Fernando – Do Governo provisório à ditadura do Estado Novo

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Getúlio 2 – 1930 a 1945

Do Governo provisório à ditadura do Estado Novo

Autor:  Lira Neto

Editora: Companhia das Letras

 

Sinopse:

 

“O período ditatorial tem sido útil, permitindo a realização de certas medidas salvadoras, de difícil ou tardia execução dentro da órbita legal.  A maior parte das reformas iniciadas e concluídas não poderia ser feita em um regime que predominasse o interesse das conveniências políticas e das injunções partidárias”.

Esse é o texto inicial extraído do diário pessoal de Getúlio,  muito bem postado pelo autor, caracterizando assim o pensamento e posicionamento político  do presidente que se tornou um ditador por 15 anos.  É verdade que o país à época, era uma espécie de Babel politicamente falando,  inúmeras correntes e grupos políticos diversos,  indo dos verdadeiramente democratas aos fascistas, passando por comunistas e nazistas.  Além desses, os militares tinham participação predominante e ativa no governo central.  O país saía então de um modelo fracassado de democracia, corrupto,  onde predominava o serventilismo, ou o que se pode chamar de um governo de compadrio, em que a sociedade e os brasileiros não representavam os principais interesses. A corrupção, o desmando e os interesses pessoais fomentaram  a revolução que levou Getúlio ao poder após eleição presidencial comprovadamente  falsificada.   A era Getúlio começa com um decreto que suspende a Constituição, dissolve o Congresso, as  Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais.  Destitui prefeitos, governadores e elimina as liberdades individuais e constitui um tribunal de exceção;  além do mais, aposenta de forma compulsória seis ministros do STF “ligados” ao antigo regime.   Não mais de dois anos de governo depois, mais precisamente em 25 de fevereiro de 32 o modelo típico das ditaduras se escancara com a invasão e destruição pelos militares do Diário Carioca, em plena praça Tiradentes. Esse  jornal  há pouco apoiara fortemente a deposição do governo Washington Luis. Em editoriais inflamados cobrava do atual governo a reconstitucionalização do país, visto que Getúlio governava absolutamente por decretos. As instalações do jornal foram totalmente destruídas.  Os 15 anos seguintes são em sua maioria uma continuidade ditatorial, combatendo e destruindo  ferozmente os adversários.  O país era um caldo político de inúmeras vertentes;  episódios desafiadores como a possibilidade real de uma revolução  comunista ou fascista exigiam muita habilidade do presidente , interna e internacionalmente,  Getúlio navegava entre várias correntes, contrapondo principalmente o eixo do mal como era chamada a associação da Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini ao capitalismo democrático do Estados Unidos.  Notadamente pelo evento da segunda guerra mundial Getúlio Vargas consegue, como num jogo de pôquer, ameaçando ir pra rede do mal,  investimento dos americanos para instalação no Brasil de sua primeira siderúrgica nacional. Esse episódio aproxima definitivamente o país aos Estados Unidos ao passo que o distancia do namoro com a Alemanha e principalmente a Itália fascista.  Mesmo sendo um ditador, pode-se considerar que Getúlio Vargas é um estadista de primeira grandeza. Transforma um país puramente agrícola e predominantemente  analfabeto e de uma monocultura do café numa nação mais integrada nacionalmente e de produção industrial mais diversa  com o advento da Companhia Siderúrgica Nacional.  Responsável direto pela criação das leis trabalhistas, governou de forma a valorizar as classes sociais trabalhadoras. Por isso era endeusado pelo povo. Getúlio tinha uma capacidade extraordinária de administrar conflitos e interesses diversos. Inteligente, astuto e procrastinador por excelência conseguia sempre  dar tempo ao tempo até  que as tensões, já amenas,  aliviavam a  pressão dos fortes interesses das diversas esferas de governo  até o ponto em que as soluções mais adequadas e profícuas  apareciam de forma natural.   Evidentemente com tantos interesses em jogo e o Brasil sendo ainda um país relativamente pobre, com as finanças sempre em frangalhos , os militares acabam por forçar absolutamente por interesse corporativo, o fim do governo Vargas. O fim começa com a determinação de Getúlio nomear seu irmão mais novo Benjamim Vargas para o cargo de chefe geral da policia.  Esse ato tem conotação direta com o objetivo de combate mais forte aos oposicionistas.  Os militares acabam se rebelando, cercando o palácio  e o resultado é a saída não muito honrosa de Getúlio Vargas e sua volta ao Rio Grande em novembro de 1945. Como sempre, há controvérsias, pode-se aferir que não será assim, veja o pensamento final de Getúlio Vargas, exposto a seu sobrinho que o acompanhava no voo, major Serafim Dornelles, após embarque no avião que o levaria a São Borja.  “Deves ter ouvido dizer que a política se assemelha a um jogo de xadrez. Indiscutivelmente, em alguns pontos se assemelham.  Por exemplo: eu sou uma pedra que foi movida da posição que ocupava. E eles pensam que vou permanecer aonde me colocaram.  É o grande erro deles.  Não sabem que vamos começar um novo jogo – e com todas as pedras de volta ao tabuleiro.”

 

Fernando Magalhães

Recife, 20 de maio de 2014.

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