2017 – 10º livro – Revolta do Quebra Quilos em Alagoas

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Revolta do Quebra Quilos em Alagoas.
Autor: Serzedelo Maia de Barros Correia
Solange Correia, sobrinha do amigo Firmino Maia, um dos filhos do autor destaca: “É uma grande satisfação e honra fazer a biografia do meu avô, que identifico como um grande homem, por quem tenho uma enorme admiração e respeito”. Diz que teve uma convivência intensa com ele, rica de amor, respeito e aprendizado, apesar do pouco tempo. Serzedelo deu o seu nome ao primeiro filho. Solange acrescenta que foram felizes aqueles que puderam desfrutar o seu carinho e sua amizade. E agradece por poder participar da rica homenagem póstuma, publicando os seus escritos sobre o tema abordado.
A responsabilidade pela apresentação da obra ficou com o escritor e membro da Academia Alagoana de Cultura; do Grupo Folclórico e do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, o escritor Olegário Venceslau da Silva, que se expressou da seguinte maneira: “A obra é fruto de intensa pesquisa do autor, que veio à tona quatro décadas depois de escrita, tornando realidade o sonho do grande mestre”.
A obra sofreu influência dos costumes da época, principalmente das fazendas e tradições de sua gente, revelando a sua vocação para as letras. Tudo foi assessorado pelo filho Firmino Maia.
Além das influências citadas, o autor desenvolveu atividades políticas, exercendo cargos de grande relevância.
O autor nasceu no Engenho Recanto, município de Viçosa, em Alagoas, no dia 24/06/1896. Foi prefeito intendente do município e Senador da República pelo Estado de Alagoas, seguido pelo filho do mesmo nome. Casado duas vezes gerou uma prole de 8 herdeiros (5 e 3, respectivamente). Entre 1910 e 1920 residiu no Rio de janeiro, onde trabalhou e publicou artigos no Jornal do Brasil.
Voltando às origens, tornou-se Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, PE. Foi discípulo do renomado jurista Clóvis Bevilacqua.
Em 1939, cria a usina Recanto, empreendimento que causa grande melhoria na Zona da Mata alagoana. Foi Deputado Estadual, Secretário de Estado da Educação e Saúde no governo Osman Loureiro; Secretário da Fazenda no governo Lamenha Filho e também no governo do General Tubino. Em 1970, pela forte influência que tinha no segmento industrial da cana, tornou-se sócio honorário do famoso IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool) e um dos fundadores do Hospítal dos Usineiros. Falava e escrevia fluentemente o idioma francês, em cujo idioma deixou vários relatos.
Voltou a morar no Rio de Janeiro, em Petrópolis, na região serrana, nos meados de 1960, onde permaneceu durante dois anos. Nesse ínterim, para seu deleite, o seu filho mais velho, Celso, administrava a Usina Recanto, enquanto descansava e aprimorava os seus escritos e leituras.
Sua cultura era vasta. Cursou medicina na Faculdade do Terreiro de Jesus, em Salvador. Faleceu com 86 anos de idade em fevereiro de 1979, em Maceió, onde dedicou os seus últimos anos de vida aos entes queridos. Apesar de sua saúde debilitada, nunca deixou de escrever e ler, que era o seu passatempo favorito.
Como se vê, Serzedelo era um homem dotado de muita cultura e de índole respeitada por toda a sociedade alagoana, principalmente pelos políticos da época. Suas palavras sábias, de grande profundidade nos conhecimentos de causa, tinham uma visão abrangente, que motivava consulta frequente pelos políticos e personagens ilustres do cenário alagoano.
Por tudo isto, o seu nome é título de alguns logradouros públicos no Estado de Alagoas – Maceió e Chã Preta.
Como estudioso brindou os cultores da história com suas pesquisas que redundaram na confecção desta importante obra,
Revolta do Quebra Quilos é uma alusão à revolta nascida no Estado da Paraíba, que ganhou força e apoio popular em Alagoas, movimento que era um pouco desconhecido na terra dos Marechais.
Tudo se passa em terras do município de Chã Preta, no Engenho Boa Esperança e adjacências, onde acontece grande destruição de pesos e medidas, além de incêndios de cartórios do Juiz de Paz.
Suas fontes bibliográficas se reportam ao Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas – IHGAL – do qual fez parte. Tal acervo regou a feitura desta valiosa obra e contribuiu para a literatura local, perenizando a figura do autor.
O seu trabalho merece os mais “sonoros e vibrantes aplausos do povo alagoano”, no dizer do seu apresentador.
O prefácio ficou a cargo do dileto filho Firmino Bisneto Maia de Barros Correia. Diz ele: “Chega um momento da vida em que o amanhã, quando acordamos, já passou”. Ele tinha o grande desejo de publicar a obra do pai um dia. Esse dia nunca chegava. Até que em 1976, com a ajuda e o incentivo do amigo Olegário Venceslau, o desafio foi enfrentado. E o projeto foi executado. Pensava todos os dias; e pedia a ajuda de Nossa Senhora e de Jesus que, parece, foi ouvido.
O livro é fruto de muito trabalho de pesquisa feito pelo pai. Coube ao filho dileto datilografar cada página, cujo resultado deixou como legado o registro dos melhores momentos vividos junto ao genitor. Firmino gostava tanto do pai que o tratava carinhosamente de “Papai”. Nele via a sua grandeza e suas qualidades, que diz “sem iguais”. E realça detalhes vividos em sua companhia; a necessidade das correções exigidas pelo pai. Tinha que datilografar tudo de novo, quando acontecia algum erro. O pai ditava tudo e o filho datilografava. Recorda a voz firme do pai pronunciando cada palavra: “Filho, está usando o carbono? Onde tiver dúvida, pergunte”.
