Lívia – Fonoaudiologia

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Fonoaudiologia

A importância da alimentação no desenvolvimento da fala

Juliana Ruivo Tavares*

O crescimento e desenvolvimento saudáveis de uma criança dependem de uma série de fatores internos e externos a ela, que se interligam.

No que diz respeito à alimentação, podemos começar enfatizando a importância da alimentação natural (seio materno). Nesse período inicial, o bebê necessita de um contato físico com a mãe que lhe proverá segurança, afeto e alimento. Além disso, terá a oportunidade de conhecer e exercitar sua cavidade bucal. A alimentação natural promove a estimulação da região intra-oral, propiciando uma sucção adequada. Tudo isso exige um trabalho muscular preparatório ao desenvolvimento da fala.

Este trabalho muscular é essencial, pois os órgãos estimulados serão os mesmos utilizados no ato da fala e desta maneira, se exercitados de forma e por tempo adequados, estarão prontos para a nova função a que também são designados.

Levando-se em consideração os aspectos afetivo e funcional da alimentação no seio materno, podemos ressaltar a importância do desmame progressivo, passando-se lentamente à alimentação alternativa.

Essas modificações gradativas na alimentação visam exclusivamente a um exercício dos órgãos da fala e a um preparo para a aceitação do alimento sólido (com um ano) e posteriormente (aos 18 meses) a de uma dieta semelhante a do adulto. Do contrário, podem advir problemas articulatórios por má utilização dos órgãos da fala durante a alimentação. São eles decorrentes de dificuldades ao mastigar, deglutir, língua com tônus diminuído, lábios entreabertos e respiração oral viciosa (sem problemas de adenóides, alergias, gripes).

Devemos lembrar que a mastigação é a função mais importante do sistema estomatognático, pois é o primeiro estímulo ortopédico para que o processo de crescimento e desenvolvimento da face possa ter início. Ela exercita os músculos faciais e deve ser bilateral alternada, com movimentos de rotação de mandíbula, levando-se em consideração as condições de cada indivíduo (tipo de oclusão ou maloclusão, conservação dos dentes, tipologia facial, condições respiratórias). Por isso a importância do consumo de alimentos duros e secos para a qualidade da mastigação e força muscular oral.

Sendo assim, é fundamental que toda criança em idade pré-escolar seja submetida, pelo menos uma vez, a uma avaliação fonoaudiológica. Esta avaliação irá verificar se a criança está no processo de aquisição de fala esperado para sua faixa etária. Se houver algum atraso, investigaremos a causa do mesmo, realizando encaminhamentos necessários para outros profissionais e orientando os pais sobre o que podem fazer para auxiliar o desenvolvimento da fala da criança.

Na avaliação fonoaudiológica também são observados os órgãos fonoarticulatórios (órgãos usados na articulação da fala) que podem apresentar alterações  e, por isso, estar prejudicando a fala. As funções estomatognáticas também são avaliadas.

Caso alguma alteração seja diagnosticada, deve ser corrigida com terapia fonoaudiológica com objetivo de melhorar não somente a fala da criança, mas também as funções de respiração, mastigação e deglutição, já que os órgãos utilizados para essas funções são os mesmos utilizados para a articulação da fala.

Muitas vezes a avaliação fonoaudiológica pode detectar e prevenir possíveis problemas futuros, pois podemos tomar alguns cuidados, aos quais chamamos de prevenção, e que devem começar ainda na infância, com a criação de hábitos saudáveis que serão importantes para a vida futura.

Como vimos, o ato da fala está intimamente ligado à alimentação e suas etapas, as quais podem determinar alterações articulatórias futuras, se retardadas, apressadas ou mal realizadas, podendo as mesmas serem evitadas, respeitando-se o desenvolvimento natural das etapas da alimentação.

*Fonoaudióloga Clínica da Sociedade Paulista de Ortodontia e Ortopedia Facial e da Clínica de Alergia e Imunizações Prof. Dr. Julio Croce.

Colaboração da acadêmica Lívia Magalhães Souza.

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