2014 – 2º Abel Magalhães – Getúlio (1930-1945) – Do governo provisório à ditadura do Estado Novo.

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2º – Getúlio (1930-1945) – Do governo provisório à ditadura do Estado Novo.

Autor: Lira Neto.

Páginas: 683

Descrição do produto

“Nesta segunda parte da grandiosa trilogia biográfica de Getúlio Vargas, Lira Neto reconstitui a trajetória do político gaúcho entre o momento de consolidação do poder após a Revolução de 1930 e o golpe militar que encerrou o Estado Novo em 1945. O autor constrói um painel que mescla com grande habilidade narrativa as vidas pública e privada de Getúlio ao longo desses quinze anos, marcados por acontecimentos dramáticos no Brasil e no mundo”

O parágrafo acima reflete o pensamento da editora. Como se vê, foram 15 anos de governo provisório e ditadura, uma vez que Getúlio assumiu o governo em 1930 de maneira provisória, quando as forças militares derrubaram o governo da época – Washington Luis. Getúlio assumiu de maneira provisória. Pelo visto gostou e foi prorrogando a legitimação do governo, até que em 1945 ele foi derrubado através de um golpe militar. Nesses quinze anos de Estado Novo, aconteceu de tudo. O livro mostra ensinamentos como jogo de interesse que envolve o presidente e seus subordinados, principalmente quando de um golpe de estado e se transforma em governo provisório. As oscilações da economia na época por causa do Crash ocorrido em Wall Street e a crise do café refletiram muito no governo. Em função do tipo provisório, foram nomeados interventores a granel. Assim, o Brasil passa a ser administrado por interventores. O Estado que mais teve interventores foi São Paulo, pela sua pujança. A vida de ditador não é fácil. Sem segurança com as reações dos interventores, Getúlio vivia preocupado com tudo. Numa rebelião em São Paulo ele sentiu a preocupação de o movimento se estender até o Rio de Janeiro e ele ser obrigado a renunciar. Sentenciou para Oswaldo Aranha, seu principal ministro: “Resistência até o fim”. Numa gaveta de seu birô, sobre uma pilha de papéis avulsos, dois revólveres estavam prontos

para qualquer eventualidade. Chamamento a suicídio? A tendência foi repetida várias vezes. Ele era muito fatalista. ”Sinto que só o sacrifício da vida poderá resgatar o erro de um fracasso”. Dentre seus feitos positivos, foi o grande precursor das leis trabalhistas. No seu governo (autoritário) ele instituiu o voto secreto, com a cabine eleitoral, bem como o direito das mulheres votarem (com algumas restrições). Getúlio lia muito. Era um devorador de livros. Também tinha um gosto apurado para música. Ouvia muito clássico. Nos momentos íntimos, confeccionava o seu diário. Naquela época, o dinheiro não dava para nada (também). Todos os segmentos pediam aumento. Ele se via aperreado. Outra coisa que existia muito era a chamada tortura. Para se arrancar uma confissão, fazia-se tortura. Como consequência, muitos torturados eram obrigados a dizer o que não sabiam ou não tinham feito. Note-se que isto foi um recurso bastante utilizado pelo regime de exceção que o Brasil teve nos anos sessenta. Um detalhe bastante interessante na vida de Getúlio foi o seu relacionamento extraconjugal com a doce e incomparável Aimêe, esposa de um grande amigo, a quem prestigiou com um cargo de grande confiança no seu governo. Desafios imensos foram enfrentados com a influência nociva de Hitler e Mussolini. Para isto houve a atuação do Integralismo e a tentativa de criação de um estado alemão no Sul do Brasil, envolvendo três Estados, a exemplo do que ocorreu na Áustria e Tchecoslováquia. A ideia era criar uma célula com influência alemã na região e depois exigir a sua independência. Os riscos de o Brasil entrar na 2ª Guerra Mundial por causa de Hitler e de Mussolini foram muito grandes. Como o Brasil não aceitou o intento, as forças navais alemãs torpedearam inúmeros navios brasileiros, a pretexto de o Brasil estar dando apoio aos Estados Unidos. O motivo maior foi não ter se aliado à Alemanha. Trata-se, pois, de um excelente livro, em que o leitor se sente motivado a lê-lo de um fôlego.

Agora, vou partir para o último livro da trilogia, aquele que culmina com o seu suicídio.

Maceió, 06 de fevereiro de 2014.

Abel de Oliveira Magalhães.

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