1984 (Sinopse feita pela leitora Júlia Araújo de Magalhães)

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Olá, tio! Como prometido, aqui está a sinopse de 1984 e algumas considerações minhas:
Autor: George Orwell
Sobre o livro
O planeta está em uma guerra caótica e interminável dia após dia. Dividido em três superestados – Eurásia, Oceânia e Lestásia – e alguns territórios alvos de disputas, a guerra não tem real sentido. As bombas, as vidas perdidas, o ódio cego pelo inimigo e a desconfiança do outro – tudo faz parte do dia-a-dia dos seres humanos. O lema máximo do Estado é “Guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força”, e as classes sociais são divididas entre proletas (85%), a base da pirâmide social onde a violência e a desordem é comum, membros do partido externo (13%), pessoas que trabalham para o governo em um dos Ministérios existentes, membros do núcleo do partido (2%), que comandam efetivamente o país e o Grande Irmão, personificação máxima do partido.
Winston Smith é uma pequena formiga dentro do gigante relógio totalitário que é Oceânia, o superestado composto pelas atuais Grã-Bretanha, Américas e Oceania. Mora em Londres, tem a vida controlada pelo Partido por teletelas presentes em praticamente todos os espaços públicos ou privados (assim como todo mundo) e trabalha no Ministério da Verdade, sendo um dos editores dos jornais, revistas e anúncios passados; basicamente, Winston altera os documentos já existentes para que eles se adaptem ao que o Partido afirma agora em dados ou na nova linguagem consistida na redução das palavras e do vocabulário que tenta esmagar a individualidade e a liberdade de pensamentos, a Novafala.
Winston tem uma esposa que costumava odiar e que há muito desapareceu, teve sua mãe e sua irmã mais nova levadas quando era criança, é extremamente infeliz e insatisfeito com o regime e leva uma vida quase niilista, preto e branco com a ausência do sentido. Sua vida é transformada no momento que adentra no furtivo relacionamento com Júlia. O problema dessa relação é: o amor pelo outro é ilegal. Não só o amor, mas também o prazer, a felicidade; o casamento é uma formalidade burocrática onde os parceiros normalmente odeiam-se e o sexo é feito estritamente com objetivo de procriação – os cientistas do Partido procuram até mesmo um modo de tentar abolir o prazer carnal. Os únicos sentimentos permitidos são o amor devoto ao Grande Irmão e o ódio aos inimigos do partido, ódio aos proletas, ódio aos espiões, o ódio a quem dizem para odiar, e qualquer um que destoa disso para no Ministério do Amor.

Minhas impressões
Publicado em 1949, o livro 1984 é uma distopia que faz crítica aos regimes totalitários e especificamente à União Soviética, sendo o Grande Irmão uma alusão à Josef Stalin e Emmanuel Goldstein à Trotsky. Longe de ser um livro feliz e esperançoso, o livro traz a absoluta complexidade da capacidade sufocante do Estado, da guerra e do ódio.
É um livro me incomodou muito por trazer a individualidade sendo esmagada, o terror e a tortura. Além disso, fiquei extremamente pensativa a respeito da impessoalidade das relações e da falta de humanidade porque a falta de sentimento descrita no livro me fez sentir as mais diversas emoções. É diferente das atuais distopias como Jogos Vorazes ou A 5ª Onda por ser quase maleável de tão atual que é. Especificamente por estes vários motivos, tornou-se um dos meus livros preferidos.
A imperfeição que ficou à minha vista é que narrativa pode ser cansativa as vezes. Tendo em vista, porém, que foi escrito no fim dos anos 40, agrada-me muito como o autor pôde ter uma narrativa direta e ao mesmo tempo uma história complexa, criando uma colcha de retalhos cheia informações e reflexões – tais como a ideia de que liberdade não é a nossa liberdade, ignorância não é a nossa ignorância e guerra não é a nossa guerra; “o poder não é um meio, é um fim em si mesmo”, “o crime de pensar não implica a morte. O crime de pensar é a própria morte!” e “a realidade existe apenas na sua mente e nos livros”.
Ao mesmo tempo que a história se desenvolve e você se agarra a Winston e Julia, se agarra ao ideal de liberdade e à ilusão da luta, espera pela tomada de consciência dos proletas de sua própria força e o aparecimento real da Confraria (organização rebelde contra o Partido), você internamente sabe que está tudo perdido, mesmo que não queira admitir – porque cada pedaço de você não é seu; cada célula, cada pensamento, cada sentimento e cada ação é do Partido, e lutar contra o Partido não adianta porque ele é absoluto. O fim, contudo, não deixa de ser surpreendente, tocante e – em uma marca de Orwel – extremamente reflexivo.

