Abel – Passeios – Belém e Ilha de Marajó

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Diário da viagem – Belém e Ilha de Marajó

Dia 10. Saída – 8:00h para o Complexo Feliz Luzitânia, onde foi criada a cidade de Belém em 12.01.1616, com o nome Santa Maria de Belém do Grão-Pará. O palácio da antiga residência do governador é conhecida pelo nome de Casa das onze janelas, referência à quantidade de janelas correspondentes. O local é chamado de Baía de Guajará. Conhecemos a Catedral da Sé, de onde sai a procissão do Círio e fim da Trasladação (movimento através do rio).

9:30h – Visita ao Museu Emilio Goeldi com muita natureza, árvores, animais, ariranhas, vitórias régias, onça, jabuti-do-pé-amarelo e vermelho, jacaré, tartaruga, jacaré-açú, a maior espécie conhecida com até 7 m; jacaré-tinga, paca, cotia, urubu-rei, anta, etc.

11;00h – Shopping Pátio Belém; Exposição Nazaré de todos nós; tópicos sobre o tema; a festividade nos municípios do Estado.

13:00h – Encontro com Eline (Shopping) na praça de alimentação, na Trattoria. Julinda foi dispensada e ficamos com Eline. Ela e Ivonete foram ver as lojas para compras e lembranças. Enquanto isto, sentei-me e fui ver o mapa da cidade com os destaques do Círio. Afinal, é o que se respira por toda parte.

 

Dia 11. Círio nº 217. Tínhamos ingresso para as arquibancadas. Por causa da imensa aglomeração, chegamos cedo. As arquibancadas ainda estavam um pouco vazias. Fotografamos seguidamente para ver o crescimento do fluxo. Daí a pouco passou o 1º carro, que representava o achado da Santa (história idêntica à de Nª Sª Aparecida). Os familiares de Julinda chegaram e nos conhecemos: Isabel, José Elígio, Murilo (pai e filho). O cortejo atravessa as Av. Presidente Vargas e Nazaré. Vêm os carros das Promessas; dos Anjos; e vários colégios. As arquibancadas são montadas embaixo das frondosas mangueiras, propiciando sobra e amenizando o calor tropical da cidade de Belém. Ficamos ao lado do Teatro da Paz, um local de incalculável valor cultural da cidade. (Apesar da correria, fizemos uma visita e recebemos as informações preciosas sobre o citado bem cultural). Várias bandas de música passavam fazendo parte do desfile; sistema de som em todo o percurso transmitia as orações e cânticos, que envolvem a todos; a participação dos jovens era maciça; Ivonete fotografava enquanto Abel registrava os dados no livrinho. Izabel, irmã de Julinda, explicava cada componente da procissão. A sacola das ofertas passava pra lá e pra cá (pedindo dinheiro). Grupos de socorristas, compostos de voluntários, passavam a toda hora para prestar socorro a eventuais necessitados. Romeiros e promesseiros se agarravam a uma corda pagando suas promessas numa disputa incrível, enfrentando dificuldades imensas. A corda formava estações de 400m de extensão. O espetáculo de fé é algo inacreditável. Só vendo para crer.

Após a passagem da Santa, fomos para o apto da Eline, onde almoçamos. Depois de uma soneca, descemos para a piscina do condomínio. Saboreando uma cervejinha providenciada pela querida Eline, ficamos até o jogo da seleção brasileira. Ivonete e Eline jogavam um baralhinho. Abel aproveitava a piscina. Chico dormia. O resultado do jogo foi 1480 Ivonete; 420 Eline.

 

Dia 12 – 8:00h saída. 1ª parada – feirinha da 25. Castanha do Pará; processo de fazer o suco do Açaí e plantas regionais, Cupuaçú, Bacurí, Taperebá, Murucí; peixe Pirarucú; feijão manteiguinha; piraçuí, (farinha de peixe), Aviú (camarão microscópico, que só dá nos meses de julho e agosto em Cametá e Santarém); Acarí (peixe que gera a farinha piracuí) (De repente vi o fumo Extra-Forte, do Grupo Curinga e dei aquela vibrada); Abacaba; Tapereba etc. Remédios: Copaíba; Pau que ressuscita; Marapuana (levanta o caído e ressuscita o morto); Rosa, a moça que vendia os produtos, conhecida como Dra Erva. Muito engraçada).

 

Teatro da Paz – Atendeu-nos a simpática apresentadora Sra. Maria das Neves. Disse que em 1878 as Órfãs de Portugal; Inspiração do teatro: Scala de Milão; em 1905, sofreu a primeira reforma, estilo neoclássico. Mosaico colado com a banha da Gorijuba (peixe). Todo o material veio da Europa – ferro, mármore, lustre, espelho, bronze francês; afrescos originais; ferro inglês folheado a ouro; cadeiras de palhinha; camarote do Imperador, que hoje é do Governador.  Na Praça da república fica o 1º cinema do Brasil – Olympia; Monumento a República; almoço na casa da Julinda, onde conhecemos D. Vinoca, sua mãe, com 88 anos. Degustamos um prato chamado Maniçoba e Porco no Tucupi; Açaí com camarão seco. Uma delícia.

Mercado Ver-o-Peso: Grande variedade de produtos artesanais; frutos regionais; antiguidades; quinquilharias e sujeira por toda parte. O Mercado fica ao lado do caudaloso rio que banha Belém e da Estação das Docas, com grande movimentação de barcos e viajantes. Uma brisa suave aliviava o forte calor da região. No fim da tarde retornamos ao hotel e preparar as coisas para a maratona do dia seguinte.

