Conversando com os ex-diretores: Marquinhos e Vaninha

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Conversando com os ex-diretores: Marquinhos e Vaninha

Alegrias, tristezas, experiências

É um pouco difícil de falar sobre certas coisas num momento assim único, quando a gente está efetuando a entrega do cargo, porque se trata de algo ao longo de um ano inteiro e fica difícil de resumir. Há um ano eu estava tomando posse no cargo de diretor social e hoje tenho a sensação de que superei as minhas próprias expectativas. Eu aprendi que você tem que programar tudo em exagero, objetivando fazer muito para ver se faz 50%. Alcançando essa meta, penso que está coroado de sucesso. Para minha surpresa, eu realizei 70% daquilo que programei. Por isto eu acho que foi um ano muito bom. Eu entendo que, quando sou bem-sucedido numa iniciativa, eu não fiz mais do que o meu dever. Por isso, não tenho nada a destacar em minha atuação. Prefiro calar sobre as minhas eventuais decepções. Os meus desafios foram muito difíceis porque em alguns momentos fiquei muito chateado com algumas pessoas que, quando você quer realizar algum evento, não tem ninguém para lhe ajudar. Por exemplo, tentei realizar alguns cursos de culinária e ficou na estaca zero. Não teve nenhuma mulher que manifestasse interesse, nem sequer cobrasse a execução do que tinha sido prometido. Fiz contatos, deixei tudo certo com a professora, mas quando eu senti que não houve interesse por parte do pessoal da família, eu fiquei desestimulado e cancelei. É bom lembrar que essas pessoas que executam esses cursos são profissionais. E só fazem a coisa visando lucro ou investimento. Se não puder ganhar dinheiro, pelo menos satisfaça a um grande número de pessoas. No caso, a base foi zero. Tentei fazer reunião da família em Maceió e não tive apoio nenhum. Eu acho que o maior beneficiado com a reunião em Maceió seria o pessoal de lá. E isto eu não senti. Tudo isto era objetivo meu e tenho convicção que batalhei para fazer e, se não consegui, não foi por minha causa. Mas eu considero isso como uma coisa normal. Em compensação, eu não esperava que tanta gente fosse para a 2ª Olimpíada do FAM. Eu não esperava que tanta gente fosse para as reuniões como foram; eu não pensei que tanta gente prestigiasse a Copa do Mundo como aconteceu; eu não pensei que tantas pessoas fossem para o passeio do FAM como foram. Então, do mesmo jeito que fiquei decepcionado com os eventos que não consegui fazer, eu fiquei surpreso com os eventos que foram sucesso. Uma coisa que me deixou muito preocupado foi aquela reunião na chácara, no começo do ano, que tem um padrão melhor, que facilita muito o lazer principalmente das nossas crianças e infelizmente houve aquela decepção. A Chácara do Zé Pequeno foi um sucesso para quem prestigiou. As crianças brincaram; divertiram-se, embora não fosse uma chácara ideal, mas a gente tem que começar de baixo, para depois chegar a uma chácara com piscina, toboagua etc. Tudo tem que começar de baixo. Esse é que é o caso. Infelizmente as pessoas da nossa família são como em todo lugar do mundo, têm as suas complicações. E é por isso que insisti, insisti e… desisti. Volto a dizer: vou voltar a fazer. Não tenho a menor decepção de ninguém, porque eu sei que é natural do ser humano. Se eu não consegui estimular as pessoas para fazerem uma reunião em Maceió, uma reunião em chácara, essas coisas que falei, vou passar a ver onde era que eu deveria ter insistido para conseguir o intento e corrigir. Eu acho que é porque eu não consegui estimular essas pessoas. Vou procurar descobrir como estimula-las para ver se consigo realizar o objetivo.

