Ecos de Londres

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Ecos de Londres

Alô! É Marcus?Aqui Abel Magalhães, tudo bom? – Oi tio, tudo bom aí? (e se transforma em carinho e afeto ao conhecer a voz do tio distante). – Aqui está um céu, uma maravilha. – Você me deixa com água na boca. Aqui está frio e chovendo. O Presidente de Honra está aí ou não? – Está aqui do meu lado.Estão também as suas tias Ivany e Bernadete… – Estão em Maceió? – Sim. – Então está a turma toda. Que bagunça, hein? – Só está faltando você aqui. – Pois é, espero que no passeio de 2005, do FAM, eu esteja presente. – Isso é muito bom.. A gente já pode alardear? – Acho que não deve, mas a intenção existe. – Você é muito conveniente. Esta é uma notícia muito boa. A gente deve propagá-la. Acho que não vale a pena porque falta muita água para rolar daqui pra frente. – Onde você estava ontem? – Saí com a turma pra fazer umas compras. Quando cheguei já eram 7/8 horas da noite. –   Ontem a gente estava querendo falar com você e deu uma gravação em inglês. Não deixamos recado. Estou tentando ensinar Português pra secretária eletrônica mas não tem jeito. – O Antônio não estava aqui pra quebrar o galho…. (risos) Mas seu pai estava aqui e já tem experiência. Disse que se tratava de gravação natural. Daqui a pouco vamos para o batizado do Matheus. Depois, reunião da diretoria no salão de festas do prédio da Ana Machulis;depois vamos para o almoço e logo mais à tarde vamos ver o jogo do Vasco. Ontem foi o aniversário da Ana Machulis, no bar Casa da Sogra, em Jaraguá. Ficamos até meia noite e foi muito bom. O NF de fevereiro já chegou? – Não. Isso aqui é fim de mundo; é muito atrasado. Só chega lá pro dia 15/20. O de dezembro não chegou. Nesse mês é esperado um volume muito grande por causa do Natal. A turma aqui tem hábito de mandar cartão-postal um pro outro. É possível que tenha saturado o serviço. O NF de janeiro chegou; e chegou até cedo. Mas o outro não. – Quando você termina o seu estágio aí? – A previsão é fim do ano que vem. Espero cumprir tudo a tempo, porque estou no 3º ano e provavelmente será o ano mais pesado. É o desenvolvimento da tese porque os dois primeiros anos foram muito concentrados em capacitação e pesquisa. Agora é desenvolver a pesquisa literária, o resumo bibliográfico etc. Agora é botar a mão na massa e trabalhar mais no desenvolvimento da tese que estou  pretendendo fazer. Já tenho alguns resultados que estou pretendendo gerar nesse trabalho, mas a partir da próxima semana ou na outra vou começar uns testes com dados reais da planta da Petrobras. Estou um pouco atrasado, de acordo com o que imaginei. Era para ter terminado essa fase em outubro passado. Eu acredito que eu possa recuperar um pouco do tempo perdido daqui pra frente. Pesquisa tem muito disso. Quem começa um trabalho assim, acaba chegando numa situação de não conseguir o que imaginou no início, porque tem muita pedra no caminho e você não consegue antever. Apesar disso, estou tendo resultado interessante. A partir desta semana talvez eu consiga fazer alguns testes com dados vivos lá da planta. Isso vai até maio do ano que vem. –  Marcus, a sua experiência na Europa, em Londres, deverá justificar eventualmente escrever um livro. Trata-se de uma experiência magnífica, você e sua família, adaptação, clima, novo idioma etc. – Na verdade, trata-se de uma experiência muito rica, mas eu mal consigo escrever para o jornalzinho do FAM, quanto mais escrever um livro. Um colega fez um negócio bastante interessante. Um brasileiro (auditor interno do Banco do Brasil) foi convidado para chefiar o grupo de auditores aqui em Londres. Ele tem uma história curiosa. Estava em Brasília há bastante tempo, foi pra Florianópolis, (o lugar que ele mais queria ir, pelos vínculos que tem lá, com praias e outros atrativos). Surgiu a oportunidade de vir para Londres. Ele veio com dois filhos e a mulher grávida de oito meses. O casal teve a nenê aqui. (Vou ver se descubro depois o registro que é bastante interessante; não é propriamente um livro mas ele fez uma página na internet, onde registrou os principais pontos onde fala até da neve com fotos e um monte de coisas, algo assim da família dele). Vou ver se consigo o endereço da página eletrônica. Lá deverá ter muita informação que seria comum entre os dois. Não querendo fugir da obrigação, mas é menos demandante do que escrever um livro. Também tem o detalhe de ter uma idéia de como foi feito o trabalho e ter inspiração para fazer algo parecido.

