2014 – 3º Abel Magalhães – Como ouvir e entender música

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Como ouvir e entender música

Autor: Aaron Copland

Quantidade de páginas: 200

O livro tem como objetivo “estabelecer da maneira mais clara possível os fundamentos de uma apreciação inteligente da música”. Como a própria editora diz, “não é fácil explicar”. É de bom alvitre observar que o autor do livro é um compositor. Sendo um compositor, o entendimento da obra deverá ser mais fácil e compreensível para um músico do que para um leigo. Mais difícil ainda se se tratar de teoria. Como tenho algum conhecimento de música, a tarefa ficou um pouco mais fácil. No entanto, tive uma sensação um tanto desagradável porque o assunto é teórico e se torna maçante ao longo de grande parte da leitura. Na verdade, o autor quer facilitar a compreensão da música por parte do ouvinte, num estilo que ele chama de ‘inteligente’, isto é, demonstrando as várias fases da música, fazendo com que o ouvinte penetre esse complicado universo. O próprio autor reconhece a dificuldade da abordagem do tema e pergunta: “Como abordar o assunto?” Vai mais além: “Você está ouvindo tudo o que está acontecendo? Está sendo realmente sensível?” E se lança ao desafio.

O universo é vasto. Vai de uma missa renascentista, a uma orquestra de jazz ou a uma sinfonia clássica. Tem o grande desafio de harmonizar a obra do compositor ao ouvinte, ou melhor, preparar o ouvinte para ouvir.

A confecção do livro não é nova. Originalmente ele foi escrito em 1939. E teve apenas duas edições. No Brasil ele chegou em 2013. Edição digital só em inglês. Para mim, isto revela a dificuldade que o leitor tem de entender e gostar da obra. E se ele não tiver algum conhecimento de música, certamente não vai ter condições de lê-la. Exceção a quem é dotado de muita sensibilidade para o tema, o qual deverá ser atraído para o assunto.

O livro inicia perscrutando o modo de o leitor ouvir música. Diz que a maneira mais simples é entregar-se totalmente ao próprio prazer do som. É o modo como nós ouvimos música sem pensar e sem ter consciência disso. Diz que muitas pessoas se consideram ouvintes de qualidade e abusam desse plano na sua audição. No entanto, se o ouvinte se aprofundar no universo do conhecimento da música, ela passará a ter um valor bem melhor e mais amplo. Transforma-se em algo como um sonho, permitindo uma realização como tal.

Aborda o processo criador na música. Fala sobre os mistérios da composição e o problema da inspiração. Analisa os ângulos concernentes. Lembra que, para os compositores, compor é semelhante a outras funções naturais, como comer ou dormir. Só que, o compositor enfrenta os elementos da música, que são: o ritmo, a melodia, a harmonia e o timbre, ou colorido tonal. E aí começa a complicação. Para o leigo, esses elementos não têm importância, pois, raramente temos consciência de ouvir algum deles separadamente. Para o leitor, o que importa é o seu estado de espírito – gostar ou não da música que está sendo reproduzida. E analisa o ritmo. Em seguida, passa para a melodia e suas particularidades. Melodia sem ritmo fica sem sentido. Começa a falar de escalas. Há quatro sistemas principais de construção de escalas: oriental, grego, eclesiástico e moderno. Esses sistemas são baseados em um determinado número de notas escolhidas entre um tom determinado e a sua oitava. Essa oitava está dividida em doze tons iguais, chamados semitons e esses formando a escala cromática. Mas a nossa música não se baseia nessa escala e sim em sete tons extraídos do doze semitons e dispostos na seguinte ordem: dois tons inteiros, seguido de um semitom, mais três tons inteiros, seguidos de um semitom. Para entender como isso soa, cante dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó, que aprendeu na escola. (é o meu limite). Fico a imaginar como isso soa na mente de quem nunca estudou música. É complicado.

O livro fala em harmonia, timbre, que é o colorido tonal. É a qualidade do som produzido por um determinado instrumento. O colorido tonal é o resultado do conjunto de vozes e instrumentos executando uma música – clássica ou popular – em toda sua grandeza.

Textura musical, que é a monofônica, homofônica e polifônica. Na monofonia o melhor da música é o canto gregoriano. É um gênero consagrado ao ouvido mais sensível. A textura homofônica consiste de uma melodia principal e de um acompanhamento em acordes. Por si só encerra um recurso grandioso. Por fim a terceira espécie de textura musical, a polifônica. Esta exige mais atenção do ouvinte, porque se move em planos melódicos separados e independentes que, ao se cruzarem, formam harmonias. É o recurso constituído de uma música escrita em quatro, cinco, seis ou oito vozes independentes. É o chamado coral, que envolve os citados grupos de vozes.

O livro fala de Formas fundamentais: A variação; A Fuga; O Concerto grosso; A Sonata; A Sinfonia; As Formas livres; Drama musical e ópera; Música contemporânea; Música de filme (interessante registro sobre o tema); Compositor, intérprete e ouvinte, que implica três fatores: um compositor, um intérprete e um ouvinte. Eles formam um triunvirato, em que nenhuma parte está completa sem a outra. A música começa no compositor, passa pelo intérprete e termina com o ouvinte. Sinaliza que tudo na música está dirigido ao ouvinte. Significa dizer que, para ouvir com inteligência, o ouvinte deve entender claramente não só o seu próprio papel, mas também o do compositor e o do intérprete, e entender de que maneira cada um deles contribui para o conjunto total de uma experiência musical.

Verdade verdadeira.

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