Cita amizades especiais do seu pai – o Dr. Elói, grande amigo da família e disposto a ajudar nas informações.
Quebra Quilos é mais do que contar histórias. É um fato ocorrido que modificava hábitos de trabalhar e provocava muita desordem. Firmino agradece ao pai, pedindo uma bênção e lembrando que algum dia deverão se encontrar na eternidade.
A justificativa, talvez, do título do livro: motivos originados da execução da Lei nº 1.157, de 26 de junho de 1826, que adotava para o Brasil a aplicação do Sistema Métrico Decimal. Isto gerou conflitos de interesses, perturbando a ordem pública e implantando o desrespeito às autoridades constituídas, gerando roubos e saques.
Na época os estados eram conhecidos como Províncias e eram dirigidos por presidentes. A época das ocorrências foi o século XIX, na década de 1874.
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Pesquisa. Procurando enriquecer os conhecimentos, pesquisei sobre o assunto e organizei o seguinte resumo. Fonte: Wikpedia.
A revolta do Quebra-Quilos foi uma revolta ocorrida na região Nordeste do Brasil, entre fins de 1872 e meados de 1877.
Em 26 de junho de 1862 foi aprovada no Brasil uma lei determinando que o sistema de pesos e medidas então em uso, seria substituído em todo o Império pelo sistema métrico francês. O novo sistema só entrou em vigor em 1872, com a promulgação do Decreto Imperial de 18 de setembro. Apesar dessa exigência legal permaneceram em uso os sistemas tradicionais de medidas expressas em palmos, jardas, polegadas ou côvados, e o peso das mercadorias calculado em libras e arrobas.
Havia no Brasil uma grande variedade de outros pesos e medidas, tais como a braça, a légua, o feixe, o grão, a onça, o quintal e muitos outros padrões, aos quais, a população estava acostumada. Por isso, a tentativa de implantação do novo sistema métrico provocou revolta em diversos lugares. Na Paraíba, onde tudo começou, João Vieira, o João Carga d’Água, liderou os revoltosos que, em Campina Grande num dia de feira, quebraram as “medidas” (caixas de madeira de um e cinco litros de capacidade), fornecidas pelo poder público e usadas pelos feirantes, que atiraram os pesos dentro de um açude da cidade chamado de Açude Velho. Os revoltosos cresceram em número, e já sob a liderança de Manuel de Barros Souza, conhecido como Neco de Barros, e Alexandre Viveiros, invadiram a cadeia da cidade e libertaram os presos, incendiaram o cartório local e os arquivos da prefeitura.
Da mesma forma, em mais de setenta outras localidades nordestinas o povo se rebelou invadindo as Câmaras e destruindo as medidas e os editais. Diversos motivos determinaram o descontentamento da população. Uma delas foi a cobrança de taxas para o aluguel e aferição dos novos padrões do sistema métrico – balanças, pesos e vasilha de medidas. A lei que os criara proibia a utilização dos antigos padrões, e os seus substitutos deveriam ser alugados ou comprados na Câmara Municipal à razão de 320 réis por carga. Os comerciantes acrescentavam ao preço das mercadorias o valor do aluguel ou da compra dos padrões, o que encarecia mais os produtos para a população. Outra razão foi a criação do chamado “imposto do chão”, cobrado dos feirantes que expunham no chão da feira as mercadorias que pretendiam vender. E o estabelecimento das novas regras de recrutamento, sobre as quais se dizia que não escapariam do “voluntariado” militar nem as pessoas de posses. Por todas essas razões o número de revoltosos cresceu de forma acelerada, já que era engrossada por comerciantes, proprietários de imóveis, pequenos agricultores, cuja receita dependia da venda semanal de sua produção na feira, e também por consumidores que se sentiam diretamente atingidos em virtude da elevação de preços dos produtos que precisavam adquirir. A luta contra a sistemática inovadora se estendeu a muitos outros municípios, e acabou envolvendo também os estados de Piauí, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Norte. Pela repercussão favorável que encontrou, a revolta dos Quebra-Quilos preocupou fortemente as autoridades provinciais porque vilas inteiras do Nordeste aderiram à rebelião contra o decreto que impunha a implantação de um novo sistema métrico, com seus habitantes saqueando feiras e destruindo pesos e medidas do comércio. A enérgica repressão promovida pelo governo imperial foi bem sucedida, porque as forças militares conseguiram pacificar a região, sem necessidade de confrontos mais sérios.

Maceió, AL, 02 de julho de 2017.
Abel de Oliveira Magalhães

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4 COMENTÁRIOS

  1. Desejo aqui agradecer por suas belas palavras e postagem amigo Abel, saiba que fiquei muito feliz e emocionado. Receba meu abraço e dos meus familiares. Que Nossa Senhora de Fátima abençoe você e sua família. Abraços.

  2. Oi Abel
    Acabo de ler sua última sinopse, um escritor alagoano cuja obra só foi possível devido ao esforço do filho!!!
    Gostei da sinopse mas fiquei com gostinho de quero mais relativo ao tema abordado, ou seja, o conflito decorrente da mudança do sistema de pesos e medidas…

  3. Parabenizo ao Abel por divulgar tão histórico e rico comentário de um dos ícones da cultura, da socio-economia e politica de meu Estado, quiçá do Brasil, Serzedello Maia.
    Ao Firmino e familiares abraços do conterrâneo, agrónomo, historiador e jornalista José Ari Vasconcelos Teixeira.

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