 

Dia 13

Passeio para a Ilha de Marajó. Saída – 6:10h do hotel. Saída do porto: 7:30h. Duração da viagem: 2:30h. Chegamos à ilha às 11:00h. Daí, fomos de ônibus (caindo os pedaços) para o destino – Pousada dos Guajarás. Percurso: 30 min. O ônibus, além de velho, era cheio de frases religiosas e adesivos interessantes. A vegetação do tipo sertaneja; plantações de abacaxi. Ao longo do percurso, inúmeras igrejas evangélicas, no meio do mato, típico de região humilde, implantada nas florestas nativas.

Travessia de Belém a Marajó – muita água, muitas ilhas. Larguras do rio às vezes parecidas com o oceano, pela imensidão das águas e ausência de margens. Só horizonte.

Pousada dos Guajarás – Muito grande, contrastando com o apto do hotel, principalmente o banheiro, muito apertado. Na pousada, tudo era grande, espaçoso, uma tranqüilidade. A pousada fica no município de Salvaterra, que tem 17 mil habitantes (10 mil na sede); à beira do rio Paracanauí, com piscina, restaurante e infraestrutura completa.  Almoçamos filé à Marajoara (arroz de jambu, erva que dá sabor especial). À tarde fomos conhecer Soure, capital da ilha, por sua importância e tamanho. Tem 30 mil habitantes. Toda ilha tem 25 mil hectares. Soure foi colonizada por portugueses, daí o seu nome ser português e não francês como se imagina. O significado de seu nome é jacaré. Soure tem Seminário e Igreja Nª Sª da Consolação; tem um matadouro municipal com um curtume onde se fabrica artesanato. O arquipélago tem 50 ilhas com energia elétrica produzida por duas usinas locais. Encontramos agência do Banco do Brasil, onde aproveitamos para sacar. Existe um ceramista (Carlos Amaral), que produz trabalhos arqueológicos; sua produção é local e conquistou um título do Ministério da Cultura, na gestão de Gilberto Gil. As instalações são muito rústicas e o artista, de 24 anos, irradia muita simpatia. O motorista do velho ônibus se chamava Elói; o guia Exequias. Em Soure, fomos conhecer a fazendo Araruna, do Sr. Edgar. Com 90 anos, seu Edgar é o anfitrião dos turistas na sede de sua fazenda. Auxiliado por sua secretária, a filha Amélia, fornece sucos de variadas frutas e açaí. A fazenda tem guarás e búfalos. Fomos à praia Barra Velha, que fica no rio do mesmo nome, que se encontra com o mar a 30 km. Uma areia fininha é soprada pelo vento, constituindo uma brisa legal. Tudo muito selvagem, o acesso se faz através de pequena ponte pênsil de mais de 50 m. Na prainha, barzinho super rústico; uma cervejinha gelada e caranguejo a granel. Como era tarde, não dava tempo cozinhar caranguejos. Mesmo assim, Ivonete conseguiu um prato de 4 unidades, que pertencia a um grupo que tinha chegado mais cedo e estava satisfeito de tanto comer o fruto mencionado. A fazenda tem 200 hectares e possui 120 búfalos. Pelo tamanho é conhecida como fazendinha. Retornamos para a pousada dos Guarás.

 

Apresentação de Carimbó – Chegamos à pousada às 18:00h. Depois de um banho reconfortante, servimo-nos de um maravilhoso prato regional e fomos assistir uma demonstração da dança do Carimbó. Houve bela apresentação de um grupo da região, que animou o ambiente até às 22:30h. Filmamos e fotografamos tudo.

 

Dia 14 – Pela manhã, tomamos banho de rio (Paracanaí) e de piscina – tudo com uma cervejinha supergelada. Nome da cidade: Salvaterra.

 

Retorno da pousada dos Guarás a Belém – Depois do almoço, às 13:40h, pegamos o velho ônibus de volta. Chegamos ao porto às 14:30h. Pegamos o barco de nome Comandante Marcos. Capacidade: 650 passageiros; travessia: Três horas. Saída: 15:00h. Chegada ao porto de Belém: 18:00h em ponto. Dotado de televisão, vimos o Vídeo Show e o programa Vale a pena Ver de Novo – uma sensação especial, porque a pessoa se acha no fim do mundo e captando sinal de televisão (apesar de fraca recepção). Pontualidade: O barco saiu exatamente às 15:00h e chegou ao destino no horário previsto.

 

Audição especial – Enquanto o barco zarpava, Abel sacou o  Ipode  e ouviu sua seleção musical preferida, enquanto lia a Veja da semana, comprada em Belém. Como a embarcação estava com metade de sua capacidade ocupada, muitos aproveitaram para se deitar e dormir nas cadeiras. Uma brisa legal envolvia o barco e tornava a viagem razoavelmente boa. Na ida – em que fomos de Catamarã – a travessia foi mais rápida. Durou duas horas e meia. Não houve ondas. Na volta, as ondas estavam muito fortes, fazendo com que a embarcação balançasse muito, principalmente porque se tratava de uma embarcação muito grande e diferente de um catamarã. Ivonete ficou assustada, mas enfrentou a turbulência com disposição e arrojo, mesmo sendo a única a vestir o colete salva-vidas.

 

Dimensões do rio – O rio é tão largo que parece o mar. Não se vê o outro lado da margem (veja o vídeo e as fotos). Na chegada a Belém, uma chuvinha leve nos envolveu. Foram fechadas as cortinas de proteção e a viagem terminou bem-sucedida.

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