Semana passada, o almoço foi na casa do Dênis, cujo registro está no NF que você vai receber. Entre outras coisas, está lá o detalhe da satisfação do Antônio em ter sido o único tio que teve um contato telefônico com você. Ele disse que teve de fazer um curso rápido de inglês para falar com você. E fez um teste: “Do you… intende?” (Risos). – Eu tenho um conhecido aí em Arapiraca (as mulheres me perdoem o baixo nível da piada). Um cara deu uma palestra e depois ele falou: “If… If…. É f……. Esqueci o que ia perguntar” (Risos) – Quem atendeu o telefone foi Marina, não foi? – É, ela está aprendendo a ler e escrever em português. – Alagoas continua um paraíso; um clima que faz gosto, diferente do clima do Sudeste e Sul deste país, as praias lindas e maravilhosas etc. – Rapaz, aqui é muito frio ou muito quente. Aí é o ideal. A gente quer dar uma caminhada mas é muito desconfortável. Hoje deu uma esquentada em relação à semana passada; está em torno de uns 9/10 graus. Semana passada nevou aqui. (Bernadete disse que nessa temperatura ela morre) (risos). A tia Bernadete tem uma dívida consigo própria. Falando com ela, ele disse: “Existe um lugar que a senhora não pode deixar de conhecer. É Roma. Meu pai também, mas ele é relaxado. Ele não vai porque não quer. Eu pensei na senhora quando entrei na Basílica de São Pedro. Aquilo lá é simplesmente deslumbrante. É a capital da Igreja Católica. E você, que é uma pessoa bastante religiosa, iria passar um dia inteiro vendo aquelas esculturas, aqueles quadros, aquelas belezas. É uma das coisas mais fortes que já vi em toda a minha vida. Assim que a pessoa entra na catedral, vê a obra de Michelangelo,  a Pietá, que é a Virgem Maria segurando o corpo de Cristo. O artista consegue expressar a idéia da piedade. É um troço bonito. E os quadros que existem lá… Mas, por si só, ver a Basílica de São Pedro é o suficiente. A Capela Sistina, onde são eleitos os papas, com todo o seu ritual, é também uma obra de arte. A forma que mais me chamou a atenção foi o lado artístico; são obras de Raphael, Michelangelo, uma turma da pesada, do Renascimento. Mas é um lugar de uma importância enorme para a Igreja Católica. Indescritível. Eu vi o papa; ele dá audiência às terças-feiras, e você pode vê-lo cara-a-cara. Você se inscreve na segunda e na terça é atendido. A própria praça já é uma coisa bacana porque ela tem uma arquitetura bonita; obeliscos, símbolos lá do Egito; aquelas colunas etc. Aquilo vale a pena ser visto. Quando você for lá, leve o meu pai junto, para ele resgatar essa dívida que tem para consigo mesmo. “A Bernadete já está vendo essa capela como se fosse a entrada do paraíso”, disse José, pai do Marcus. E acrescentou: “Eu acho que é um perigo ela ir a Roma, porque ela poderá pensar que é a entrada do céu e não querer mais sair”. Imaginar Michelangelo pintando a capela (ele ficou 4 anos fazendo a obra). Ele não tinha só a visão artística; ele colocou no quadro “Juízo Final” toda a leitura da Bíblia e da sociedade da época. Ele é um teólogo além de ser um artista. Roma é um lugar a que todo mundo deve ir. “Está bom, meu filho”, falou José, “a Bernadete ficou muito feliz e eu só não pego um avião amanhã porque o Betinho (filho da Bernadete) não deixa”. Ela deveria pegar o avião junto com o Betinho. Ele ia gostar muito também. “Só em sonho”, falou Bernadete, baixinho. “É muito importante essa sua demonstração de cultura para a Bernadete. Ela quase se sentiu entrando no paraíso. Mas, se Deus quiser, um dia nós vamos passar aí”, falou José. “Quem atendeu o telefone aí foi a Marina. Ela realmente precisa fazer um curso de língua portuguesa ao telefone. Quando ela começa atender, ela fala outra língua. Eu não sei se é Inglês; só sei que ela faz uma bagunça tremenda. “De fato, ela está estudando Português; está com um professor”. “Daqui a pouco, nós vamos prestigiar o batizado do Matheus. Vou dizer ao Marcinho que lamentavelmente faltou você no batizado porque, apesar da distância, você gostaria de estar presente. Por certo ele vai chorar de emoção. Marcus disse que seria muito bom estar presente mas quem salva é o telefone e o jornal. Já falei pra Sandra que ela vai ficar me devendo um almoço como o que deu pra vocês aí em que ninguém ficou de pé. De fato, o que a Sandra fez foi algo muito especial e pouca gente ficou em pé. Quem carregou os primeiros caídos, no final caiu também. O Marquinho levou o pai dele caído e foi carregado 10 h da noite. Foi quase que um enterro geral. Marcus sugeriu levar barraca de camping e dormir no local e chegar em casa inteiro, depois de um banho de bica. Diga pra Elanir que estou levando algumas frutas-de-conde, de que ela é fã. Eu pegava a fruta e me lembrava de vocês. A Ivany conseguiu uns exemplares maravilhosos. Só existe um pé e as frutas resolveram amadurecer quando eu cheguei lá. Em pensamento eu comi pela Elanir e você. Beijos para Elanir e as crianças… Marcus agradeceu pela ligação e pediu que guardassem uma macacheirazinha e água de coco para ele…

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