2012 – 1º Abel Magalhães – Steve Jobs

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Steve Jobs – Sinopse (Fev/2012)

Acabei de ler a biografia de Steve Jobs, um livro de 600 páginas, autoria de Isaac(?).“Ao nascer, foi entregue para adoção por sua mãe solteira” – começa assim o comentário inserido na orelha do livro. Sinaliza que sua infância poderia não ser das melhores. E que sua vida poderia ser tumultuada. Foi o que aconteceu. Aos 15 anos teve o seu primeiro emprego – na HP. Comprou um carro velho, fumou maconha e foi morar com a namorada. Desse relacionamento nasceu uma garota, que foi abandonada, gerando os mesmos problemas do ‘pecado original’.

Seu estilo era muito forte e contraditório. Era indisciplinado e moleque. Muito voluntarioso. Apesar de tudo, demonstrava ser muito inteligente e corajoso.

Aos 19 anos, descalço, vegetariano radical, consumidor de LSD, deixou a faculdade e arranjou emprego na Atari, onde quase ninguém agüentava a sua arrogância e seu mau cheiro. Não tomava banho e suas roupas exalavam mau cheiro. Tratava as pessoas com arrogância, mas com muita determinação. Jamais se dobrava às dificuldades enfrentadas.

Um dia, cismou e fez uma peregrinação à India, onde passou sete meses. Praticou o Zen-budismo. Aos 20 anos, associou-se a um amigo e fundou uma firma de nome Apple. Aos 25, já era milionário. Aos 30, foi expulso de sua própria empresa. Doze anos depois, voltou para salvá-la da falência e transformá-la na mais valiosa empresa do mundo.

Para alcançar esta posição teve atitudes aparentemente incoerentes em relação ao que se espera de um empresário bem-sucedido. Tratava as pessoas com muito desdém. Exigente, sempre condenava o resultado da dedicação de seus subordinados ou amigos influentes na confecção dos softwares ou hardwares na busca da perfeição. Não tinha medo das consequências de suas atitudes. As mais das vezes fora bem-sucedido. Tratava o presidente Obama de você. E reclamava porque ele não dispensava maior atenção quando de seus encontros. Chegou a dizer cara a cara que o presidente era fraco, porque não tinha coragem de dar um não aos seus interlocutores com a veemência esperada. Disse que a crise no Oriente Médio era culpa do presidente.

Refletindo nessas atitudes esquisitas, podemos chegar a alguma conclusão importante. Ele era vitorioso porque era autêntico; não tinha medo de nada; tratava a todos da mesma maneira sendo fiel à sua verdade, sem o que, estaria perdido. Parecia um predestinado. Note-se que há pessoas de todos os tipos. No nosso crivo, julgamos ao nosso talante. E indagamos: Como é que fulano, que é tão bom, sofre tanto e tudo dá errado? Como é que sicrano, que é tão ruim, parece que nasceu com a bunda voltada para a lua e tudo dá certo? Não dá para entender. Nas atitudes de Steve Jobs, uma luz aparece no fim do túnel. Todos nós temos os nossos méritos e nossas limitações. Às vezes desejaríamos ser A ou B por causa de sua posição social. Dependendo de nossa autenticidade, o sucesso surgirá na sua verdadeira proporção – cada um no seu quadrado.

Voltando ao foco, este registro dá a impressão que tudo na vida de Jobs foi muito fácil.  Não foi. “Era dotado de muitas qualidades e defeitos”. Tornou-se ídolo dos amantes da tecnologia avançada. Mas, para alcançar este patamar, enfrentou muitos desafios, os mais difíceis e era de uma determinação inacreditável. Apesar dos paradoxos, tinha obsessão pelo controle de tudo a seu redor. Sua biografia é um retrato vivo e completo desse cidadão, às vezes glorioso, às vezes amargo, objetivando evitar o que os seus amigos chamavam de ‘campo de distorção da realidade’, ou seja, sua tendência a mentir em relação ao julgamento que fazia dos trabalhos técnicos de seus subordinados, isto é, mesmo sendo bons, ele dizia: “Está uma merda”. O livro mostra os altos e baixos da vida desse homem e sua personalidade intensa e abrasadora. Era um empreendedor criativo em busca da perfeição. Seu ímpeto feroz revolucionou seis indústrias de alto coturno: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital. O seu sucesso, no entanto, não impediu que ele sofresse o pior revés de sua vida. Morreu novo, com um câncer que ele próprio desdenhou.

A história de sua vida serve ao mesmo tempo como lição e advertência, onde não faltam inovação, talento, ousadia e liderança.

Abel Magalhães. (Fev/2012)

 

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