2012 – 10º Abel Magalhães – Memórias de uma educadora

0
508

Memórias de uma educadora

Autora: Lisette Oliveira de França

Identificação – Lisette nasceu na cidade de Penedo (AL), no dia 25.05.1931. Casou com Neusvaldo Correia de França, arapiraquense.

Prole – 5 filhos, 12 netos e 2 bisnetos.

Estudos – Em Penedo: Grupo Escolar Gabino Besouro; Colégio Imaculada Conceição; Escola Normal Rural de Penedo. Fez o curso Pedagógico no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, de Arapiraca; Licenciatura de 1º Grau em Letras pela Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca, na 2ª Turma concluinte e outros.

Atividades profissionais – iniciou aos 18 anos de idade como professora primária do Colégio Diocesano de Penedo. Depois de dois anos, foi nomeada para a cidade de Traipu (AL) em 1952, daí retornando para a cidade natal em 1955, onde voltou a lecionar no Grupo Escolar Gabino Besouro. Em 1961 foi transferida para Arapiraca, como diretora da citada escola, após o casamento.  Em 1966 foi nomeada professora de música na escola José Quintella Cavalcante, originalmente Escola Normal de Arapiraca. Ao terminar Licenciatura em Letras, optou pela Cadeira de Francês, sem no entanto deixar de colaborar. Foi Diretora Adjunta da Escola anexa Ao Quintella, de nome prof. Pedro de França Reis, Coordenadora de Área e Orientadora Educacional. Foi Diretora Adjunta do Grupo Escolar Adriano Jorge de 1981 a 1986 e aos 35 anos de trabalho, se aposentou. Em seguida, com mais 3 colegas fundou a Escola Nossa Senhora Rosa Mística, onde permaneceu durante 3 anos. De 1954 a 1981, fez vários cursos de aperfeiçoamento, em Maceió e Arapiraca: Criatividade e Comunicação; Aperfeiçoamento em Língua Francesa; Aperfeiçoamento para Professores; Aperfeiçoamento para Pessoal Docente, Técnico e Administrativo; Saúde Mental para a Comunidade; Redação Criativa; Teoria Musical no Conservatório de Música de Alagoas, entre outros.

Títulos – Da Câmara Júnior recebeu dois títulos da festa das Personalidades : Título do Saber, 1972 e Aluno do Ano em 1975. Em 1999, recebeu homenagem da Câmara de Vereadores de Arapiraca no dia Internacional da Mulher. Na Crônica Social foi premiada como Mulher Destaque (1995); Mulher de Negócio (1997); Personalidade de Ouro (1998 e 1999).

Realizações – Sócia fundadora da Casa da Amizade de Arapiraca (ligada ao Rotary), sendo sua 2ª Presidente; Casa das Voluntárias da Caridade (ligada ao Lions); Clube da Melhor Idade (Idade Dourada), sendo Vice-Presidente, Secretária e sua 3ª Presidente. Participou de movimentos religiosos: Ação Católica, Cursilho de Cristandade e Movimento Apostólico de Schoenstatt, onde é Missionária e Secretária.

Dedicatória – A dedicatória do livro revela seu estado de espírito religioso. Agradece a Deus por sua existência; homenageia a memória dos pais, a quem reconhece a força e exemplos de dedicação, amor e honestidade; realça a riqueza do esposo e dos filhos pela felicidade que lhe proporcionam; lembra os genros, noras e netos, pelo respeito, consideração e carinho; finalmente aos parentes e amigos que incentivaram na concretização da obra, especialmente Lourinete, Mércia Maria e José Guilherme.

Apresentação – A responsabilidade recaiu nos ombros do querido professor Erasmo Soares, um homem de bem e querido na sociedade arapiraquense. Ele inicia o seu comentário comparando o nascimento de cada livro novo com as pétalas das flores que desabrocham no jardim da cultura. Discorre sobre a autora e suas origens. Diz que o seu exemplo pereniza nas mentes dos alunos, pela seriedade e competência da autora na arte de educar. Lembra a virtual coincidência de que o livro da Professora Lisette nasce no momento em que o Ministério da Educação faz um veemente apelo público aos jovens para se tornarem professores. Realça que o citado chamamento sugere o resgate da valorização do professor em detrimento do receio da extinção da categoria. E lembra a máxima do Direito de “conceder a cada um o que lhe pertence”, elemento vivo no estilo peculiar da escritora. Deduz que “a sociedade continua em débito com o profissional da educação. E conclui: “’Memórias de uma educadora’ é um livro que deve ser lido por quantos entendem que educação é o único motor de desenvolvimento com o progresso de qualquer país”.