Neguinho da Vovó

Não aceitei ser reeleito. A razão principal é que eu desabafe as decepções que tive esse ano. Também eu tenho um objetivo de vida com a minha família, que é a construção da minha casinha, porque eu não consigo ser uma pessoa do FAM meio termo. Ser um diretor social de fachada, não dá. Eu sou muito empolgado com o FAM e por causa dessa empolgação eu discuto muito com a minha esposa e não a critico porque ela só quer o melhor para mim. E eu quero o melhor para o FAM. O problema é esse, quando eu quero o melhor para o FAM, eu não meço esforços. Se eu fosse reeleito, eu voltaria a fazer tudo de novo e deixaria de lado o mais importante para a minha família que é a construção do meu lar. Vale lembrar que eu tenho 13 anos de casado e não tenho a minha casa própria. Este ano eu vou me dedicar à minha esposa e aos meus filhos. Em termos de FAM eu vou ficar ausente de diretoria. Vou participar das reuniões com o mesmo entusiasmo, intensamente, e das atividades do clube; vou fazer o que gosto. Só não vou ter o compromisso de organizar nada. Hoje, eu vou participar. Para a AGO, eu trabalhei de segunda até hoje. Um churrasco desse, pode alguém dizer que faz em duas horas. Pode até ser, mas… não é bem assim. É como fazer o jornal. Eu posso dizer que faço em dois dias, será??? Às vezes eu estou dormindo e acordo sem ter nem pra que e fico azoado se não tenho alguma coisa para fazer para o FAM. Mas, por que? Porque eu estou vivendo direcionado para isso. Para o passeio, foi mais de um mês de luta. Preciso de um tempo. Em 2004 pretendo ser candidato a presidente do FAM. E insisto nesse compromisso. Tivemos agora a maior prova do que é encontrar um candidato a presidente. E o FAM está carente de pessoas que se dediquem, porque está faltando estímulo de uma maneira ou de outra. Eu percebi isto. E é por isto que eu vou me preparar para ser o próximo presidente. A administração do Cláudio é nota dez. Ele é um presidente que só tem um defeito: às vezes é empolgado demais. Ele é muito dado. Se ele pegar um aproveitador, quem sofre mais é ele. Ele não ver dificuldade. Enfrenta tudo com destemor. Ele dá a maior força para que a pessoa possa fazer alguma coisa. Tem mais: ele tem um poder de persuasão muito forte. Pelo fato de ele ter um carisma entre as pessoas do FAM, ele prestigia todo mundo. É bom lembrar que ele sempre foi “o Neguinho da Vovó”. Ela sempre dizia: “Meu Neguinho”. Então, ele se dá bem com todo mundo.

 

Vânia – Jeitinho especial

No desempenho das minhas funções de tesoureira do FAM, nunca tive aborrecimento nem maiores dificuldades. Só tenho que agradecer pela confiança depositada em mim. Tive muita ajuda. Reconheço que a função é muito espinhosa, mas não tenho de que reclamar. Para os que estão de fora é importante dizer que não é uma tarefa das mais fáceis. Existem as dificuldades naturais. Uma das dificuldades que enfrentei foi o fato de não ter sido tesoureira antes. Faltava experiência. Tinha experiência no departamento social. A minha dificuldade maior foi em termos de balancetes mês-a-mês; a diretora financeira anterior me passou a papelada de uma maneira e procurei aperfeiçoar mais, inclusive com a ajuda de algumas pessoas. Para ser diretor financeiro e social tem que ter algum jogo de cintura; tem que se dar bem com todo mundo. Até numa hora de cobrar, é difícil. Mesmo eu, que me dou com todo mundo, enfrentei algumas dificuldades. Ninguém gosta de receber cobrança. Se bem que eu não tive dificuldade nisso não. Ligava com todo jeito. O que sugiro para a nova tesoureira é que tenha um jeitinho todo especial para fazer a abordagem; não cobrar, mas falar assim; “E aí, tem alguma coisa pra mim?” Jamais efetuar uma cobrança direta, porque ninguém gosta, apesar de todo mundo saber que tem a obrigação de pagar a mensalidade. Ninguém está para ser cobrado; está para ser lembrado. É importante lembrar que, mesmo estando distante, para ajudar ao tesoureiro, não deve esquecer as suas obrigações. Deve antecipar-se. Todos os meses o tesoureiro está na reunião do clube. Então, não há razão de esquecer; só se for de propósito. Nesses casos, o tesoureiro põe em prática a orientação acima: “Não cobre. Lembre”. É importante dar uma satisfação. Dizer: “Eu não posso pagar por isso ou aquilo, mas não se preocupe, eu vou resolver o meu problema”. Isso é uma luz. Não significa que ele vai fugir da sua responsabilidade mas está confirmando que não está esquecido, mas não está podendo. Um caso típico foi o do tio Juracy, que não se cansava de me procurar para dizer que não estava esquecido do seu débito, mas que até o fim do ano regularizaria a sua situação. E o que foi que aconteceu? Ele pagou tudo até com sobras e está muito contente. Isto é uma grande colaboração para com o tesoureiro, que tem que dá satisfação à diretoria e ao quadro social, além da espinhosa missão de ser o responsável pelo setor. O tesoureiro tem as suas dificuldades mas tem que ter jeitinho. Com jeitinho, tudo se consegue…

 

2ª Geração – Vânia disse: “Não tenho aspiração para ser presidente do FAM, porque não me acho preparada para a missão”. “E quem diabo está preparado?”, perguntou o editor. (Risos, aquela gaitada gostosa da referida) “Mas, não estou”, respondeu. “Eu não me acho preparada. É muita responsabilidade…” Fale sobre a 2ª Geração. Ela está preparada? “Não. 70% tem tudo, mas os 30% restantes estão sem estímulo, acomodados. A gente ouve muita crítica. Está faltando estímulo; está faltando algum trabalho a ser feito para despertar o entusiasmo. Mas a maioria está junta e participa de tudo. Marcos observou que na 1ª Geração não são todos também que estão dispostos a ser presidente. O problema é o mesmo.

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