2015 – 5º Abel Magalhães – Bem-vindo ao inferno

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Bem-vindo ao inferno

Cláudio Tognolli

Número de páginas: 405

“Vana Lopes foi uma das vítimas do médico estuprador Roger Abdelmassih. Sua busca por justiça começou em 1993 e teve diversos percalços e incidentes estranhos, como um boletim de ocorrência sumido da delegacia. A luta para localizar Abdelmassih, após ele ganhar um habeas corpus do STF e fugir do país, é um dos maiores exemplos de determinação e coragem que o Brasil já viu. Enquanto a polícia não conseguia pistas, Vana soube utilizar com maestria e criatividade as redes sociais e a mídia, para se transformar num catalizador de informantes e juntar documentos – entre movimentações financeiras e viagens – que conduziram a polícia à captura do criminoso”.

É um livro de uma beleza palpitante. A fibra da personagem principal – Vana Lopes – transforma o leitor num entusiasta para torcer por ela e revigorar sua fibra ante as dificuldades naturais que cada criatura humana enfrenta na vida.

No esplendor de sua virilidade, ela se torna empresária bem-sucedida. Consegue realizar o sonho que todo mundo deseja, casar-se com o homem da sua vida. Pelos inúmeros afazeres, deixa para mais tarde a realização complementar do sonho, o desejo de ter um filho. Combina com o marido e decidem realizar uma gravidez assistida. Procura o maior especialista da época, o dr. Roger Abdelmassih. Eis que, estava diante de um verdadeiro monstro. O profissional era tarado e costumava estuprar as suas pacientes. Com ela não foi diferente. Com o marido na antessala da clínica, ela é dopada e ele a estupra, momento em que ela se acorda e flagra a ação delituosa do monstro. Sua vida vem abaixo. Seu marido não a compreende e se separa. Foi a ruína total. Sua vida se torna um inferno e ela sofre uma montanha de consequências. Desestabiliza-se e perde tudo. Adoece, fica diabética e chega a aumentar 70 kg. Em meio ao inferno astral, ela não perde a fé. Enfrenta tudo e todos: polícia, autoridades influentes, corruptos etc. Enfrenta até um medalhão do STF que libera um habeas corpus suspeito em benefício de seu maior algoz, quando já havia sido punido com 278 anos de prisão, para facilitar eventual fuga. No auge do seu sofrimento, chega a tentar o suicídio. Depois do 12º comprimido é salva pelo telefonema de um casal amigo, que percebe a atitude estranha e chega junto. É salva por um fio. O único momento sem o ritmo alucinante da narrativa é a descrição necessária de alguns relatórios de sua investigação particular via redes sociais e mídea. Mas, de ponta a ponta, é um livro digno de ser lido por toda pessoa de bem. Um belo exemplo de dignidade.

 

Maceió, junho de 2015

Abel de Oliveira Magalhães

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