Raninho e seu Doutorado

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Raninho e seu Doutorado

Na reunião do Dia das Mães, na sede do FAM, aconteceu uma cena singular e cheia de emoção. Foi a presença do Raninho, o qual fazia pouco tempo que tinha chegado dos EUA, onde foi fazer Doutorado de Informática em Boston.
Convidado para fornecer informações sobre a sua experiência, ele demonstrou acanhamento e não queria falar. Até que consentiu dizer alguma coisa, se fosse em forma de entrevista. Aproveitamos a “janela” e fizemos o seguinte registro.
Feitas as devidas observações, pedimos para ele se pronunciar. Ele reagiu dizendo que estava muito feliz. Disse: Não sei falar nada. Se alguém quiser perguntar alguma coisa, eu terei o prazer de responder. Para quebrar o gelo, perguntamos:
– Você foi fazer o que nos EUA?
– Fui fazer estágio para um Doutorado.
– Você esteve lá com a família?
– Estive. Fui com a Priscila e o cachorrinho (o Bruce).
– Enfrentou muito frio?
– Lá era outono. Estava uma temperatura agradável. As folhas estavam secando e caindo. Quando chegou dezembro, o frio chegou de vez. E foi até março. Janeiro foi o mês mais pesado. A gente pegou tempestade de neve com até 40 cm.
– Era difícil enfrentar isso?
– Não era difícil porque o serviço de meteorologia anunciava com antecedência e as pessoas se preveniam, ficando em casa.
– Em termos de rotina, você tinha dificuldade de comunicação? No aprendizado; no contato com as pessoas etc?
– Na primeira semana eu tive muita dificuldade porque a minha convivência não era com americano. O meu orientador era japonês; o meu técnico de laboratório era japonês; e o colega era finlandês. Então, cada um falava inglês com sotaque original e isso dificultou um pouco a compreensão na primeira semana. Depois, tudo fluiu de maneira satisfatória.
– Você tinha a companhia da Priscila e do Bruce. E com relação à família, que estava no Brasil, sua mãe, seus irmãos, seu pai – como era a comunicação?
– (Pula essa! A voz embargou. A emoção dominou). Passado algum instante: Era o Whats App, o Skype, etc.
– Passou quantos meses lá?
– Seis meses.
– Vai voltar para os EUA?
– Eu fui para lá como bolsista. Infelizmente não foi como estagiário. Viver nos EUA é muito melhor, mas só se eu tiver alguma chance. Vou voltar para Ribeirão Preto (SP), para terminar o Doutorado – Eu e a Priscila.
– No aspecto alimentação, estranhou muito lá?
– Não. Havia muita comida enlatada. Feijão, por exemplo, tinha feijão enlatado muito bom; tinha cuscuz muito bom. Só não era igual ao daqui, o Coringa, mas era muito bom.
– O local do estágio era distante de onde você morava? Como você se deslocava?
– Eu morei em mais de um lugar, lá. No primeiro, eu ia a pé até a estação do Metrô e durava um hora e dez minutos, mais ou menos. Na última casa em que fiquei, eu pegava um ônibus pequenininho até o Metrô. Gastava 5 a 10 min. No Metrô eu gastava cerca de 40 minutos.
– Em linhas gerais você tem a sensação de bem-estar e realização, certo?
– Eu tenho a sensação do dever cumprido, porque eu fiz a minha parte. Poderia ser melhor, mas eu estou em paz. Sinto-me muito bem.
– Encerrando, eu gostaria de deixar você à vontade para acrescentar alguma coisa que desejasse, e também dar a chance de a Priscila emitir a sua opinião, se ela achar conveniente.

Priscila falando – A minha experiência foi grandiosa. Eu gostei. A lembrança da família era muito grande e a gente se completava. Eu me lembro que eu chorava de emoção, se ouvisse qualquer pessoa falar em português.

Registro acontecido no dia 11 de maio de 2018.
Abel de Oliveira Magalhães.

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