2014 – 10º Abel Magalhães – 2º volume – A ditadura escancarada

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2º volume – A ditadura escancarada

Autor: Elio Gaspari

560 páginas

Como dito no resumo anterior, o jornalista Elio Gaspari fez uma exaustiva pesquisa sobre o governo militar no Brasil e reuniu documentos até então inéditos. Relembrando: A obra está dividida em dois conjuntos: As ilusões armadas e O sacerdote e o feiticeiro. A atual edição é a de nº 2, que está densamente enriquecida com novos e inúmeros documentos, cujo trabalho e dedicação fizeram com que o autor fosse laureado com o prêmio de Ensaio, Crítica e História Literária de 2003, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Nos primeiros anos após o golpe de 1964, o governo militar ainda relutava em se assumir como uma ditadura, daí o título A ditadura envergonhada. Mas com a edição do AI-5, no final de 1968, que suspendeu direitos constitucionais, ela se revela. Em A ditadura escancarada, são reconstituídos os momentos mais tenebrosos do regime, como a prática da tortura contra os opositores do regime e a violência empregada contra os guerrilheiros do Araguaia, um dos últimos núcleos de resistência política. Em termos de governantes destacam-se os presidentes Costa e Silva e Emílio Garrastazu Médici. Os aspectos da tortura são cruéis de mais. É preciso ver para sentir a truculência da tortura e o resultado que sempre deixa sequelas terríveis. Costa e Silva é acometido de uma doença degenerativa que não consegue cumprir o seu governo como gostaria. Para esconder o seu estado precário de saúde, os militares elegem inicialmente uma junta militar até que o presidente é substituído pelo subsequente Emílio Garrastazu Médici. Entre outras vítimas da tortura, aparece lá a atual presidente Dilma Rousseff, que aos 25 anos submeteu-se ao terrível castigo. O regime tem como objetivo principal acabar com o terrorismo, culminado na guerrilha que chegou a se instalar no Araguaia, no Norte do País. Como consequência das torturas, as vítimas demonstram não ter medo de nada; parece que se dispõem cada vez mais a enfrentar o Exército. Praticam assaltos, sequestros etc. E terminam se embrenhando na floresta, pondo em prática os cursos que fazem em Cuba para ocasiões dessa natureza. É inacreditável a coragem e o despojamento de enfrentar o desconforto e sofrimento que tais expedientes provocam. Parece até que são vitaminados pela perseguição e não têm medo de nada. É o que costumamos dizer: “A violência gera violência”. Trata-se, pois, de uma excelente fonte de informações.

Maceió, 18 de agosto de 2014.

Abel de Oliveira Magalhães

 

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