2014 – 13º Abel Magalhães – Getúlio (1945-1954) – Da volta pela consagração popular ao suicídio

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13º – Getúlio (1945-1954) – Da volta pela consagração popular ao suicídio

Autor – Lira Neto

Descrição do produto pela editora

“Na terceira e última parte da série biográfica sobre Getúlio Vargas, Lira Neto reconstitui os acontecimentos políticos e pessoais mais importantes dos anos finais do ex-presidente. Entre a deposição por um golpe militar, em outubro de 1945, e o suicídio, em agosto de 1954, o livro revela como a história do Brasil se entrançou com a vida de Getúlio, inclusive enquanto afastado do poder”.

Getúlio era um homem obstinado e vocacionado para a política. Tinha o desejo maior de transformar o país num exemplo de administração, inclusive realizando grandes conquistas para a população, principalmente no âmbito da Justiça Trabalhista. Como se transformou numa espécie de ditador durante 15 anos, foi afastado do poder pela pressão das forças oponentes. Submeteu-se a todo tipo de sacrifício, mas não conseguiu o sucesso desejado. Deposto em 1945, ele se recolheu em sua cidade natal, São Borja RS, onde procurou viver uma vida recôndita e recuperar a paz. Em vão. Pouco tempo depois, foi eleito senador e deputado federal, optando pela senatoria em favor de São Paulo. Em 1950, voltou ao cenário nacional, sendo eleito presidente da República. Na nova gestão, sua vida foi transformada numa espécie de inferno, fazendo com que não tivesse paz de espírito. Sua determinação era muito forte que se convenceu da necessidade de se submeter ao sacrifício máximo, se necessário. “Talvez só com meu sacrifício eu consiga libertar-me das mesquinharias”, escreveu em São Borja, em 1945. “Aos 63 anos, utilizava uma quantidade considerável de remédios para combater insônias, enxaquecas, indisposições estomacais, dores ósseas, incômodos renais e aflições musculares recursivas”. Era tão exigente com sua responsabilidade de chefe de governo que dizia: “Sinto que só o sacrifício da vida poderá resgatar o erro de um fracasso”. Isto sinalizava sua tendência ao gesto extremo. Em suas gavetas particulares costumava guardar dois revólveres junto ao seu emaranhado de documentos e anotações pessoais. A filha Alzira era a sua assessora especial, que estava 24 horas por dia junto a si e protegendo o pai em todos os aspectos. Getúlio registrou nos rascunhos escritos em São Borja uma nova ameaça de tirar a vida com as próprias mãos. Alegou ser lembrado como um mártir que sucumbira em defesa do povo, da pátria e das causas que defendia, a ter que passar à memória coletiva como um poltrão que recolhera as armas e baixara a cabeça aos adversários. Seu maior inimigo foi Carlos Lacerda, jornalista e dono do jornal Tribuna da Imprensa onde publicava editoriais e artigos ferozes contra o adversário Getúlio. “O sr. Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar”, escrevera Lacerda nas páginas da sua Tribuna da Imprensa. Este homem, um dia, sofre um atentado à bala. Seu amigo Major Vaz é morto e ele é ferido num pé. A culpa recaiu no inimigo Getúlio, que serviu de estopim para o gesto supremo. “Estes tiros me atingiram pelas costas”, disse Getúlio, ao saber do atentado a Carlos Lacerda (1954). “Saio da vida para entrar na história”. Com estas palavras Getúlio honrou o que sempre prometeu ao longo de toda a sua vida. O país jamais assistira a tamanha comoção popular. Quando as emissoras de rádio começaram a noticiar o suicídio de Getúlio, uma multidão acorreu ao Catete. Calcula-se que 100 mil pessoas foram se despedir do presidente morto, enquanto grupos de getulistas mais exaltados atacaram as sedes e os carros de reportagem da Tribuna da Imprensa e de O Globo. Milhares de populares foram atendidos, nesse dia, pelo posto médico do palácio, vítimas de desmaios, crises nervosas e ameaças de ataque cardíaco… “Amado e odiado com simultânea veemência, venerado e satanizado com idêntico ardor, Getúlio segue a dividir opiniões, provocar contendas, gerar reações passionais”.

Rendam-se homenagens ao autor da obra, jornalista Lira Neto, pela dedicação e zelo na realização de tamanha obra.

Abel de Oliveira Magalhães

30/09/2014

 

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