2019 – 3º livro – Se não fosse o Cabral

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Sergio Cabral
Tom Cardoso
Um homem sem impedimento moral, sem pudores, disposto a tudo para enriquecer. Este livro-reportagem reconstitui a trajetória de Sergio Cabral Filho, do vereador travestido de idealista até poderoso governador do estado do Rio, preso pela Operação Lava Jato depois de ser acusado de receber milhões de propinas para fechar contratos públicos. “Se não fosse o Cabral – A máfia que destruiu o Rio e assalta o país” traça o retrato de uma geração de políticos, parceiros de Cabral num dos maiores esquemas de corrupção na história do nosso país. Um livro sobre o Brasil da promiscuidade entre os interesses públicos e privados, do fisiologismo político, do tráfico de influências, da corrupção impune – pensamento da editora.
O livro é empolgante. O personagem central é voluntarioso, simpático e dotado de grande capacidade para alcançar os seus objetivos, independentemente de sua essência. Pena que não dedicou todo o seu potencial para fazer o bem. Teria sido bem-sucedido e ficaria registrado na história como um grande e admirável administrador público. Como se deixou levar pela má conduta, enveredou pelos maus caminhos e o resultado foi a premiação de responder por mais de cem anos de prisão.
“Com Lula no palanque, abraçado a petistas, tucanos, comunistas, gays, empresários, artistas, evangélicos e católicos, Cabral dobrou a diferença sobre Denise Frossard, elegendo-se governador em outubro de 2006 com mais de 5 milhões de eleitores (68% dos votos válidos) – quase 3 milhões de vantagem sobre a ex-juíza, que contava com o solitário apoio de Cesar Maia.”
Foi casado duas vezes. A segunda esposa foi um arraso. Conheceu-a num elevador da ALERJE. Ela era secretária do presidente da Assembleia. Adriana Ancelmo estava no esplendor de sua beleza. Ele ficou encantado. Batalhou e conseguiu conquista-la.
“Cabral e Adriana soltaram um grito juntos quando visitaram pela primeira vez o apartamento do quarto andar do edifício Venâncio V, na Rua Aristides Espínola, no coração do Leblon. Ambos estavam realizando um sonho de criança. Adriana não precisaria nunca mais improvisar a geladeira na sala, nem alugar um cômodo para um estranho: ela seria a única dona do apartamento de 400 metros quadrados, no valor de R$ 1,3 milhão, pago à vista pelo generoso e apaixonado namorado.”
“O casamento, marcado para a noite de sábado 3 de abril de 2004, nascera minimalista para os luxuosos padrões do Copacabana Palace, como desejara a noiva, Adriana Ancelmo. Mas a lista de convidados, que começara com 300 pessoas, já chegava perto de 800, obrigando Stambowsky a atualizar o cerimonial toda semana. Ele acabara de saber, pela contagem informal de Cabral, que seria preciso reservar o Palm e o Gallery, os principais salões da parte de trás do hotel. O senador não queria correr o risco de deixar ninguém de fora. A cúpula do PMDB viria em peso, assim como os petistas mais próximos, caso de Carlos Minc, parceiro em diversos projetos de lei. Garotinho e Rosinha também haviam confirmado presença. Ele ainda precisaria abrigar os convidados da high society carioca, que não eram poucos:”
O cara era demais. Ironia da vida, foi parar na prisão, onde deverá passar bastante tempo.
É um livro excelente.
Maceió, março de 2019.
Abel de Oliveira Magalhães.

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