Ana Lúcia na cidade do Poder

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Ana Lúcia na cidade do Poder

Como é do conhecimento de todos, a querida associada Ana Lúcia de Oliveira Magalhães esteve em Brasília prestando os seus serviços profissionais. Funcionária dedicada do INSS, foi convocada para passar trinta dias trabalhando na Capital Federal. No final do período, foi convidada a permanecer por mais um mês. No dia 20 de dezembro ela retornou ao solo alagoano, sendo recebida no aeroporto Campo dos Palmares por uma grande comitiva liderada pelo seu marido, o presidente Cláudio de Oliveira Magalhães.

Aproveitamos a oportunidade e procuramos colher um pouco de sua experiência na cidade brasileira do Poder Nacional. Eis o resumo:

“Fui para Brasília no dia 17 de outubro e voltei no dia 20 de dezembro. Brasília é uma cidade turística e não tem calor humano como a nossa. É uma cidade muito fria (saí de lá agora de agasalho porque estava chovendo e fazendo frio). Tive uma boa experiência. É uma experiência válida. Com a idade que tenho, nunca tive uma experiência dessa. Fiquei fora de casa, longe da família, das minhas netinhas, que são hoje a razão da minha vida, principalmente essa menorzinha que, praticamente quem cria sou eu. Quando eu ligava, ela chorava muito. Cheguei a diminuir as ligações para não faze-la sofrer. Era um choro desesperado. E eu ficava preocupada. Ela é muito apegada comigo e dizia: ‘Vozinha, eu tô com sono. Venha, vozinha, que eu quero dormir com você’. Eu ficava morta.

Apesar disso, foi muito bom. Eu tive uma experiência valiosa. O dia-a-dia era só trabalho. Saia às 7 da manhã e voltava às 8/9 da noite. Lá às 7 da noite está tudo claro. A gente vai a serviço e tem que mostrar produção. Até nos sábados a gente trabalhava. Eu trabalhei em dois lugares. O primeiro era um grupo de Campo Grande e morava no mesmo bloco de residência. Depois mudou. Nos fins-de-semana era solidão. Às vezes a gente ia para Taguatinga, Guará – cidades satélites próximas. No dia seguinte, começava tudo de novo. No início foi mais difícil; a gente não conhece bem o serviço; o ambiente é novo; vai procurando a adaptação. Isto durante as duas primeiras semanas. Depois fica tudo mais fácil. Com o tempo, a gente faz amizades. (Por esses dias estarei recebendo a visita de uma amiga que trabalhou comigo. Ela chega pra semana. E vai passar uma semana na nossa casa da praia. Ela é de Goiás.) Trabalhei muito mas adquiri boa experiência. Não vou parar por aí. Descobri o caminho agora e quando for convocada irei de novo, seja para onde for. Só não gostei muito da casa em que fiquei hospedada…

A Previdência faz cerca de dez anos que não faz concurso. Uns vão se aposentando, outros são transferidos, outros morrem e o quadro funcional vai diminuindo; os processos vão acumulando. No fim do ano eles querem tirar o represamento, por isto fazem convocações. Como a gente já está lá, eles reconvocam.

Quanto ao serviço é o mesmo. A gente passa 45 min para chegar ao trabalho, porque vai de ônibus; dá uma volta enorme; é cansativo mas valeu como experiência de vida; aprendi muita coisa; posso garantir que depois de 25 anos de Previdência agora é que sei mais.

A distância faz a gente descobrir outros valores. Quando a Ivonete me ligou, você não imagina a alegria que senti!!! Eu tinha muito medo de sair. A gente pensa assim: ‘tudo que é desconhecido é perigoso. A gente tem medo; fica na dúvida. Mas é muito válido. Como a gente cresce!; como a gente aprende!!! E descobri: quanto tempo eu perdi!!! Pra gente que mora no interior fica mais difícil. Essa oportunidade eu tive mais, graças a Lurdinha. As oportunidades que se tem são mais para o interior – pior do que o nosso. Mas, para Brasília, devo a Lurdinha.

Um detalhe: lá tudo é caro. O que se ganha, praticamente gasta-se tudo, porque a vida lá é muito cara. Mas você voltou mais bonita, não acha, Ivonete?, perguntou Abel. Ivonete ironizou. O que ele quer falar é que o aspecto da tia  está melhor…, disse Magno. Ana Lúcia explicou: em parte, o problema que eu estava vivendo aqui, eu deixei de lado. Quando a gente esquece, alivia. No final, eu já estava me acostumando com o novo estilo de vida. Depois que cheguei, conversando com as meninas, já estava sentindo falta do novo trabalho. Em todos os sentidos, para mim, foi ótimo. Disseram que em março vão fazer nova convocação. Se eu for convocada, estarei lá, se Deus quiser.

Qual a sua reação ao receber o NF?

Ah, eu adorei. O difícil foi recebê-los. A dona da pousada só foi abrir a caixa postal uma semana depois. Assim mesmo porque eu cobrei muito. No dia seguinte os jornais estavam em cima da minha cama. Eu me sentei e só fui tomar banho quando acabei de ler tudo. Adorei. Tive muita vontade de ligar para você mas pra gente fazer ligação lá é difícil. Gostei de tudo mas destaco a matéria sobre a minha neta e o editorial que o meu marido fez. Gostei de tudo. Isto massageia um pouco o ego da gente. Quando estamos longe, qualquer documento ou ligação telefônica é muito importante. Recebi ligações da Ivonete, da Ana Machulis e da Lurdinha. Foi muito bom.

E a sua chegada ao aeroporto Campo dos Palmares?

A minha chegada foi ótima. Estavam lá as minhas netas, o marido, os filhos, Antônio e Rose, uma verdadeira comitiva. Isto faz um bem enorme.  (Dez.2002)

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