Lurdinha – A Bioquímica do Estresse

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A Bioquímica do Estresse

Lourdinha

O termo ‘stress’, incorporado ao português como estresse, inclui no conceito médico qualquer tipo de dano ao organismo: uma contusão dolorosa, um osso quebrado, hemorragia, estado de pânico, etc. No entanto, quando nos referimos ao estresse, estamos mais acostumados a relacionar tal palavra a um desgaste de origem emocional.

Esta situação, quando é vivenciada por longos períodos, traz conseqüências físicas marcantes para o organismo.

No estresse, o organismo lança mão de uma quantidade maior do hormônio cortisol (ou hidrocortisona) – substância que produzimos normalmente. Em conjunto com outro hormônio chamado Adrenalina (sempre citada quando o assunto é esportes radicais, grandes emoções) prepara o organismo para enfrentar situações-limite. Como essas coisas não devam ser corriqueiras, o aumento do cortisol também deve ser transitório, retornando aos níveis normais assim que aquele momento estiver superado.

Mas, se vivemos sempre sob tensão, angústia, raiva, medo, etc, acabamos por manter os níveis de cortisol anormalmente elevados por períodos longos demais (semanas, meses, anos) e aí o ‘bicho pega’.

Para enfrentar o prejuízo orgânico, precisamos de mais combustível para nossas células e um dos principais combustíveis é a glicose que, junto com o oxigênio, faz funcionar nossos ‘motores’.

Com mais cortisol, mais glicose no sangue – se esta condição se prolongar, eis aí a hiperglicemia, levando a um quadro diabético.

E não é só a glicose que é mobilizada: as gorduras e proteínas também são deslocadas de seus locais de reserva. As proteínas, por exemplo, são retiradas dos músculos, pois é neles que elas estão em maiores quantidades. Sabe o que isto significa? Significa enfraquecimento dos músculos e outras estruturas como os tendões; os ossos também são prejudicados, levando à perda de massa óssea e osteoporose. Já na pele, esta falta de proteína vai se fazer notar pelo afrouxamento da mesma, com o aparecimento de estrias e aspecto envelhecido.

Calma! Ainda não acabou. Na situação-limite, que fez o organismo liberar o cortisol no sangue, é necessário um trabalho mais intenso do coração; é preciso que ele bombeie mais sangue. Afinal, o corpo está usando seus recursos para fugir, lutar ou para ter ‘pique’ para resistir a um grande trauma.

Tal esforço pode causar taquicardia e possivelmente levar a um aumento da pressão arterial.

Um efeito do estresse é a diminuição da nossa resistência às infecções, como por exemplo, gripes, infecções urinárias, etc. Essa queda de resistência é devida a uma diminuição dos glóbulos brancos no sangue.

O estado de alerta a que o organismo é submetido, pode causar insônia e depressão. A secreção dos sucos digestivos também pode ser aumentada, causando gastrites e úlceras. As dores de cabeça também serão mais constantes.

Desordens na glicemia, pressão arterial aumentada, fragilidade muscular, osteoporose, semblante cansado, gripes freqüentes, ansiedade, dor de cabeça… dá pra perceber o prejuízo?

Infelizmente não há uma fórmula mágica que arranque de nós este estado mas há, sim, uma mudança de atitude que já conhecemos, de leituras que nos apresentam sempre alternativas interessantes e criativas. Manter sempre uma atitude positiva, mesmo naqueles dias em que, parece, levantamos com o pé esquerdo; cuidar da alimentação (tanto na qualidade quanto nos horários que devem ser mais regrados) buscar atividades que tenhamos prazer em desenvolver. E se for o caso, procurar ajuda profissional como a psicoterapia.

Procure sorrir mais!

Vale a pena investir em você…

Fonte: Vera Lúcia Pivello gallina – Farmacêutica-bioquímica da APCD.

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