2017 – 7º livro – O Quinze

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O Quinze
Rachel de Queiroz
O Quinze foi o primeiro e mais popular romance da escritora. A história se dá em dois planos: um enfocando o vaqueiro Chico Bento e sua família; o outro, a relação afetiva entre Vicente, rude proprietário e criador de gado, e Conceição, sua prima culta e professora.

O estilo é diferente. Apesar do seu aspecto rústico, apresenta um estilo romântico, apesar da aridez do tema abordado.

O Quinze é o título do romance de estreia da autora (1930) e se refere à grande seca de 1915.
Ceição convence a mãe a partirem e Vicente quer ficar e salvar o gado. Chico Bento vende as reses e parte com a família. Não consegue as passagens e vai indo a pé. Um retirante em meio à seca, à fome e o cangaço. Lembra o estilo de Graciliano Ramos. É o drama da terra. Ele está no Quinze, no Lampião, na beata Maria do Egito, em João Miguel, Dora Doralina, e em Memorial de Maria Moura. É o drama entre o homem e a terra, numa perspectiva euclidiana de autêntico desafio. A sua virtude básica, porém, é a simplicidade. Mostra o retirante com o seu drama e a comunicação

impossível entre Ceição e Vicente. Livro no fundo amargo, porque é o livro do amor irrealizado. Tema desenvolvido numa fazenda.

Rachel de Queiroz nasceu em 17.11.1910, em Fortaleza, CE. Quando publicou o livro não tinha completado 20 anos. Muito nova, portanto. A força do seu talento foi tão grande que despertou imediata atenção da crítica. Ela se dedicou também ao jornalismo, atividade que sempre exerceu paralelamente à sua produção literária. Em 1931 ela se mudou para o Rio de Janeiro, mas nunca deixou de passar parte do ano em sua fazenda “Não me deixes”, no Quixadá, agreste sertão cearense, que ela tanto exalta e que está tão presente em toda sua obra. Ela tem como característica a agudeza da observação psicológica e social. Nasceu narradora. Sabe contar histórias. O seu estilo flui com a naturalidade do essencial. Integra-se na vertente do verismo realista, que se alimenta de realidades concretas – o sertão nordestino com a seca, o cangaço, o fanatismo e o beato, além do Rio da pequena burguesia, um estilo despojado, depurado, de inesquecível força dramática.

Foi a primeira escritora a integrar a Academia Brasileira de Letras (1977). Faleceu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 4 de novembro de 2003.

Maceió, 19 de março de 2017.

Abel de Oliveira Magalhães.

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1 COMENTÁRIO

  1. Tenho o prazer de informar que também estou lendo essa obra. Inicialmente por curiosidade, por tratar-se de meu primeiro contato com a escritora, nordestina famosa, cujas raízes de Quixadá no Ceará, por onde passei no ano passado, nunca foram abandonadas. Em segundo lugar, porque pude constatar que apesar da aridez descrita, vale a pena confirmar o talento nato da Raquel de Queiroz para o pendor de escrever.
    Por último e não menos importante a resenha escrita afere a sua competência, cujo nível está nada a dever para um escritor profissional.
    Aproveito para cobrar seu trabalho nesse sentido. Estou ansioso pra ler…
    Abraço

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