Fernando para Cláudio

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Governo quer criar camarão no semi-árido

01/04/03

 

São Paulo (AE) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer dar uma interpretação literal à frase dita por ele no

ato de lançamento do Fome Zero, de que o programa vai “dar o peixe e ensinar a pescar”. A secretaria especial

da Aqüicultura e Pesca está finalizando um projeto de criação de plantas e animais aquáticos em municípios do

semi-árido nordestino, em parceria com Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

O projeto prevê inclusive a criação de camarão nas águas salobras que brotam do solo semi-árido.

Nesta terça-feira, o secretário especial de Aqüicultura e Pesca, José Fritsch, irá apresentar as linhas gerais do

programa ao ministro Extraordinário de Segurança Alimentar, José Graziano, para que as ações sejam

coordenadas com o Fome Zero. “É um projeto de segurança alimentar que visa gerar uma fonte de proteína

animal para as famílias do nordeste”, explicou. “A prioridade é o cultivo para o auto-sustento, mas a idéia é criar

condições para que a pesca se transforme em uma atividade geradora de renda.”

 

O programa deverá estar formatado dentro de no máximo 60 dias. Um dos projetos pilotos, cuja implementação

depende ainda de um estudo de viabilidade, prevê a ampliação de uma experiência de piscicultura em água

salobra que está sendo desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de criação de

Tilápia Rosa e de uma espécie exótica de camarão branco do Pacífico.

 

Cálculos da Secretaria da Pesca mostram que existem aproximadamente 2,5 milhões de pessoas vivendo

próximas de alguma fonte de água com potencial para ser explorada. A abrangência do programa ainda não está

definida, mas trata-se do principal projeto da nova secretaria. A meta de Fritsch é gerar, em quatro anos, 500 mil

novos empregos, diretos e indiretos.

 

A criação da camarão em cativeiro já é sucesso em estados com o Rio Grande do Norte e Ceará, onde a

produção e a exportação do produto cresceram a ritmo geométrico nos últimos cinco anos.

 

 

 

 

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Ricardo Trigueiro

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