Cartas da prisão

0
14
(MANDATORY CREDIT Jurgen Schadeberg/Getty Images) South Africa's first black President Nelson Mandela revisits his prison cell on Robben Island, where he spent eighteen of his twenty-seven years in prison, 1994. (Photo by Jurgen Schadeberg/Getty Images)

Cartas da prisão
Nelson Mandela
Cartas da prisão de Nelson Mandela é uma obra histórica: a primeira – e única – coleção autorizada de correspondências que abarca os vinte e sete anos em que o líder sul-africano esteve encarcerado. Lançada simultaneamente em diversos países, a publicação celebra o centenário de Mandela. Comoventes, fervorosas, arrebatadoras e sempre inspiradoras, as mais de duzentas cartas – muitas das quais nunca vistas pelo público – foram reunidas a partir de coleções públicas e privadas. O livro inclui um prefácio escrito por Zamaswazi Dlamini-Mandela, neta do grande líder. Um retrato íntimo de um ativista político que também era marido devoto, pai afetuoso, aluno dedicado e amigo fiel – Pensamento da editora.
“As cartas da prisão de Nelson Mandela não estão abrigadas sob um único teto, e fazer a compilação para este livro tomou quase dez anos.”
“J. Bosch, que ele conhecia de seus tempos de advogado, foi até a cela onde ele estava detido e pediu desculpas por ter de pedir sua condenação. “Então ele simplesmente me abraçou e me beijou nas duas faces, e disse: Hoje eu não queria vir ao tribunal. Para mim, vir ao tribunal para pedir que você seja condenado é algo que me transtorna’. Então eu lhe agradeci”.
Pelo acima exposto, percebe-se que se trata de uma obra especial. Na verdade, um homem passar 27 anos preso sem ter cometido nenhum crime e ser um marido devoto, carinhoso, homem bom e destituído de revolta, é algo diferente, digno dos mais elevados sentimentos. Ler a sua obra é um privilégio. Estou, de veras, feliz e realizado pela grande realização.
No início, a comida era quase intragável e dividida de acordo com diretrizes racistas. O café da manhã para presos africanos consistia de 340 gramas de mingau de farinha de milho e uma xícara de café. Os assim chamados coloured (mestiços) e indianos recebiam 400 gramas de mingau de farinha de milho com pão e café.
Não havia presos brancos na ilha. “Éramos como gado mantido à base de ração escassa para ser vendido magro no mercado”, escreve o prisioneiro Indres Naidoo.
As condições atmosféricas na ilha eram extremas — “calor abrasador no verão” e no inverno “um frio cortante, chuvoso ou úmido na maior parte do tempo”, segundo a lembrança do ex-prisioneiro Mac Maharaj.
Em 1968, morreu a mãe de Mandela, Nosekeni, e ele teve recusada a permissão para enterrá-la. No ano seguinte, seu filho mais velho, Thembi, morreu num acidente de carro, e dessa vez seu pedido para ficar ao lado do túmulo foi ignorado. Mandela foi obrigado a ficar à margem enquanto amigos e parentes desempenhavam o papel dele no funeral. Suas cartas durante esse período expressam sua pungente aflição diante dessas perdas tremendas.
Nessa mesma época, sua amada esposa, Winnie, foi detida pela polícia e passou catorze meses presa. Suas cartas para Winnie e outras pessoas a respeito da prisão dela demonstram sua frustração e angústia por não ter condições de ajudá-la, nem a seus filhos, durante aquele pesadelo.
Os prisioneiros foram capturados e jogados na cadeia não porque tenham matado, roubado ou cometido outro crime qualquer, mas porque defenderam a verdade, a justiça, a honra e princípios, e porque nunca concordaram que algum ser humano seja superior a ninguém.
“As dificuldades dobram alguns homens, mas fortalecem outros. Nenhum machado é afiado o suficiente para cortar a alma de um pecador que continua tentando, de alguém armado com a esperança de que se erguerá e vencerá no final”.
Há treze anos Mandela dormiu nu sobre um chão de cimento que fica úmido e frio durante a estação chuvosa.
Quando foi mandado pela primeira vez para a prisão, Nelson Mandela era pai de cinco filhos, com idades entre quase dois anos e dezessete. No fim dos anos 1980 ele era avô de doze, com alguns de seus netos vivendo no exterior. Suas relações com eles eram costuradas por cartões de aniversário, bilhetes simples e, no caso dos mais velhos, extraordinários esforços para ajudá-los em sua labuta na escola e na universidade.
Comecei a ler este livro em julho passado. Muitas vezes tive vontade de parar a leitura e partir para outro. Como tenho o hábito de não desistir, continuei a leitura e agora tenho a sensação do dever cumprido e a recompensa do aprendizado oriundo da difícil vida que Mandela viveu. O exemplo deixado por ele é um prêmio para quem quer vencer na vida. Nós não sabemos o que é enfrentar dificuldades. Estou contente.
Maceió, 11/10/2018.
Abel de Oliveira Magalhães.

Compartilhar

DEIXE UMA RESPOSTA

*