2020 – 9º livro – Suzane Richthofen

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2020 – 9º livro – Suzane Richthofen

Autor: Ulisses Campbell

Suzane Louise von Richthofen é uma lenda do mundo do crime. Em 30 de outubro de 2002, ela abriu a porta de casa para guiar os matadores dos seus pais. Enquanto dormiam, Manfred e Marísia morreram com dezenas de pauladas, desferidas pelo namorado de Suzane e pelo irmão dele, Daniel e Cristian Cravinhos. O crime abalou o país. Pela monstruosidade, a assassina recebeu dois vereditos: o primeiro saiu do Tribunal do Júri em 2006, quando foi condenada a 39 anos de cadeia. A segunda sentença foi proferida pelo Tribunal do Crime, existente dentro das penitenciárias. A comunidade prisional não perdoa pedófilos, estupradores, nem filhos que matam os pais. A menina rica, branca e de cabelos loiros foi condenada. As mulheres sanguinárias do PCC receberam a missão de matá-la dentro da Penitenciária Feminina da Capital. Esperta, extremamente manipuladora, Suzane sobreviveu. Este livro esquadrinha o caminho que a criminosa trilhou desde que foi presa pela primeira vez até o momento em que começou a sair da prisão. Para detalhar a vida da assassina, o repórter Ullisses Campbell realizou dezenas de entrevistas e mergulhou nos emaranhados universos do Direito Penal e da Psicologia Forense. A obra mostra uma Suzane que deseja se casar no religioso, virar pastora evangélica e que nutre um sonho agora revelado – Registro da editora

O livro é muito forte. O autor desenvolve uma narrativa chocante e pormenorizada. Diz ele em suas pesquisas: “Não entrava na minha cabeça, por exemplo, como terapeutas escreviam com toda a verdade do mundo que Suzane é “manipuladora”, “dissimulada”, “narcisista” e “egocêntrica” após ela olhar por duas horas para dez pranchas com desenhos de tintas borradas.”

Para escrever o livro ele leu vários livros técnicos e fez muitas pesquisas. Veja aí: “Depois de ler três livros técnicos sobre a teoria de Rorschach, entrevistar oito psicólogos especializados no exame e ser submetido ao teste, pude compreender que o método é tão eficaz quanto envolvente. Imagens semelhantes aos desenhos de Hermann Rorschach, que ilustram a abertura dos 10 capítulos do livro, são até assustadores.”

A descrição da execução do crime envolvendo os irmãos Cravinhos e a determinação da Suzane é algo indescritível. O autor foi muito feliz dando as cores e o realismo necessário para as cenas muito fortes. Aureolando o ato maldito, o casal foi comemorar o feito num dos melhores motéis da cidade, instalando-se na suíte presidencial, onde fizeram tudo que tinham direito.

A família de Suzane, de ascendência alemã, mantinha os hábitos de origem e levava a sério o que os alemães chamavam de Ruhetag, o dia do descanso. Assim, o dia era marcado por um silêncio absoluto, quebrado apenas pelo som de música clássica, bem baixinho. O estilo era característico de classe média alta; bem-conceituados e com bons salários; a casa era uma mansão e tinham um casal de filhos, prole ideal. Suzane era a mais velha; educação alemã.

Quando criança, Suzane fazia uma ideia infantil do amor. Pensava maravilhas do sentimento. Mas, não sabia o que era. Agora, sim, “sou uma mulher feliz. Esse sempre foi o meu sonho, meu desejo mais profundo”, dizia sobre o namorado, quando viajou com os pais para a Alemanha.

Os pais eram muito preocupados com a educação dos filhos. Quando ela começou a namorar, a mãe fez a advertência esperada: “Você e o Daniel estão namorando sério? — Sim, respondeu ela. Pois então acabe esse namoro o mais rápido possível! – Não posso! Eu o amo! – justificou. — Eu não quero mais o Daniel aqui em casa! Ele não é homem para você. O seu nível social é muito abaixo do nosso. Você merece um namorado com um nível socioeconômico igual ao nosso”.

Na noite dos crimes, enquanto os cadáveres dos pais esfriavam sobre a cama, o casal delirava sob o efeito de maconha no motel. Eufóricos, felizes e sem qualquer noção de tempo e espaço, os dois continuavam trocando juras de devoção e amor como se estivessem em lua de mel. 

Ela era muito carismática. Presa ou livre, Suzane recebia cerca de cem cartas por semana de fãs e de homens interessados em namorá-la. O controlador, filtrava as correspondências e decidia as que iriam parar na lata de lixo. Enciumado, o advogado-pai-postiço não repassava as missivas escritas por jovens apaixonados, enviadas de todo o canto do país.

Suzane viveu em três penitenciárias de São Paulo. E sobreviveu a todas.

Maceió AL, 09 de abril de 2020

Abel de Oliveira Magalhães

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