2013 – 4º Abel Magalhães – Casagrande e Seus Demônios

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4º livro

Casagrande e Seus Demônios

Sinopse

Autores – Casagrande & Gilvan Ribeiro

Dedicatórias – O livro foi dedicado à sua irmã Zilda, que morreu aos 22 anos, de infarto fulminante, quando ela cuidava dos irmãos mais novos; Sócrates, seu colega e amigo íntimo como jogador de futebol; Gonzaguinha, Marcelo Fromer, por terem lhe revelado o verdadeiro sentido da palavra amizade; e ao Raul Seixas, ídolo eterno.

Prefácio – “Minha vida dá um livro”, frase de Casagrande, pelos inúmeros problemas enfrentados ao longo de sua vida, homem gol com sangue de roqueiro, inquieto, curioso, destemido, atirado e, sobretudo, amigo prestativo e fiel, na palavra de seu biógrafo Gilvan Ribeiro. Casagrande sempre foi um vitorioso e sempre queria mais. Pergunta-se: por que sempre queremos mais? O prefácio foi feito pelo amigo Marcelo Rubens Paiva, jornalista que perdeu o pai na Revolução, torturado até a morte por pensar diferente das autoridades militares.

A primeira experiência – Foi em 1982, durante um show de Peter Frampton, no Corínthians. Apresentaram-lhe a cocaína. Sentiu-se um Zeus no Monte Olimpo. A partir daí começou o seu martírio. Passou a noite cheirando e bebendo Campari. Nem viu o show. “Eu parecia um fantasma”.  Sempre tinha recaída. Inúmeras vezes correu o risco de morrer. Passara a se injetar cocaína e tomar overdose. Certa vez a coronária começou a fechar e ele passou mal. Estava morrendo. Quem deu assistência foi a noiva. Evitava tornar o caso público. Diante do consultório desmaiou por insuficiência cardíaca e respiratória. Foi transferido para o Einstein, onde foi socorrido e salvo. Nem os riscos permanentes e de morte eram suficientes para fazê-lo desistir da droga. Num de seus tratamentos chegou a passar 12 meses na clínica de reabilitação. A rede Globo manteve o seu salário o tempo todo. Durante muito tempo, cultivava certa atração por aquele fim fatal, como se fosse seu destino cumprir a sina de viver intensamente e morrer até os trinta anos, inspirado nos ídolos Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix etc. A TV Globo manteve seu contrato em vigor durante o longo período de afastamento, pagou normalmente seu salário e lhe deu todo o apoio para o tratamento. Condição imposta: quando voltasse a ser Casagrande, teria a obrigação moral de honrar a confiança depositada nele e seguir o roteiro estabelecido pela emissora para o retorno gradativo às transmissões. No processo de recuperação teve que se submeter a uma disciplina rigorosa, tendo hora para se levantar, regar plantas etc.

Testemunho dos pais em forma de amor ao filho – Foi numa apresentação no Domingão do Faustão. O objetivo de evitar a rejeição ao comentarista estava sendo alcançado. Faustão, para reforçar os sentimentos, anunciou os testemunhos dos pais idosos. Sua mãe Zilda surgiu na tela falando sobre o peso de ter assinado a ordem de internação do filho e o receio de que ele se sentisse traído e acabasse por se revoltar contra ela. Seu pai, Walter, seguiu o mesmo ritmo. “A gente pensa que essas coisas nunca acontecem na vida da gente; eu não notava nada diferente nele quando o via, é difícil perceber, mas agora só quero lhe mandar um abraço bem apertado , agradecer por todas as alegrias que nos deu”. E finalizou: “Aquela fase já passou e nunca mais vai acontecer. Fique com Deus, meu filho!”. Faustão enfatizou que Casagrande proporcionara uma vida melhor e mais confortável aos pais, a partir de sua ascensão como jogador. Vale lembrar que os pais haviam passado por outro sofrimento, no passado, com a perda de uma filha de apenas 22 anos, Zildinha, vítima de ataque cardíaco. Foi um acontecimento marcante para o adolescente Casagrande. Era muito apegado à irmã mais velha, que ajudara a cuidar dele desde o nascimento. A jovem estava em casa, com os dois filhos pequenos, quando sofreu um infarto do miocárdio. Foi fulminante. Isto mexeu com a cabeça de Casagrande. Foi um duro golpe para todos. Zildinha brincava com as crianças quando caiu sem vida no sofá. Não estava doente, nem houve nenhum sinal anterior de alerta.

Conclusão – O livro é muito bom. É muito fácil de ser lido. Saboroso, prático, uma espécie de conversa entre amigos. Lê-se o livro de um fôlego. Casagrande foi um homem bafejado pela sorte. Teve uma atuação profissional muito boa, principalmente no Corínthians, onde fez muito sucesso. O preço alto que pagou foi a dependência com a droga. Se não fosse o apoio da rede Globo e dos amigos, certamente teria sucumbido. Não deixa de ser um grande exemplo a ser evitado.

Maceió, 30/04/2013.

 

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