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5 COMENTÁRIOS

  1. 01/05/17 09:59:33: Aninha Amiguinha.: Bom dia ☀️😃 parabéns Miguel Júnior. Muito bacana sua filha Júlia ter essa percepção de uma boa leitura. As Júlias são demais. Isso fazendo uma interligação entre as primas de mesmo nome. Beijos para ela.🌹🌹🌹

  2. Estou encantado com o nível intelectual dessa jovem.
    Belíssima sinopse!!! Sua visão sobre a obra é profunda, e seus comentários são impecáveis. Vejo sentimentos de uma pessoa adulta, com uma visão completa já sobre a vida.
    Parabéns Julia. Você, sem dúvida, é mais um belo exemplo a ser seguido por todos nós!!!

  3. Olá Júlia,
    Sua sinopse sobre a distópica sociedade criada de forma brilhante pelo excelente escritor Orson Wells lá pelos fins da década de 40 surpreende muito positivamente. Tive também a oportunidade de, há muito tempo, lá pelos meus 20 e tantos anos, ler esse livro fortemente impactante. Aliás, até hoje é considerado por inúmeros críticos, uma obra prima. Na visão de muitos, uma projeção futura de nossa sociedade em evolução. De qualquer maneira, penso que na atualidade, é improvável alguma sociedade evoluir para tamanha distopia, (o que era o receio na minha juventude) exceto por uma eventual Coreia do Norte, cujo presidente emula um pretenso Stalin . À época, quando se vivia o apogeu do comunismo, tal pensamento e receios eram altamente passíveis de se concretizar no mundo real. Graças a Deus a visão política mudou e essa turma bolchevista se extinguiu.
    Finalmente, penso somente que esse tema é muito pesado pra quem, como você, está no limiar da adolescência. Daí você considerar o livro uma complexidade , realmente tudo a ver!!
    Bjo e siga em frente, você promete!!!!! Escreva muito. Você tem talento!!! Ocupe espaço e o sucesso virá…
    Tio Fernando

  4. Oi Abel,
    Favor considerar o comentário abaixo, uma vez que não consegui postar diretamente no site do FAM.
    Estou com o mesmo problema do Claudio… o tal do código captcha não deixa.

    “Olá Júlia,
    Sua sinopse sobre a distópica sociedade criada de forma brilhante pelo excelente escritor Orson Wells lá pelos fins da década de 40 surpreende muito positivamente. Tive também a oportunidade de, há muito tempo, lá pelos meus 20 e tantos anos, ler esse livro fortemente impactante. Aliás, até hoje é considerado por inúmeros críticos, uma obra prima. Na visão de muitos, uma projeção futura de nossa sociedade em evolução. De qualquer maneira, penso que na atualidade, é improvável alguma sociedade evoluir para tamanha distopia, (o que era o receio na minha juventude) exceto por uma eventual Coreia do Norte, cujo presidente emula um pretenso Stalin . À época, quando se vivia o apogeu do comunismo, tal pensamento e receios eram altamente passíveis de se concretizar no mundo real. Graças a Deus a visão política mudou e essa turma bolchevista se extinguiu.
    Finalmente, penso somente que esse tema é muito pesado pra quem, como você, está no limiar da adolescência. Daí você considerar o livro uma complexidade , realmente tudo a ver!!
    Bjo e siga em frente, você promete!!!!! Escreva muito. Você tem talento!!! Ocupe espaço e o sucesso virá…
    Tio Fernando

    Grato

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