Ecos do Rio – Adeus, tia Neinha

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Adeus, tia Neinha

A tia Neinha faleceu na noite de 25 para 26 de abril próximo passado. O sepultamento foi no dia 26, no cemitério de Inhaúma. Foram três meses hospitalizada com sofrimento não só pra ela como também pra toda família que acompanhava todo aquele drama. Um fato que me chamou a atenção e que tomei conhecimento na hora é que mesmo quase em coma ela, torcedora fanática do Flamengo, ela pediu às filhas para trazerem um radinho para escutar os jogos do Flamengo. Ainda era o campeonato carioca e ela mantinha o radinho sempre ao seu lado. Como última homenagem ao rubro-negro dela, as filhas resolveram vesti-la com a camisa do Flamengo, com a qual foi sepultada. Para os torcedores do Flamengo foi um gesto muito bonito.

Compareci ao sepultamento. O fato proporciona a oportunidade de reencontros. Vi muita gente, inclusive netos e bisnetos que eu não conhecia. O enterro foi no cemitério de Inhaúma, bem próximo ao jazigo da família. (Ela não pôde ficar no jazigo da família porque não tinha sido feita a exumação das duas últimas pessoas). No mais a presença da família que, nesses momentos é muito triste.

As minhas primas cobraram a minha presença. Mas infelizmente eu moro muito distante. Tia Neinha estava hospitalizada no Hospital da Posse, lá em Nova Iguaçu. Os médicos não tinham mais esperança. A causa-mortis foi pneumonia dupla. Na realidade, ela estava só com a metade de um pulmão. Ela não estava mais respirando. A morte foi um alívio para a dor e o sofrimento dela. A família da nossa mãe está reduzida ao tio Chico, que aliás estava lá e brincou ao ser advertido que era o “último dos moicanos”. “Eu acho que não vou demorar muito não porque eu fiquei duro debaixo do chuveiro e eu nem me lembro disso, mas a família ficou apavorada.” A família tem uma certa longevidade. Todos têm falecido com idade bastante avançada, com exceção do tio Augusto, que eu não conheci, e morreu jovem. Conversando com a Dinah, ela me contou a história dos últimos meses de vida de seus pais. Um caso que me chamou a atenção é que o tio João também morreu de câncer, que já esta com mestátase. a morte da tia Noêmia precipitou a morte do tio João. Ele ficou completamente diferente. Ficou com idéia de culpa como se não tivesse feito o que deveria pela esposa. Caiu a taxa de glicose dele a ponto de ficar diabético também. O quadro se complicou de tal maneira que, se tivesse sido operado, teria morrido antes.

Pois é, como disse no artigo, o nosso corpo é uma máquina que precisa ser cuidada. E quando a gente quer cuidar depois da hora, nem sempre tem jeito.

A máquina está bastante usada. Apesar da operação exitosa, mas demora um pouco desaparecerem as dores localizadas. Você sente que foi retirada alguma coisa dali, embora a cicatrização esteja quase concluída, cujos pontos em número de 25 já foram retirados.

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