Introdução – A autora realçou aspectos pessoais para justificar a confecção da obra. O que mais admira é a sua simplicidade, bem como a pureza de sua contribuição aos familiares e amigos em geral. Diz que sempre gostou de escrever, fazer anotações e coletar dados. Com humildade registra: “coisa de professora vocacionada”. Tudo o que acha ser útil, anota e guarda. Recolhendo as anotações, sentiu a necessidade de ‘reunir tudo num singelo trabalho, que servisse de subsídio às novas gerações’, inclusive pensando em muitos jovens, curiosos com o passado. Estimulada pela vocação de escrever eincentivada pela motivação dos familiares e amigos, lançou mão dos elementos que organizou durante toda sua vida profissional. O resultado? Este pequeno/grande livro de grande valor, que deverá ser elevado à categoria que merece no concerto das pessoas que sabem admirar e valorizar o que é importante. Pena que a realização da obra só veio acontecer agora, após os 80 anos de idade. Pelo jeito gostoso de escrever, deveria ter começado a fazê-lo bem antes. A autora e os seus inúmeros leitores teriam lucrado muito mais. Na confecção do livro em comento, ela deixou de explorar temas muito interessantes, os quais teriam enriquecido a obra e o público-alvo, que teria adquirido maiores conhecimentos. Por exemplo, ela deixou de explorar o filão do seu tempo de namoro e casamento com o senhor Neusvaldo Correia de França. Naquela época, o estilo era bem diferente. Havia muito respeito e cuidado, porém havia muito romantismo, luares, coisa bem diferente de hoje.  De qualquer maneira, quem sabe se não vem mais coisa por aí! Quem escreve o primeiro, sempre escreve o segundo, o terceiro e por aí vai. Torço para que seja lançado algum outro livro proximamente. E ela se despede com a expressão: “Espero que a leitura destes rabiscos não seja cansativa e enfadonha àqueles que se dispuserem a conhecê-los algum dia”.

Primeiros registros – Nascida em Penedo, aí passou grande parte de sua infância. Filha mais velha, muito bonita, sempre foi paparicada pelo pai. Com um aninho, foi batizada com pompas e circunstâncias. Seguiu caminhando e chamando a atenção de todos. Foi um batizado muito bonito e solene. Enquanto isto, o sino da Igreja repicava festivamente. Na hora do sal, chamou o Padre de ‘burro’. Todos sorriram a granel. Diz que a festa foi maior do que a de seu casamento e formatura.

Infância e pré-adolescência – O grande barato foi o Teatro Sete de Setembro, em Penedo, onde havia um cinema e costumava frequentá-lo sempre aos domingos. A burguesia frequentava assiduamente.

Primeiras escolas – A primeira escola frequentada foi a da d. Sinhazinha, em Traipu, onde a família passou pequeno período e aproveitou a escola.O pré-primário foi feito em Penedo, no Grupo escolar Gabino Besouro. A partir do 3º ano, a família se transferiu para Traipu. D. Lisette sempre gostou de estudar. Sempre foi dedicada aos estudos. Os pais tinham orgulho disto. Em Traipu, passava férias e assistia a festa da padroeira, Nª Sª do Ó, e realçava sua beleza com vestidos bonitos que chamavam a atenção. Cada noite era um vestido novo.

A grande transformação – Seu pai morreu no dia 29 de julho de 1945 e deixou sua mãe com sete filhos para criar, sendo um casal de gêmeos, que nasceram 32 dias após o citado falecimento.  A família ficou muito abalada. A mãe, sem experiência, ficou com a responsabilidade de criar e educar sete filhos e morando em Traipu.  Aconselhada pelos cunhados, a família voltou para Penedo. Diante da situação, a autora sentiu necessidade de trabalhar e ganhar o seu dinheirinho. Também não queria sacrificar sua mãe, se fosse completar os estudos em Maceió. Fez outro Exame de Admissão para um Colégio do Estado, a Escola Normal Rural de Penedo. Sua mãe concordou porque, daí a quatro anos, estaria com um diploma de Professora e já poderia trabalhar para ajudá-la. Com muita dificuldade, foi bem-sucedida. Toda e qualquer conquista agradecia a Deus em nome do que chamava ‘dons recebidos’.

