2019 – 1º livro – O Livro de Jô – vol. 2

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O Livro de Jô – vol. 2
Uma autobiografia desautorizada
Jô Soares
“Em 1969, Jô Soares lançou o seu primeiro one-man show, Todos amam um homem gordo, no teatro da Lagoa, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, depois do enorme sucesso na Família Trapo, estreou na Globo, no programa que revolucionou os humorísticos na TV brasileira, Faça humor não faça guerra. Na aguardada segunda parte do Livro de Jô: uma autobiografia desautorizada, ele conta tudo (ou quase tudo, ou mais que tudo) que aconteceu desde então, até chegar ao talk show que mudou o fim de noite dos brasileiros’’.
Jô Soares é um artista completo. Os seus fãs não conseguem conhecer a sua imensa produção e variedade de personagens no universo do humor. Ele representou mais de duzentos personagens humorísticos e criou dezenas de bordões que entraram para o repertório da língua portuguesa do Brasil. No seu programa de entrevistas ― que durou 28 anos ― fez cerca de 14 mil entrevistas. Fez oito espetáculos solos em longas temporadas, dois deles apresentados também em Portugal. Dirigiu 24 peças de teatro e fez dez peças como ator. Escreveu oito livros (incluindo este) que já venderam (excluindo este) 1,5 milhão de exemplares no mercado brasileiro, tendo sido traduzidos em vários países, entre eles Estados Unidos, França, Itália, Japão e Argentina.
No volume 2 desta autobiografia desautorizada, revela como chegou a distribuir hóstias ao lado de Dom Hélder Câmara, sua vida de motoqueiro encerrada com dois acidentes, o processo que sofreu durante o período da presidência do general Emílio Garrastazu Médici (e como foi absolvido com um testemunho do poeta Carlos Drummond de Andrade), a saída para o SBT no auge do sucesso na Globo, os casamentos, a perda do filho Rafael, além de sua admiração profunda por figuras ― gordas ― como Orson Welles e Winston Churchill. Mas, mais do que tudo, o leitor se deliciará novamente com as histórias dele e dos outros, contadas com o melhor da verve de Jô Soares.
Com um impecável senso de oportunidade, a TV Globo escolheu exatamente o momento da Constituinte no Brasil para inaugurar sua “LISTA NEGRA”. Determinou: “Quem sair da emissora, sem ter sido mandado embora, corre o risco de não poder mais trabalhar em comerciais”, sob a ameaça de que estes não seriam lá veiculados. Como a rede detém quase que o monopólio do mercado, os anunciantes não ousavam nem pensar em artistas que poderiam desagradá-la.
“Já mandei tirar todos os teus comerciais do ar. Chamadas do teu novo show no Scala 2, também esquece, e estou vendo como te proibir de usar a palavra ‘gordo’ – ameaçava Boni.
Esta última ameaça ficou meio difícil de cumprir. A megalomania ainda não era lei fora da Globo. “Saí da Globo, onde conservo grandes amigos, com a maior lisura e nunca me aproveitei deste espaço ou de nenhum espaço em causa própria. Escrevo isto sim, porque atores que trabalham no meu programa, como Eliezer Motta e Nina de Pádua, foram vetados em comerciais.”
Foram sessenta anos de vida profissional, 28 anos de entrevistas, 14426 conversas, cerca de 1300 dias de programas de humor na TV, trezentos personagens, 43 anos fazendo one-man shows, dirigiu 24 peças de teatro e atuou em onze. Foram dez filmes como ator e um como diretor; oito exposições como pintor, um show como músico e cantor, quinze programas de televisão como redator, nove livros, contando com este. “Multipliquem esses números pela quantidade de atores, redatores, técnicos, sonoplastas, contrarregras, figurinistas, maquiadores, músicos, produtores, costureiros, alfaiates, iluminadores, câmeras, revisores, artistas gráficos, transportadores, telefonistas etc., que trabalharam comigo ao longo desses anos e verá o resultado. Impossível lembrar de tudo e de todos. A única certeza é que eu não teria feito nada disso sozinho. Eu sou o conjunto dessas pessoas — e felizmente sou gordo o bastante pra que todas caibam no meu corpinho” – disse Jô.
“Nunca quis ir morar fora do Brasil: eu não seria capaz de criar nada longe daqui. Continuo otimista em relação ao país, sem, contudo, deixar de ser realista” – Jô.
“Como sempre, tenho mil planos na cabeça e já estou me preparando para escrever as páginas das minhas memórias desautorizadas dos próximos oitenta anos. Espero continuar sendo o crianção que sou e, como o Menino Jesus do Alberto Caeiro, outro heterônimo de Fernando Pessoa, alguém que “ri dos reis e dos que não são reis”. Como diz o poeta, escritor e dramaturgo italiano do século XVIII Pietro Metastasio: “Não existe o passado: a memória o modifica. Não existe o futuro: a esperança o transforma. Só existe o presente, que está sempre sumindo. Até 2098. Beijos” – Finalizou.
Maceió, 31/01/2019.
Abel de Oliveira Magalhães.

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1 COMENTÁRIO

  1. Oi Abel
    O Gordo, carioca filho de nordestinos, se não me falha a memória, tem o privilégio de ter sido agraciado com um DNA icônico, já que além de humorista, escritor e “talk man” show, é um apreciador musical incondicional do jazz. Muito talento reunido em um único ser humano.
    Parabéns pela produção de leitura, já um livro lido em 19.
    Abraço
    Fernando

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