2012 – 9º Abel Magalhães – Sobre a China

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Sobre a China

Autor: Henry Kissinger

Resenha:

Gosta-se do livro a partir da ‘orelha’. As informações contidas são da mais alta qualidade. Ninguém deixa de ler a contracapa, onde estão depoimentos de suma valia sobre a obra. Da mesma forma, segue-se o prefácio, o prólogo etc.

Tudo começou no governo do Presidente Richard Nixon, dos EUA, nos idos de 70, que designou o Secretário de Estado Kissinger a ir à China, tentar restabelecer a ligação com o país mais importante da Ásia, cujas ralações estavam desgastadas há mais de vinte anos. Eram os reflexos da Guerra do Vietnã e Guerra Fria, bem como a desconfiança da China com sua aliada, Moscou. O ambiente mundial respirava insegurança e ausência de paz. Kissinger encarnava o elemento-chave nessa peleja. Por conta disso, viajou mais de cinquenta vezes ao citado país, a fim de cumprir a sua missão. Entre outras coisas, teve como resultado a admiração ao povo chinês e seus costumes. Construiu uma obra admirável e mostrou ‘uma sensata e elegante visão da nova superpotência mundial’. Reflete, também, sobre as consequências do seu crescimento acelerado para a balança de poder no século XXI. A obra aparenta ser uma construção de alto nível, a julgar pelo discernimento do autor, suas colocações, a indispensável utilização de termos especiais, cujo significado demanda consultas a dicionários (vide listagem abaixo de alguns dos citados termos).

Objetivo do livro: Tentativa de construção da paz no mundo, principalmente nos Estados Unidos, ante a visão discordante das potências em questão.

O autor foi o enviado especial do governo Americano Richard Nixon a Pequim, para restabelecer a ligação entre os dois países, depois de 20 anos de dificuldades. Por conta disto, o autor esteve na China mais de cinquenta vezes.

Grafias chinesas – A dificuldade do idioma chinês é uma barreira considerável. Por isto, o livro faz referência frequente a nomes e termos chineses, advindo daí palavras como ‘transliteração’, que consiste em representar caracteres de uma escrita pelos de outra.

O capítulo um desenvolve o estudo da origem e domínio da China. Pela sua característica cultural, sempre se achou o centro do mundo, assim denominado O Império do Meio, sem desconhecer as diferentes sociedades em torno de suas fronteiras (Coréia, Vietnã, Tailândia e Burma). A China não desenvolveu mito cósmico, isto em relação à Religião. Confúcio foi o grande líder espiritual do país (551-479 a.C.). Ele desenvolvia o cultivo da harmonia social. ‘Confúcio não pregava nenhuma teleologia da história conduzindo a humanidade à redenção pessoal. Sua filosofia buscava a redenção do Estado mediante o comportamento individual correto. Seu pensamento afirmava um código de conduta social, não um caminho para a vida após a morte’. Na China não há grandes catedrais.

Com sua missão, Kissinger ajudou a moldar as relações modernas da China com o Ocidente. Explorou os relatos históricos e lançou mão de suas conversas com os principais líderes chineses ao longo dos últimos quarenta anos; examinou e abordou a diplomacia; a estratégia e a negociação da sua história; refletiu sobre as consequências do crescimento acelerado da região para a balança de poder no século XXI. Explorou a ligação chinesa com o passado e os princípios clássicos na formação de sua identidade e visão de mundo, daí porque a necessidade para se entender o seu futuro papel no mundo, que deve começar com a apreciação de sua longa história. O autor examinou episódios-chave na política externa chinesa, desde a era clássica até os dias atuais; a formação e o colapso da aliança sino-soviética, a Guerra da Coréia, a histórica viagem de Nixon a Pequim e as reformas implementadas por Deng Xiaoping, que levaram ao surgimento de uma nova potência econômica, passando por líderes como Mao e Zhou Enlai, revelando como suas visões moldaram o destino da China moderna. Com a competência de um dos mais importantes personagens da história, Henry Kissinger construiu uma das mais importantes obras sobre a política internacional chinesa, conferindo-lhe o grau de um dos mais importantes estadistas do século XX.

Desta forma, o livro Sobre a China se revela uma obra de suma importância para o entendimento do valor da Diplomacia na abordagem de temas infinitamente difíceis nas relações humanas com ingredientes tão distintos como os interesses de grandes potências como Estados Unidos, China e a ex-União Soviética. Um belo livro.

Listagem de alguns termos utilizados no livro e desconhecidos para este leitor:

Ominoso – Nefasto, abominável, execrável, detestável etc. Reprodução de frase: “…e o panorama ominoso da Guerra Fria”.

Pragmatismo – Doutrina filosófica que adota como critério de verdade a utilidade prática, identificando o verdadeiro como útil; senso prático. Frase o do livro: “Este livro é um esforço … de explicar o modo conceitual como os chineses pensam sobre os problemas da paz e guerra e da ordem internacional e sua relação com a abordagem americana mais pragmática e pontual”.

Transliteração -Consiste em representar caracteres de uma escrita pelos de outra, a operação sendo reversível.

Subjacente – Quando está debaixo de outro; que não se manifesta claramente.

Seminal – Inaugural, inicial, inspirador, primeiro.

Teleologia – Estuda os fins últimos da sociedade.

Kowtow – Ato de ajoelhar e tocar a testa no chão em sinal de respeito.

Suserania – Domínio territorial de um susera, ou seja, rei. Os vassalos deviam respeito e obediência ao seu suserano.

Metafísica – Conhecimento além da matéria.

Sinizado – Chinizado; referência à China.

Epigramático – Em forma de epigrama, qualquer composição poética de curtas dimensões.

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