A Professora – Finalmente, transformou-se em professora, seu grande ideal. Começou no Colégio Diocesano de Penedo. O seu primeiro trabalho entendeu como dádiva divina. Poucos meses após a formatura, foi convidada a trabalhar como professora da turma do 3º ano, no Colégio Diocesano.

A Arapiraca que conheceu – Apesar do seu amor por Penedo, sua terra natal, viveu menos tempo lá do que em Arapiraca. É que se casou aos 28 anos com um arapiraquense, com quem teve 5 filhos e continua morando até hoje. Viveu muita coisa boa na Capital do Agreste. São mais de 40 anos. E se diz ‘arapiraquense de coração’.

Fato interessante – A autora visitou Arapiraca pela primeira vez em 1944. Seu tio Luis Duarte, que residia na cidade, convidou sua avó e sua mãe com os filhos para conhecerem sua propriedade em Lagoa da Canoa. Ele estava tão apaixonado pelas terras, que queria mostrar à sua mãe e sua irmã. Todos viajaram em dois carros de bois. Os adolescentes vibraram com o passeio que, mesmo doloroso, valeu a pena. Era tudo novidade! Quanta alegria! Tentando agradar a todos, o tio foi até Arapiraca, para que todos conhecessem a nova cidade. A acolhida foi tão boa que, sempre que possível, voltavam à cidade. Foi numa dessas viagens que a nossa autora conheceu o jovem Neusvaldo, que logo a atraiu, pelo jeito simples e amável. Neusvaldo sempre encontrava tempo para tirar mangas no sítio para oferecer à jovem princesa. Ele era uma gracinha, diz ela. Depois que começou a trabalhar, a autora sempre passava férias em Arapiraca. E assim, foi se apegando à cidade porque, além da acolhida dos amigos, atendia as exigências de sua mãe, que não abria mão dos cuidados com os filhos.

Coisas da cidade – Em suas viagens à Arapiraca, passou a observar e conhecer o seu dia a dia – as coisas bonitas e as tristes. Conheceu o grupo escolar “Adriano Jorge”; o Instituto São Luis; o “Aurino Maciel”; o Colégio Bom Conselho etc. A cidade ainda era pequena. Seus logradouros principais: Av. Rio Branco, Praça Gabino Besouro (hoje, Marques da Silva), Rua São Francisco, Rua do Comércio, Rua Lúcio Robert etc. O cemitério era no centro da cidade (Concatedral).

Casamento – Em 16 de janeiro de 1959, o Padre Florisval Lúcio Pereira, primo de Neusvaldo, realizou o enlace matrimonial da autora, na Catedral de Penedo, onde se batizou.

As festas de Arapiraca – Nas férias de final de ano, nossa protagonista deslocava-se para Arapiraca, onde havia muita festa para alegrar a turma. Natal no centro da cidade, na Praça Marques da Silva; Ano Novo, no Alto do Cruzeiro; Festa de Reis, nas Cacimbas. A festa da padroeira era na Praça Manoel André, que ficava totalmente ocupada com parques de diversão, barracas diversas, jogos etc. bem como Serviço de auto falante transmitindo mensagens e músicas românticas, fazendo muita animação. Era muita luz e muita alegria. Com o progresso, hoje não existe mais quase nada. Ela lembra a Fonte Sonora da Praça Marques; do Cine Trianon; do Serviço de Auto Falante do Zé de Sá; e até a Sorveteria Pinguim. Tudo isto favorecia as paqueras. Por essas e outras, a nossa protagonista se apaixonou por Arapiraca. Lamenta o descaso do poder público que não soube conservar patrimônio com a Fonte Luminosa, cartão de visita da cidade.

