Ecos do Rio – Alimento para o espírito

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Ecos do Rio – Alimento para o espírito

Imagens muito fortes dos dias especiais que vivi recentemente entre os membros do FAM, em mais um período de férias em Alagoas,permanecem bem nítidas na minha lembrança. Como recordar é viver – já diziam os antigos – constantemente “rebobino” a fita arquivada na memória e aciono o “play” para voltar um pouco no tempo e, assim, reviver momentos que ficaram marcados para sempre. Por vezes, até, congelo a imagem por alguns instantes, para melhor saborear algumas cenas e cenários vividos intensamente naqueles dias. Desde a chegada até a partida de volta, no aeroporto, tudo está gravado na minha consciência.

Por falar em chegada e aeroporto, confesso que, tão logo o avião toca o solo alagoano, uma sensação estranha se apodera de mim, como a prenunciar um novo tempo, cheio de emoções. Impossível esquecer os olhares de satisfação, os sorrisos de alegria, os abraços de felicidade explícita daqueles que, deixando seus afazeres cotidianos, se dirigiram ao aeroporto para me receber.

Gostaria de antecipar que esta crônica não tem o compromisso de uma reportagem jornalística e informativa. Até porque, se fosse essa a intenção, o NF teria de, no mínimo, triplicar o número de páginas, tornando enfadonha a sua leitura, embora material suficiente não falte. São apenas alguns registros de imagens “congeladas”, o que não significa que outras, tão importantes como estas, não pudessem estar aqui pintadas e descritas.

A volta do hábito de realização de partidas vespertinas e noturnas de biriba na sala apropriada da sede do FAM garantiu o retorno do prazer lúdico do Juracy, do Adilson, do Cláudio, do Edson, do Betinho, do Miguel e até da Ivany, que se achava solitária e triste pelo recesso dessa atividade sócio-recreativa. Tanto que jamais deixou faltar cafezinho, chá, suco e até tapioca feita pela Ilda, para que os participantes se sentissem satisfeitos e muito à vontade. Deve-se ressaltar o reencontro do Edson e do Cláudio, na mesma mesa, ora como adversários ora como parceiros.

O passeio oficial do FAM já foi devidamente abordado na edição anterior do NF. Um detalhe, porém, de grande valor afetivo deixou de ser analisado: o gesto do Miguel com a Ilda nos braços no meio das águas do Velho Chico. Pareceu-me um ritual de batismo presidido e orientado por Afrodite, a deusa grega do amor, para lembrar ao casal que não há idade para reafirmar as juras de amor proferidas no dia do casamento. Um fato isolado, mas de grande significado. E nós que pensávamos que o Miguel não era tão romântico…

Na semana seguinte, Traipu, que já se tornou no segundo evento mais comentado das minhas férias. Todos na mais completa animação, exceto o Cláudio. Bastante sorumbático, num perfeito contraste com o passeio oficial da semana anterior, o nosso presidente parecia estar sentindo falta da Ana Lúcia, sua companheira de lutas “na saúde e na doença, na alegria e na dor”, que, por deveres profissionais, não pôde estar presente. Limitou-se a ficar na sombra saboreando um gostoso camarão frito e uma boa leitura. Já a Rose, mesmo não tendo levado roupa de banho, não se conteve e lançou-se no rio, com os trajes da viagem. Dos olhos do Antônio faiscavam brilhos que revelavam seu estado interior de felicidade e bem-estar. Num determinado momento, dirigindo-se a mim, perguntou: “Zé, já imaginou se a Fátima, seus filhos e suas netas também estivessem aqui?” Sua empolgação era tão intensa que, ao chegar de volta a casa, resolveu ligar para Londres para transmitir e dividir com o Marcus as emoções daquele dia diferente e muito especial. Apesar do pequeno problema na escolha da operadora (21,23 ou 31 ?) foi possível completar a ligação (após um rápido curso de inglês de 2 minutos com a secretária eletrônica), deixando o Marcus com água na boca.

Também já se tornaram habituais os almoços e jantares a mim oferecidos, sempre com a presença de grande número de convidados e assessores. No da casa do Dênis, o estado etílico de alguns não permitiu que retornassem com seus próprios meios para suas casas. Tiveram que ser literalmente carregados. Também, pudera, o Dênis já está providenciando a reposição do estoque do bar, pois ficou quase vazio. Envolvida por aquele momento saudável, a Selma, irmã da Suely, pediu permissão para me chamar de Tio Zé, pois, assim, se sentiria também um membro do FAM. O sorriso de satisfação estampado no rosto dos anfitriões falou mais alto por constatarem o grau de alegria e animação de todos os convidados.

Mas o momento maior e mais tocante foi a reunião ordinária, do mês de fevereiro da diretoria do FAM, realizada em Maceió, no dia nove, na antevéspera do meu regresso. Cabe ressaltar eu a disposição das mesas estava enfeitada com um bolo. Matheus acabara de ser batizado em Bebedouro e seus pais resolveram abrilhantar a reunião com o bolo comemorativo do batizado. Ao abrir a sessão, o presidente fez questão de realçar que a reunião ordinária pela primeira vez contava com a minha presença, por isso fora marcada para aquele local. Não sei se ela atendeu aos objetivos específicos, só sei que mais uma vez fui alvo de homenagem de que, sem falsa modéstia, não me julgo merecedor. Até orador oficial para falar em nome da nossa Associação foi designado. Com a voz embargada e bastante emocionado, o Abel discursou sobre a importância da minha colaboração para o NF e para a organização do FAM, segundo sua ótica. Inúmeros apartes procuravam complementar o raciocínio do orador. Num deles, Fernando fez questão de pôr em relevo o período em que viveu na minha casa aqui no Rio. Que era testemunha da minha dedicação aos filhos com quem manteve profunda afinidade, mas observou que era muito relaxado com minha saúde e pediu que passasse a me preocupar um pouco mais comigo, por mim mesmo e pela família que me quer muito. Até a família da Albenise se deixou envolver pelo clima de união de todos nós, a ponto de uma sua tia dirigir-se a mim oferecendo-me uma garrafada feita por um “expert” baiano que cura qualquer tipo de doença.

Por tudo isso, considero-me um privilegiado por fazer parte de uma família tão maravilhosa, de cuja sigla, FAM, tornou-se sinônimo. A todos, sem exceção, do fundo do peito………………..

Muito obrigado.

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