2014 – 5º Abel Magalhães – A Guerra do Fim do Mundo

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“A Guerra do Fim do Mundo é considerado um raro exemplar dentro da vasta bibliografia de Mario Vargas Llosa, pois não segue o caminho traçado na maioria de suas obras. Em vez de optar por uma reunião de memórias e personagens familiarizados com sua vida pessoal, o autor mergulhou no sangrento confronto da Guerra de Canudos para tentar decifrar a verdadeira face por trás do mito chamado Antônio Conselheiro.
Em 1977, Vargas Llosa iniciou este romance, após se encantar, cinco anos antes, com a leitura de Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha, obra que registrou o conflito com detalhes minuciosos e impressionantes. Após exaustivas pesquisas em arquivos históricos e viagens pelo sertão da Bahia, em 1980, ele terminou A Guerra do Fim do Mundo, livro que atualmente é reconhecido como o seu tour de force.
Lançado originalmente em 1982, a obra é o primeiro romance que Vargas Llosa ambientou fora do Peru. Nela, o autor dá uma nova dimensão à história de Antônio Conselheiro, em que personagens de carne e osso, alguns reais, outros imaginados, empreendem uma saga sem paralelos na história do país, uma saga que engloba tudo: honra e vingança, poder e paixão, fé e loucura”. Este é o resumo da editora sobre a obra do consagrado escritor.

O autor desenvolve a sangrenta luta do fanático Antônio Conselheiro entre os seguidores do Império e os Republicanos. Ele achava que os republicanos eram os representantes do satanás em detrimento da monarquia, recentemente substituída no país. Fanático ao extremo, ele dizia sobre os seguidores da República: “O Anti-Cristo nasceu para o Brasil governar, mas aí está O Conselheiro para dele nos livrar”. Foi ele que disse que o mar viraria sertão e o sertão, mar. Admirava tanto o Império que determinou aos moradores da região que não aceitassem qualquer coisa ou dinheiro que representasse o novo sistema de governo. Só tinha valor o dinheiro do império, bem como as lembranças dos governantes e principalmente da rainha e da Princesa Isabel. Sobre o novo sistema de governo ele dizia aos seus seguidores: “O Anticristo estava no mundo e se chamava República”.

O ambiente em que a história se desenrola é muito árido. O sofrimento está por toda parte e se choca com a atualidade. Os registros de matança humana, cegueira e estúpida ignorância são de causar repugnância e mal-estar. Por conta de tal cenário é um alívio terminar o livro. É tanta crueldade que o leitor fica a imaginar que tudo não passa de ficção. É duro acreditar que algo dessa natureza tenha acontecido no sertão da Bahia. De qualquer maneira, o livro é um registro de mais uma de tantas crueldades que o nosso país atravessou e que hoje vivemos num mundo muito diferente. A mensagem tem a vantagem de trazer reflexão para nós que vivemos a realidade de hoje e que, muitas vezes não nos conformamos com as injustiças proporcionadas pelos representantes de todos os segmentos sociais do nosso país.

Maceió, 30 de abril de 2014.

Abel de Oliveira Magalhães.

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