2017 – 9º livro – Diários da Presidência – vol. 3

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Diários da Presidência – vol. 3
Fernando Henrique Cardoso
“Em 1o de janeiro de 1999, Fernando Henrique Cardoso inaugurou seu segundo mandato em meio a sérias tensões econômicas. O ambiente político, que era de relativa calmaria, mudaria radicalmente em poucos dias com a desvalorização forçada do real, ocasionada por um forte ataque especulativo. As negociações com o FMI levaram ao endurecimento do ajuste fiscal iniciado em 1998, que foi mal recebido pela população. Alguns meses depois, com a recuperação da economia, a popularidade presidencial voltou a subir. Mas, de olho na sucessão de FHC e nas eleições municipais de 2000, a base aliada no Congresso passou a exigir cada vez mais cargos e verbas para se manter coesa, enquanto aumentava a estridência da oposição. No plano externo, o Brasil reforçou seu protagonismo na América do Sul. Ao mesmo tempo, o país continuou na trilha da inserção soberana no capitalismo globalizado. No volume 3 de seus Diários, Fernando Henrique mostra como se deu na prática, entre as contingências da política e da economia, sua luta pela “terceira via” do desenvolvimento com justiça social. Uma leitura que esmiúça os bastidores da política brasileira a partir do olhar arguto do ex-presidente”.– Opinião da editora.
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A apresentação do livro é feita pelo próprio autor. O livro abrange o período 1999 – 2000. Ele destaca como a política se repete no dia a dia. Aliás, são inúmeras as situações descritas no volume que parecem uma reprodução de tudo o que está acontecendo no momento, com relação ao governo Temer – as crises, as dificuldades enfrentadas, a necessidade imperiosa de se fazer reformas estruturais no País etc. Até impeachment é mencionado na obra. Surgem as brigas partidárias entre a oposição e a base aliada; os componentes de cada bloco; a luta pelo que parece essencial; a manutenção do poder e, sobretudo, a continuidade de redes de apoio, clientelismos e corporações. “Essas desavenças formam o cotidiano da luta partidária e irrompem a cada instante” – diz o autor. Aparecem as questões de governo com a necessidade de se fazer as reformas, igualzinho ao que está acontecendo agora sobre a reforma fiscal, política, tributária e principalmente a Previdenciária. A diferença é que no momento, a crise se apresenta com cores negras, devido à ameaça de perda do mandato por parte do Presidente e os efeitos avassaladores da Lava Jato sobre os segmentos representativos da Nação. De resto, parece uma fotocópia. Diz FHC a propósito da necessidade da reforma da Previdência no mês de agosto/99: “Toda vez que se fala em aumentar o tempo do trabalho, as pessoas reagem fortemente”.
Ao longo da obra, destaque para o prestígio internacional do Presidente em suas andanças pelo mundo afora, representando o País e difundindo as suas vantagens. Digno de registro a sua apresentação na Europa, nos Estados Unidos, na América Latina etc. Com o seu prestígio, as lideranças mundiais se dispõem a ajudar o Brasil. Quando de sua visita a Cuba, foi alvo de recepção especial pelos governos locais. Sucesso total. Na Europa, esteve em Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, França, Alemanha etc, onde discursou nos idiomas locais. Diz FHC: “O grande problema de um executivo é não poder nomear técnicos para as repartições, por causa dos políticos”.
Fernando Henrique sempre teve bom relacionamento com os funcionários palacianos. Sempre usa uma linguagem específica com ausência de estilo político. Diz ele: “Estou dizendo isto porque seria impossível não registrar o meu cotidiano com essas pessoas”. Fala com os motoristas – que são vários – e são todos pessoas corretas. “Converso bastante para saber, pelo menos indiretamente o sentimento daqueles que não são políticos” – diz.
Coincidência: lendo-se as dificuldades enfrentadas por FHC no uso da Presidência, o leitor transporta-se para o inferno astral do Presidente Temer, sentindo necessidade de negar o que parece óbvio, e o apego descomunal ao exercício do poder.
Por fim, observe-se abaixo que gastei cerca de um mês para ler esta obra. Além de ela ter 840 páginas, tenho inúmeras outras atividades que impedem de avançar como gostaria. Apesar de tudo, fico com a agradável sensação de estar produzindo muito bem, inclusive em outras atividades afins, olhar ao largo e perceber que muitos não têm o privilégio de investir no mesmo sonho.
Maceió, 04 de junho de 2017.
Abel de Oliveira Magalhães.

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