Ecos do Rio – Jogos olímpicos

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Ecos do Rio

Há pouco mais de dois meses acompanhei de perto, e com muito interesse, o resultado do processo de escolha do rio de Janeiro como cidade brasileira candidata a sediar os jogos olímpicos de 2012. Na mesma semana o Rio havia sido confirmado como sede dos jogos Pan-Americanos de 2007. E durante duas semanas de agosto último, precisamente entre os dias 3 e 17, permaneci com os olhos fixos na televisão, vivendo momentos inesquecíveis com o desempenho de equipes e atletas brasileiros no Pan-Americano de Santo Domingo, capital da República Dominicana. Mergulhei de vez nesse clima de encantamento e magia, onde corpos esbeltos e “sarados” desafiam tempo e espaço, com velocidade e força, em busca de um pódio que só acolhe os três melhores em cada modalidade. Meu envolvimento foi tamanho que entrei em verdadeiro estado onírico. Não poderia deixar de dividir com você, caro leitor, esses momentos de glória e emoção.

Antes, quero alertar que lógica e coerência não devem ser exigidas em qualquer sonho. Cenários e locais, imprecisos e nebulosos. Não tenho certeza se os eventos ocorreram na Grécia, em 2004, no Rio, em 2007, em Pequim, em 2008, ou mesmo no Rio, em 2012. Só sei é que vivi todo esse clima de euforia cívica e de orgulho familiar e patriótico.

Tudo começou com o show de uma menina em barras assimétricas e ginástica de solo. Seus movimentos plásticos, com rara beleza e desenvoltura, encantaram a platéia que a aplaudiu de pé. Da realidade para o sonho foi um pulo. Na hora em que a vencedora recebia a medalha de ouro, na verdade, eu via a Marina, filha do Marcus Elanir. E no uniforme da vencedora, um pouco abaixo, à esquerda dos cinco anéis entrelaçados que simbolizam jogos olímpicos, tive a nítida impressão de que estava gravado um logotipo muito especial e familiar: o logotipo do FAM. A partir dessa prova, não consegui deixar de ver entre os competidores de qualquer modalidade um dos componentes de nossa instituição. E começava a torcer pelo sucesso dele.

Havia três canais transmitindo os eventos e me fixava naquele que estava acompanhando um esporte que me parecia mais importante. No vôlei masculino havia, no mínimo, dois representantes do FAM. Não tive condições de assegurar de quem se tratava, nem também se pertenciam à 2ª ou 3ª geração, mas o nosso logotipo estava nítido. Já no vôlei feminino, posso afirmar que Thamiris e Andressa, agilíssimas, não deixavam a bola cair do lado brasileiro. Estavam perfeitas em todos os fundamentos, tanto no saque quanto na recepção e impecáveis nos ataques e bloqueios. Elas, aplaudidíssimas, e nós, felizes e orgulhosos.

Na natação, foi empolgante a chegada da Natália nos 100 metros de nado livre, batendo o recorde brasileiro e garantindo uma medalha. Enquanto ainda ouvíamos os aplausos da assistência, vimos o Antônio e a rose fazendo um grande esforço para conter as lágrimas da emoção.

Duas provas, porém, me impressionaram de maneira muito especial pelo poder de superação dos competidores. A primeira foi a chegada triunfal do Abel e da Ivonete na marcha olímpica. Não tenho condições de lembrar qual dos dois cruzou a linha de chegada em primeiro lugar. Só lembro que os dois ostentavam um boné (ou gorro) branco em que sobressaía o logotipo do FAM. Embora bastante ofegantes, irradiavam felicidade por todos os poros pelo sucesso alcançado, com a Ivonete mandando beijinhos para a platéia, em agradecimento aos aplausos. Um magnífico exemplo para os demais componentes da nossa associação, sejam eles da 1ª, 2ª ou 3ª gerações.

A outra prova foi a de arremesso de disco e peso. Sob ovação de toda a torcida, o Betinho, recauchutado e quase sem barriga, festejava com justo orgulho a medalha de ouro conquistada. Cansado ainda pelo esforço despendido, pediu ao Edson Souza, que havia corrido para abraça-lo, que providenciasse com a máxima urgência alguma coisa para beber, pois necessitava repor as energias. Sem perda de tempo, vimos o tio-cunhado retirar de seu farnel* uma garrafa de coca-cola de 2 litros e entregar-lhe.

Nos meus devaneios, observei que a grande maioria da família participava direta e indiretamente de todos os eventos. Até provas de surfe, de biriba e outros esportes menos badalados aconteceram, com brilhante atuação das três gerações. Na prova mais concorrida, tendo como cenário a Lagoa Rodrigo de Freitas, e sob a alegação de que estavam ali para prestigiar o remo e a canoagem, o Dênis, o Marcus, o Marquinho, o Miguel e mais uns dez ou quinze figurantes praticavam uma competição de levantamento de copos. Não tenho idéia de quem foi o vencedor, mas que todos se consideravam ganhadores de medalha, é a mais pura verdade.

Desde a antiguidade clássica, quando os gregos inventaram os Jogos Olímpicos, povos e nações se empolgam na tentativa de superar limites e conquistar a glória, eternizando seus nomes para a posteridade. E repetem o ritual de quatro em quatro anos. Em 2004, em Atenas, berço dessa maravilhosa festa; em 2008, em Pequim e, em 2012, se Deus quiser, no Rio. Os continentes também seguem o ritual de 4 em 4 anos; o Pan-Americano deste ano realizou-se em agosto último, e o de 2007 será na Cidade Maravilhosa, oportunidade em que o FAM estará, sem dúvida, presente, participando e torcendo. Será uma festa memorável e você, caro membro do FAM, já pode começar a se planejar para não faltar. Que tal uma excursão? Não esqueça que o ouro de uma medalha olímpica é mais doce do que o mel e garante ao vencedor o reconhecimento para sempre de seus compatriotas. Torna-se herói nacional e sua glória se transfere também ao torcedor que vibra com o feito do grande vencedor como se ele próprio tivesse alcançado aquele triunfo.

Como já disse alguém: “Sonhar não custa nada”. Mas para que o meu sonho se torne realidade é imprescindível que outros, em quem confio plenamente, façam a sua parte.

Mergulhemos juntos nessa fantasia e tudo poderá ser realidade, com o sacrossanto pavilhão do FAM no ponto mais alto do pódio.

* Saco para provisões de jornada

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