. Até que uma garotinha muito simpática falou, “moça, que amendoim  horrível!” Resolvi esconder  logo o criminoso, antes que aparecesse outro corajoso.

 

Estava indo tudo muito bem, todos naquela confraternização, quando surgiu um pequeno problema. Pifou o ar condicionado. Não havia a televisão e o vídeo prometidos. Cláudio Júnior, um dos organizadores, ficou muito danado, prometendo dizer poucas e boas à Paula, agente de turismo da Empresa proprietária do ônibus contratado para o passeio, que não cumprira o prometido.

 

Abrimos as janelas e continuamos o passeio felizes, compartilhando os comes e bebes, até que aconteceu um pequeno problema. Alguém passou mal, logo depois que comeu meu inocente ovinho de codorna. Logo depois outra pessoa. Mas, que alívio! Não foi por causa do meu molho rose, pois o mesmo entornou na sua blusa. E sim porque  misturou vinho com cerveja. Ufa! dessa vez fui salva.

 

Pessoal, tinha um padre a bordo. Mas duvidei da sua batina. Acho que ele queria mesmo era entrar em Nova Jerusalém de graça, mas não foi possível, pois o tal padre tomou tantas latinhas que achava que o ônibus estava bêbado. Será que não era ele?

 

Gente, o motorista precisava de um mapa para chegar no destino combinado. Onde a empresa encontrou esse moço?

 

Ai, vamos nós, cheios de esperança e alegria. Chegamos em Caruaru, onde existe a feira mais importante do Brasil. Ainda bem que tirei um dinheirinho do Banco  para gastar com algumas coisinhas. Silêncio o guia vai falar… “Pessoal, precisamos avisar que o tempo só dá para almoçar.” Ai me pronunciei: “mas seu guia, e a feirinha, não posso ir?” Ele respondeu: “Não dá tempo”. Fiquei triste e pensei: “O que vou fazer com o dinheiro destinado às compras?” “Economize”, falaria meu marido, se estivesse comigo, mas o Fernando encontrava-se em Rondônia. E agora não estou com fome, que farei? Pensei em ir até às compras  caminhando, mas o guia disse ser muito longe. Desci do ônibus e saí andando com a vizinha, até que encontramos um Self – Service de sorvetes. Viramos crianças. Entramos e, sem muita cerimônia, enchíamos os nossos potinhos com tudo que tinha, acabamos e fomos caminhar de volta ao encontro dos amiguinhos.

 

O guia novamente  falou: “Vamos à chamada.” Todos presentes, resolvemos decidir onde comprar as entradas para o espetáculo em Fazenda Nova. Todos queriam ir, mas alguns decidiram comprar por lá. Quanto a mim e a maioria, compramos em um Hotel onde estávamos no momento.

 

Assim , prosseguimos viagem. Dormi bastante e, quando menos esperava, chegamos. Todos animados, descemos  e fomos para as bilheterias comprar entradas para quem não tinha. Ao chegar, constatamos que o espetáculo das 18:00 horas estava esgotado. O próximo seria às 22:00 horas. Teríamos que aguardar o povo que ficasse para ele, é o certo…

 

Começamos a entrar. Tentei comprar banquinho para levar  e não encontrei. Entrando, descobri que era proibido, mas a minha cunhada não foi tão feliz, pois comprou alguns e teve que levar de volta para o ônibus. Estando lá dentro, fiquei maravilhada com a beleza natural de tudo. Me senti na época de Cristo. Para cada cena havia um local apropriado. Tínhamos que nos deslocar a todo instante. Lá íamos todos nós de mãozinha para não nos perdermos. Mas a vizinha era tão rápida que num momento qualquer, não a encontrei mais, somente o cunhado Cláudio ficou ao meu lado, até que encontramos Abel/Inovete, perdidos na multidão. Como tinha gente! Algumas pessoas mais idosas reclamavam do empurra-empurra. Pedi tantas desculpas que perdi as contas. Olha que eu só era levada pelo povo. O vizinho encontrou alguns amigos de Arapiraca e sempre dizia: “Gente, essa é minha cunhada, esposa do meu irmão Fernando. Perdi minha mulher. Vocês acharam por ai?” E eu, muito sutilmente, gritava: “Vizinha, cadê você?” Nada acontecia.

Acabou o espetáculo. Lindo, por sinal. Começamos a sair e voltar para o ônibus. Entramos. Troquei a blusa, pois achei que o desodorante estava vencido e fui com a vizinha, marido e outras pessoas para um barzinho comer alguma coisa. Terminamos e fomos finalmente passear  numa pequena feira que havia no local. Finalmente, comprei alguma coisa. Mulher já gosta de gastar… Ah, ah, ha.

Logo depois nos reunimos e cantamos junto com Ivonete e  Cláudio Júnior ao violão,  boas canções. Vizinha puxava o tom e um rapaz com uma voz muito bonita, fazia parte dos nossos cantos. Com isso passou o tempo e o pessoal do segundo  espetáculo começou a chegar. Todos a bordo, o motorista deu partida para  nossa viagem de volta.

 

Muito tempo depois, quando já estava clareando,  começamos a sentir cheiro de queimado. O motorista parou e o vizinho gritou: “Calma, nada de pânico, não está acontecendo nada.” Logo depois ele falou: “Acho melhor sairmos.  Está pegando fogo!” Peguei minha bolsa, para salvar meus documentos e outros e saímos todos. Já lá fora constatamos que a lona de freio esquentou tanto que saiu fumaça dos pneus. Logo que os mesmos esfriaram entramos no ônibus para continuarmos a viagem .

 

Gente, uma próxima viagem de ônibus juro que levarei pinho sol, o banheiro estava horroroso. Acho que banheiro em  coletivo nunca deu certo, todos eles ficam fedidos.

 

A alegria continuava, dia clareando, olhávamos uns para os outros, descabelados, dando bom dia, e eu passando batom, doida para tomar café com leite.

 

Chegou Arapiraca, às pessoas de lá  começou a descer, levei um pisão do vizinho que vi estrelas, corri para casa da vizinha para ir ao banheiro, quase trombei com uma dúzia que disputava uma vaguinha lá também, ganhei a corrida e cheguei primeiro, que bom, que alívio….

 

Começamos o caminho de casa, faltava ainda chegar em Maceió, minha nova Cidade, bem maravilhosa, quando o motorista avisou, vou trocar o pneu, leva uma hora. Gente, falei, tudo isso, não faz por menos. Fomos para um restaurante, doida por um café com leite, acabei me atracando com guaraná , pois o que pedi não chegava nunca.

Muito tempo depois, o ônibus chegou, gente ,ao subir nele, percebi ., o cheiro do banheiro piorou. O jeito foi dormi e fingi que estava cheirando um gostoso perfume francês.

 

Finalmente chegou, linda , maravilhosa Maceió, desci, troquei telefones com Cida que também viajava, dei  um adeus para família Abel, e fui para casa cair nos braços de Morfeu.

 

Valeu Cláudio Júnior e Carlinhos, não nascemos com experiência em nada, só podemos adquiri-las muito mais com nosso erros. Somando tudo, vamos longe nas próximas, sucesso, quando tiver a segunda, conte comigo, lógico sem amendoim torrado… beijos tia Ana…desculpe as brincadeirinhas…. até a próxima… Parabéns pelo esforço .   nada de desistirem.

 

 

´Conto:  ANA MARIA MACHULIS DE MAGALHÃES dia 01/04/96

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