Abel Magalhães

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Entrevista com Abel Magalhães.

Miguel Jr.

 

 

 

Na festa de aniversário da Magal, Magno me disse que eu deveria ter um gravador  igual ao de seu pai para gravá-lo também. Depois da idéia…

Miguel Júnior – Tio Abel, me empreste o seu gravador.

Abel Magalhães – Pois não… É todo seu. (Comecei a gravar. Peguei carona no assunto que estava rolando e perguntei… )

MJ – Quantos da família tocavam na banda? (Banda de Música da qual ele fazia parte quando jovem)

Abel – (Abriu a gargalhada e disse…)Ah! É pra isso? Bem, eu só me lembro de quatro. Miguel tocava trompa e nunca passou disso. Não sei o que foi que houve. Cláudio tocava trompa, mas passou para trombone. (Raniery perguntou se o Cláudio tocava trombone de vara também… Abel replica…) De vara, não. O único que tocava trombone de vara era o Hercilio Corado. Antônio tocava saxofone. Eu só me lembro desses quatro: Miguel, Cláudio, Antônio e eu.

MJ – Todo mundo gostava de tocar na banda ?

Abel – Naquela época era moda. Para aparecer, tinha que tocar na banda do Nelson Palmeira.

MJ – Era a principal banda da cidade…?

Abel – Era a coqueluche. Quando se estuda música, diz o que quer tocar. Depois de muito esforço, o primeiro estágio é a trompa, Aprende-se a solfejar, depois reproduz as notas no instrumento e por último passa para a prática. O Antônio optou por um instrumento de palheta. O  maestro chegou para mim e perguntou: “Qual o instrumento que você deseja tocar?” “Eu quero tocar pistom”. Ele olhou e disse: “Você não acha que é muito franzino pra isto? Pistom exige muita resistência e você é fraquinho”. “Pois eu só quero pistom”. Ele disse “Muito bem, pegue a trompa”. Passei pelo primeiro estágio. Depois peguei o pistom. Passei pelo estágio e fui para a Orquestra como terceiro pistom. O terceiro pistom é o mais fraco. O primeiro é o mais exigente. Passei pelo segundo e cheguei ao primeiro pistom. Mas nunca cheguei ao rastro do Edson Ferro. Meu sonho era alcançar o desempenho dele. Outro músico muito bom era o Edginaldo Nobre Magalhães

MJ – Esse Edginaldo é parente da nossa família?

Abel – Não de primeiro grau.

MJ – E as apresentações, como eram? Viajavam muito? Já eram a principal banda da cidade?

Abel – Era, rapaz… Interessante é que, como a gente era a principal banda da cidade, nós viajávamos para muitas cidadezinhas da região: Cacimbinhas, Jacaré dos homens, Palmeira dos Índios, São Brás… todo esse sertão por ai afora. Quando terminava a tocata, a gente voltava em cima de caminhão com um frio miserável. As estradas eram de barro. Exaustos, com fome, não podíamos nem dormir por causa da batedeira. Uma vez, a gente foi tocar em Palmeira dos Índios. Sempre gostei de pimenta. Na hora de fazer o lanche, que era muito fraco, eu disse “Eu quero pimenta, pimenta de homem, pimenta forte”. Trouxeram uma  peste que eu nunca vi arder tanto. Vi a hora de cair a  língua …

MJ – Abel Magalhães dizendo isso…

Abel – E o peste do ardor num passava. Fiquei desesperado. ( Todo mundo caiu de rir )

MJ –  Por que você deixou a banda?

Abel ­-  Porque era um negocio triste, uma humilhação danada. A namorada fez a minha cabeça.            “Como é que você fica tocando numa banda desse jeito? Não ganha nada!” Pensei: “viajo em cima de caminhão, deixo a namorada em casa…Estou fazendo papel de besta.” Mas a Mamãe adorava. Um belo dia, pensei: “Eu sou um homem ou um bago-de-jaca?” Enfrentei a mamãe e ela não perdoou: “Foi a namorada que botou na sua cabeça, não?”. Pronto, desde aquela época, a mamãe brigava com Ivonete. Mas deixei a banda.

MJ – Não sente saudades? Marcos César –  Se eu não me engano, houve uma vez que você teve problemas com um dente…

Abel – Foi… é tanta coisa que… Olhe, uma vez eu fui para o Rio de Janeiro e lá descobriram que eu era músico. Na casa do Tio João, arranjaram uma tocata de carnaval”. Expliquei que  não tinha pistom e não podia tocar. Arranjaram o de um vizinho, um pistom novinho. Toquei o carnaval, ganhei o dinheiro e comprei o instrumento.

MJ – Ainda tem ele?

Abel – Tenho. Está aposentado.

Abel – Não, eu me desfiz, vendi aquele e comprei outro. Tá lá em casa. Essa semana mesmo eu o vi. Eu nem imaginava que o tinha mais. Durante esta semana eu estava procurando outra coisa e acabei dando  de cara com ele.

 

( Não esqueça de colocar a foto que o Raniere achou em um jornal com uma foto com você na Orquestra)

 

 

 

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