2018 – 3º livro – A Pedra do Reino

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(Leitura iniciada em fevereiro e substituída por outras em função de motivos diferentes)
A Pedra do Reino
Autor: Ariano Suassuna.
“Considerada pelo próprio Ariano Suassuna como sua principal obra, o “Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta” é narrado pelo protagonista Pedro Diniz Ferreira Quaderna. Ao ser preso por autoridades do Estado Novo em Taperoá, ele escreve sua epopeia a partir das histórias de seus ancestrais. Esse é o mote para Suassuna percorrer a cultura sertaneja e brasileira, fortemente influenciada por tradições ibéricas e medievais”.
“A Pedra do Reino transcende isso tudo. É romance. É odisseia. É poema. É epopeia. É sátira. É apocalipse…“ O autor passou 12 anos para escrever a obra.
O sucesso do livro justificou 2 novas edições em 1972, para atender a demanda das livrarias. No total, a obra teve 16 edições.
O prefácio foi escrito pela imortal Rachel de Queiroz. Ela disse que a obra era um romance picaresco, que significa burlesco, cômico.
O autor tem um hábito fora do comum. Ele utiliza nomes esquisitos nos seus personagens, como Tia Filipa, Maria Sulpícia, Família Quaderna, Quengadas, Estradeirices, Frei Bedegua, Frei Malzapo etc.
Por conta das abordagens estranhas e esquisitas, o livro é comparado a outras obras conhecidas, como Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa; Os Sertões, de Euclides da Cunha; Guerra e Paz, de Tolstoi e até Ilíada, de Homero.
A obra é considerada um romance mágico, violento e belo. Ariano Suassuna foca o Sertão nordestino, onde mostra o drama da condição humana. Apresenta uma visão trágica do mundo, carregada de símbolos e mitos, códigos de honra e disputas de vida e morte. Consegue enxergar reis, rainhas, condes, fidalgos, em todos aqueles negros, mestiços ou morenos brasileiros. Trata todo mundo de “Dom”: Dom Fulano; Dom Sicrano etc.
Suassuna nasceu em 16/06/1927, na cidade da Paraíba, hoje João Pessoa. Oitavo de nove filhos do casal João Urbano Suassuna e Rita de Cássia Vilar Suassuna. Um ano depois, a família voltou para o lugar de origem, o sertão da Paraíba, na fazenda Acauhan, no município de Aparecida, atual Taperoá. Seu pai é assassinado aos 44 anos de idade, acusado de cúmplice no assassinato de João Pessoa. A família se muda para Taperoá, sertão da Paraíba, ficando sob a proteção dos seus irmãos. Nessa cidade, em 1934, ele começa a estudar. Assiste a uma peça de mamulengo. Sua mãe, em dificuldades financeiras, vende a fazenda para custear a educação dos filhos. Faz o curso ginasial no Colégio Americano Batista, em Recife, no ano de 1938, em regime de internato. Seus primeiros mestres de literatura são de Taperoá. Habitua-se a ler. Muitos dos livros que lê são da biblioteca deixada por seu pai, que foi um grande leitor. Em 1942, a família fixa residência em Recife. Ariano discursa como Orador da Turma na solenidade de encerramento do curso ginasial. Em 1946 ingressa na tradicional Faculdade de Direito do Recife. Com o seu novo ambiente intelectual, dá início à publicação dos seus primeiros poemas ligados ao romanceiro popular nordestino, em periódicos acadêmicos e suplementos de jornais do Recife.
A partir daí, começa a produzir com abundância. Em 1950, adoece de tuberculose e vai para Taperoá, em busca de bom clima para se tratar. Recupera-se da tuberculose e continua a produzir bastante.
Casa-se a 19/01/1957 com a artista plástica Zélia de Andrade Lima. Vai para o Rio em lua de mel, onde assiste à consagradora apresentação do Auto da Compadecida. A sua produção literária ultrapassa as fronteiras nacionais e é publicada no mundo inteiro.
Recebe muitas premiações: título de Cidadão Pernambucano; fundador do Conselho Federal de Cultura; membro fundador do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco; diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco e tantos outros. Lança o Movimento Armorial. Lança a versão cinematográfica da peça Auto da Compadecida. Em 1990, toma posse na Academia Brasileira de Letras. Em 1999, a rede Globo de Televisão exibe a minissérie O Auto da Compadecida. Em 2002 é homenageado pela Escola de Samba Império Serrano, do Rio de Janeiro, com o enredo Aclamação e Coroação do Imperador da Pedra do Reino Ariano Suassuna. Em 2007 a Rede Globo exibe a minissérie A Pedra do Reino. Em 2008 é homenageado em São Paulo pela escola de samba Mancha Verde. Em 2014 é homenageado em Recife pelo Bloco O Galo da Madrugada, comparecendo ao desfile.
No dia 21/07/2014 é internado no Hospital Português, no Recife, vítima de acidente vascular cerebral hemorrágico, morrendo a 23 do mesmo mês, de parada cardíaca.
Deixa, inédito, entre outras obras, o Romance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores. Suassuna morreu com 87 anos.
Abel de Oliveira Magalhães
Maceió, 29/06/2018.

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