Arapiraca de Manoel André – “Entrei oficialmente nas terras de Manoel André pela porta do Grupo Escolar Adriano Jorge”, afirma d. Lisette, de que foi Diretora. Sua vida foi toda dedicada à educação. Lecionou e dirigiu várias escolas por onde passou. Em Arapiraca foi o seu ponto forte. Além da educação, ela se dedicou às atividades culturais, como São João, Desfiles, Primeira Eucaristia etc. Com espírito de liderança, convocava as colegas e realizavam grandes festas.

A chegada dos filhos – Fortes emoções nossa protagonista viveu com a chegada dos filhos. O primeiro veio no dia 16 de outubro de 1959. Foi uma experiência difícil. Passadas as dificuldades, a emoção sentida foi tão forte que ela não sabe explicar. Diz que foi indescritível. O rebento recebeu o nome de Carlos Eugênio. Três anos depois, veio o segundo: Celso Gustavo, no dia 23 de maio de 1962. A preparação para a chegada deste foi melhor. Dois anos depois, veio o terceiro: Cláudio Valério. Pesando 4,6 kg, foi muito difícil, mas a mãe babava de alegria, esquecendo o sofrimento que passou. Com seis meses, foi obrigada a deixar o filho com familiares para cuidar do Celso Gustavo, que adoecera, sendo preciso levá-lo para Maceió, onde passou 40 dias para se recuperar. O quarto filho foi uma menina, uma boneca linda, que recebera o nome de Cássia Maria, em homenagem à Mãe de Jesus. Isto foi em 18 de novembro de 1965. Diz a mãe que ela foi tão ligeirinha que não esperou nem o médico. A surpresa foi enorme, pois naquela época não havia ultrassonografia. E ela vinha de três filhos do sexo masculino. Por fim, vem a mais nova, a Cinthia, após cinco anos do nascimento da Cássia. Diz a mãe: “outro presente do Pai do Céu”. E afirma: “Meus cinco filhos são um presente que Deus me deu, para alegria de todos nós”. Detalhe: Todos os nomes começam com a letra ‘C’, e todos foram cuidadosamente estudados e pesquisados, para dar um cunho mais importante a cada um.

Professora de Música – Além das atividades como docente normal, a autora teve uma surpresa no gênero. Diante de determinada dificuldade para a ocupação de uma Cadeira de Música por parte da autoridade constituída, foi chamada para uma conversa sobre o assunto. Ele foi informado que Lisette sabia música. “Eu tinha estudado com meu bisavô, que me fez tocar bandolim, em Traipu”. Ela foi destaque porque sabia ‘solfejar’ e as notas eram ótimas. “Ninguém me acompanhava, porque solfejar requeria muito treino . E eu o tinha”. Ela foi aproveitada.

Personalidade do Ano – Dos inúmeros títulos que recebera em recompensa pela sua dedicação e competência, um constituiu uma surpresa muito grande para este comentarista. Trata-se do título Aluno do Ano, outorgado pela Câmara Júnior de Arapiraca, na Festa das Personalidades de 1975. Diz ela: “A carta que recebi do Secretário daquele clube, Abel Magalhães,foi tão gratificante que esqueci tudo o que passei na Festa de Formatura – cansaço, desgosto, decepção etc. Fiquei tão emocionada com a carta que a deixo registrada nestas páginas… (Fac-símile reproduzido na página 90. Presidente, Dimas Pinto de Sousa; Secretário, Abel de Oliveira Magalhães). Confesso que fui apanhado de surpresa. Quando vi o documento confeccionado e assinado por mim, tive uma grande alegria. Que bom!!!!!!!

Conclusão – A folha de serviços prestada pela autora do livro é tão grande que seria cansativo continuar detalhando o assunto. Ao ensejo, quero parabenizá-la pela grande obra e dizer da minha alegria em tomar conhecimento de tudo o que ela fez. Sem o livro, o conteúdo seria esquecido e ninguém iria dar o devido valor. Agradeço o carinho da lembrança e parabéns pela grande obra. Que Deus continue cobrindo Lisette e sua família de todas as bênçãos, para felicidade de todos nós.

Atenciosamente,

Abel de Oliveira Magalhães.

Compartilhar

DEIXE UMA RESPOSTA

*