2017 – 12º livro – Getúlio Vargas, meu pai.

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Getúlio Vargas, meu pai.
Autora: Alzira Vargas

“Publicado originalmente em 1960, “Getúlio Vargas, meu pai” narra a vida do político gaúcho entre 1923 e 1937 por sua filha e principal confidente. Indispensável testemunho de uma época, as memórias de Alzira são uma leitura saborosa e surpreendente.

Anos depois, Alzira se dedicou a escrever uma continuação, que não terminou. Esses escritos, até então inéditos, estão na segunda parte deste livro e são um material valioso.
E aos leitores que se debruçarem sobre esses inestimáveis relatos, não restarão dúvidas: Alzira é também uma grande personagem da história do Brasil” – ponto de vista da editora.

Trata-se das memórias de Alzira Vargas do Amaral Peixoto, que se tornou confidente do pai e tinha acesso a tudo que lhe era reservado.
Como diz a editora, essa obra foi originalmente publicada em 1960, mas a edição definitiva veio agora, incluindo o segundo livro inédito, com notas de Celina Vargas, filha de Alzira, Francisco Reinaldo e Érico Melo.

A autora teria determinado para a posteridade que o livro não teria prefácio. “E nem o terá”, disse.
O escritor e biógrafo Lira Neto, no entanto, resolveu contrariar a decisão da autora. E alinha 6 predicados da filha predileta do ex-presidente, que não gostava de ser confrontada. No entanto, atendeu a um pedido da neta e guardiã das reminiscências afetivas da família – a historiadora e cientista política Celina Vargas do Amaral Peixoto, filha de Alzira, principal responsável pela reedição da presente obra.

Segundo Alzira, o pai lia com fluência em francês, espanhol e italiano, mas nunca dominou o inglês. Sua mãe, d. Darcy Vargas, casara com 15 anos e aos 22 já tinha os 5 filhos.
O estilo da autora é bem família mesmo, diferente da abordagem pública verificada na obra oficial de Getúlio, escrita pelo repórter Lira Neto.

É surpreendente o estilo saudável de Alzira ao escrever. Ele revela o lado tranquilo e salutar que representa o dia-a-dia da família com os seus vai-e-vem em função da vida vocacionada do pai para a política.

Getúlio chamava a dileta filha de sua “segunda consciência”, dada a confiança conquistada junto ao pai, segundo a qual descobrira um meio de obriga-lo a falar de si próprio e repartir com ela uma parte de suas preocupações. Ela guardava os arquivos do pai.

No Governo Provisório de Vargas, houve a mudança do nome Presidente para Governador dos estados (1932).
Getúlio tinha um coração grande demais. Era um homem muito bom.

O Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, foi inaugurado em seu governo, em outubro de 1931.

Como a filha se identificava muito com o pai, num dado momento ele disse para ela: “Se quiseres te formar em Direito, todos os meus livros serão teus”. Dispensável dizer o ciúme que ele tinha pelos livros.

Ela não estava interessada em continuar os estudos. Estava satisfeita com o Ginásio e o diploma de bacharel em Ciências e Letras. Isto era suficiente para as suas ambições. Mas o pai conseguiu sensibilizá-la. Ela se formou e recebeu tudo o que ela considerava um tesouro – os livros, que além de ganha-los, ela realizou a profecia de sua bisavó e madrinha de batismo, que disse um dia: “Tu ainda vais te formar em Direito, para ser juiz de paz em São Borja”. Cinco anos depois a promessa foi realizada.

“A mulher não precisa estudar muito. Deve saber cozinhar, tocar piano e costurar”, disse Getúlio à filha. Numa saia justa colocada por um amigo do pai, ela agiu apressadamente: “Ele quer que eu seja sábia e não sabida”.

Alzira é muito sincera em suas colocações. Disse sobre si num momento difícil: “Ao relatar esse episódio, entro em detalhes muitas vezes supérfluos para a história, negligenciáveis para meu objetivo principal, que é o de tornar conhecida e compreendida a personalidade singular desse homem extraordinário, que se chamou Getúlio Vargas”. E sobre si, disse: “É a primeira oportunidade que tenho de arrancar as penas de pavão com que fui agraciada”. E transferia os elogios para os soldados que enfrentaram o perigo e a morte em defesa do seu pai.

Disse em outra oportunidade: “Queria ser gente e estava disposta a lutar por um lugar ao sol, meu, e não um reflexo por herança”. O pai não gostou dessa afirmação.

Alzira lia e estudava tudo quanto era documento, inclusive em inglês. Por suas atitudes era respeitadíssima. Aprendeu alemão e estenografia.

Sobre Graciliano Ramos disse que ele ignorava o motivo por que tinha sido preso. Era um homem ensimesmado, fininho, modesto, profundamente humano e parecia envergonhado do talento que possuía. Ele presenteou Alzira com alguns livros seus, com dedicatória e se espantou quando ela lhe disse que já havia lido e apreciado “Angústias”. Disse que ele não se considerava escritor de renome. E morreu sem saber que “Memórias do Cárcere” foi lido com emoção e respeito por todos os seus algozes, conscientes ou inconscientes. Alzira costumava dizer que “não há triunfo sem sofrimento, nem derrota sem glória”. Filosofava dizendo: “Em política, na guerra e no amor, não há lógica. E só existe um crime: perder. Quem perde é apenas o pobre coitado. Quem ganha é herói”.

O programa “A Hora do Brasil” foi criado pelo governo Getúlio Vargas, em 1934. Sua transmissão tornou-se obrigatória para todas as rádios em 1938.

Maceió, 30/08/2017.

Abel de Oliveira Magalhães.

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