Homenagem póstuma ao Cláudio

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Homenagem póstuma ao Cláudio
Neste instante, o meu ser está envolvido em um misto de sentimentos: O sentimento da alegria e o sentimento da tristeza.
Cláudio Magalhães foi uma criatura muito importante em nossa vida. Ele foi um ser humano cheio de entusiasmo, de bondade e amor fraternal. Fez de sua vida um desafio permanente para conquistar os melhores ideais.
Tinha como objetivo principal servir à família e estar presente em todas as necessidades. Sua característica principal era tentar adivinhar o que os entes queridos precisavam, para chegar junto quanto antes e servir. Em todas as comemorações, como casamento, aniversário, festas natalinas, encontros sociais etc, ele sempre estava presente, inclusive nos momentos fúnebres. Com relação à sua mãe, ele se destacou de maneira especial. Sempre que ia para o Pontal de Coruripe, lembrava-se de convidar a querida mãe e a levava para dar-lhe paz, bem-estar e felicidade. Ao voltar, só descansava quando a deixava em casa, devidamente agasalhada e sem faltar nada. Com os irmãos era da mesma forma. Por conta de tais iniciativas, ele adquiriu uma conquista de valor incalculável. Na relação dos 12 filhos gerados na família, ele foi destacado como o filho mais querido. O fato foi documentado no ano de 1985, quando um de seus irmãos procurou a genitora para fazer uma entrevista. Ela estava com a idade avançada e apresentava sinais de deterioração da vida. Visando efetuar um eventual derradeiro registro, esse filho pensou em fazer uma gravação. Deslocou-se com um gravador e conseguiu o intento. No meio da conversa, a pergunta inesperada: “Qual o filho de quem a senhora mais gosta?” Ela respondeu meio sem jeito: “Mãe gosta de todos os filhos por igual”. Insistindo na pergunta, ela falou: “Na verdade, o meu neguinho…” Referia-se ao Cláudio, que sempre se lembrava de proporcionar-lhe bem-estar em todas as horas.
Cláudio era assim: atencioso, dedicado, carinhoso e sabia conviver muito bem com todos os seus irmãos. Na sociedade, tinha o seu lugar de destaque. Frequentava os melhores ambientes e se destacava em toda parte.
Na vida cultural, progrediu bastante. Foi aprovado num concurso do Banco do Nordeste e lá dedicou toda a sua vida profissional. Trabalhou em Sergipe e terminou o ciclo em Arapiraca. Teve uma vida de muita dedicação.
Na vida conjugal, conquistou a jovem Ana Lúcia, com quem realizou as suas núpcias e sublimou a união gerando um filho batalhador e querido de nome Cláudio Jr, que sempre tem procurado honrar a sua missão de filho. Adotou duas filhas que completam o seu universo familiar.
Com o surgimento da Associação da Família Magalhães – projeto inspirado pela genitora D. Olívia para unir cada vez mais a família – Cláudio foi um de seus baluartes. Em 30 anos de sua existência, ele foi o presidente que mais se elegeu. Exerceu o cargo sete vezes. Quem mais se aproximou foi eleito três vezes. Como se vê, é um fato incontestável.
Possuía uma casa de veraneio no Pontal de Coruripe. Para lá ele levava sempre a família e os amigos. O ambiente, de tão bom, era conhecido como “O Paraíso”. Todo mundo gostava de ir para lá.
Pela bondade reinante em seu coração, viveu muito pouco. Todo mundo gostava dele e queria que ele vivesse mais. O seu desenlace deixou a família desapontada. A ação fulminante da doença que o levou, deixou a todos inconformados, perplexos. Queríamos que ele permanecesse mais tempo entre nós. Em vão. A natureza tem os seus mistérios. Ele descansou. E nós vamos viver da saudade.
Descanse em paz.
Arapiraca, 29 de janeiro de 2019.
Com pesar,
Abel de Oliveira Magalhães
Seu Irmão, com muito orgulho.
(Texto apresentado na Missa de 7º dia, na Igreja Cristo Redentor, em Arapiraca)

https://youtu.be/y8sq8mk80dI

3 COMENTÁRIOS

  1. Meu irmão querido!

    Deus agraciou nossa família com alguns talentos; entre nós irmãos, somente você e o José foram agraciados com essa capacidade de escrever bem e de maneira fácil.
    Obrigado pelo belo texto que , sem dúvida alguma, sintetiza o valioso ser humano que foi o nosso querido irmão Cláudio. Certamente só nos resta carregar a saudade e a admiração, aceitando que somente o tempo poderá diminuir a dor da perda dessa pessoa valiosa que foi o “neguinho” preferido da mamãe que partiu tão prematuramente.

    Fé na vida, porque ele está, com certeza, descansando na paz!

    Fernando

  2. Lendo esta homenagem póstuma ao tio Cláudio escrita pelo tio Abel me fez lembrar o quanto eles se identificavam desde à época da juventude revelada pelo tio Cláudio durante a nossa viagem de volta do passeio do FAM para xingo (ano de 2014).
    Foi muito interessante e engraçado aprender, por exemplo, a expressão “corta-jaca”, dos tempos de paquera e namoro onde o tio Claudio, que era apelidado de “Difuntinho” e o tio Abel, que tinha o apelido de “Caverinha”, fruto – segundo tio Claudio – da dificuldade alimentar sofrida onde era comum se alimentar com “jiquitaia”.

    Escrevi tio Cláudio, porque foi quem tomou a iniciativa de relatar as lembranças da juventude e que na maioria das vezes o tio Abel dizia “não lembro”…risos.

    Em outro momento ficamos sabendo que o tio Abel redigia os bilhetes para o “Difuntinho” entregar ás paqueras dele. Tio Cláudio relatou de forma muito peculiar que tio Abel, sendo “inteligente/intelectual, seria mais fácil conquistar as paqueras com os bilhetes escritos pelo “Caverinha”.

    Foi muito bom saber da experiência do período que o tio Abel passou no seminário.

    Foi muito engraçado!! A maioria das revelações do tio Claudio que, apesar do apelido de Caverinha, tio Abel era muito paquerado pela moças.

    Outro assunto legal da viagem foi a lembrança do grande carinho que a vó Olivia tinha pelos filhos, especialmente pelo tio Cláudio.

    A maneira peculiar do tio Cláudio abordar os assuntos e o jeito como tio Abel e tia Ivonete reagiram foi muito bom!!! A viagem de 4 horas pareceu ter sido de no máximo uma hora.

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