2020 – 8º livro – A Imperatriz da Lava Jato

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2020 – 8º livro – A Imperatriz da Lava Jato

Autora: Nelma Kodama

A doleira Nelma Kodama narra suas memórias numa prosa simples, com bom humor e fina ironia. Aqui ela revela as experiências de sua trajetória pessoal e profissional. Resgata fatos, lugares e pessoas marcantes, além de contar detalhes exclusivos dos bastidores de sua prisão e do dia a dia na República de Curitiba, cenário central da operação que prometeu passar a limpo a corrupção no Brasil: a Lava Jato. Pela primeira vez, ela abre os diários que escreveu no cárcere e compartilha sentimentos, reflexões, polêmicas e seu contato com outros personagens importantes presos na mesma operação, como Marcelo Odebrecht e Nestor Cerveró. Um raio X único da mulher que amou, traiu, foi traída, lavou dinheiro, viveu o luxo e o lixo, e que agora busca se reerguer e reinar em um mundo diferente daquele que viveu – Depoimento da editora.

De fato, a autora e protagonista, parece não ter preocupação em mostrar a realidade dos crimes que cometeu. Ela se apresenta na primeira pessoa e diz tudo o que pensa. A linguagem é simples e objetiva. Não demonstra revolta e parece se conformar com tudo o que aconteceu.

Ao longo de sua narrativa, ela não esconde os bons momentos vividos em sua turbulenta história. Em junho de 2009, em Paris, ela se hospedou na Suíte presidencial do Hotel Ritz. Bem acompanhada ela dá vazão às suas loucuras impetuosas sem encontrar razão ou explicação que justifique o ato. Estava curtindo e comemorando o Dia dos Namorados num “affair” com o empresário e também doleiro, concorrente e arquirrival do seu amor. Depois de uma noite apaixonante, despertou pela manhã ao som suave de “She”, na voz de Charles Aznavour, que tocava de maneira estrategicamente planejada por ele, diz ela

Sua espontaneidade impressiona. Diz ela: “Eu me levantei e caminhei nua até uma banheira clássica e requintada de linhas arredondadas e acabamento esmaltado, acredito que recuperada do século XIX, do período vitoriano, carinhosamente preparada com sais aromáticos. A água estava em temperatura agradável e exalava uma fragrância deliciosa”.

Depois de passar o dia em atividades cansativas, diz ela: “Retornamos para o Ritz e, mesmo exaustos, tivemos a nossa segunda noite de amor, regada com carícias e toques que me deixam arrepiada quando relembro”.

No mundo da realidade ela registra acontecimentos dessa natureza: “Para você ter uma ideia, durante um tempo eu levei milhões de reais em notas cintadas, novas, para Ciudad del Este, no Paraguai, em aviões fretados. Os pousos eram em pistas clandestinas”.

Estamos diante de uma mulher que viveu os sentimentos mais simples em alta adrenalina. Ela amou, traiu, foi traída, lavou dinheiro, viveu o luxo e o lixo. Conheceu a realidade da cadeia, os sons, os dramas, as incertezas e, por que não, os sonhos do cárcere”.

Como nem tudo são flores, ela informa que está mergulhada em dívidas na Receita Federal que beiram as dezenas de milhões

Diz ela: “Fui a grande dama. A imperatriz do mercado. Cheguei a movimentar R$ 400 mil por dia. Para isso, era necessário ter cabeça, respirar fundo e ter muita coragem”.

Depois de sofrer a realidade da cadeia, ela responde à pergunta que segue: “Por que a senhora diz que chega a ter saudade da cadeia?  Porque lá dentro todo mundo é igual. Não importa se você é empresário, empreiteiro, deputado, tesoureiro, homicida, lobista, traficante. Por isso usamos uniforme. Aqui fora somos diferentes”.

Agora, com 54 anos de vida, ela está começando a vida do zero. E muitas dívidas. Trata-se de um livro que faz a gente pensar com mais profundidade.;

Maceió AL, 06 de abril de 2020

Abel de Oliveira Magalhães

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1 COMENTÁRIO

  1. Um belo roteiro pra filme. Imagino a experiência de vida da autora com tantos altos e baixos vividos nas mais diversas castas sociais.
    Certamente vale a pena a indicação de leitura
    Abr

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