2017 – 6º livro – O nobre deputado

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O nobre deputado
Márlon Reis
“Você sabia que o resultado de qualquer eleição no Brasil já está definido muito antes do encerramento da votação? Muito antes da abertura das urnas? Isso nos faz pensar que a vontade do eleitor individual não vale muito no processo. O que conta é a quantidade de dinheiro arrecadado para a campanha vencedora, que usa a verba num esquema infalível de compra de votos. Arrecadou mais, pagou mais. Pagou mais, levou. Simples assim. Claro que a arrecadação se dá por expedientes muito distantes da legalidade e de qualquer noção de lisura.
Ainda nada está quantificado, mas as diversas entrevistas realizadas pelo autor ao longo dos últimos meses para realizar este livro, parecem desvendar o comprometimento do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas com uma gigantesca máquina que vicia todo o processo eleitoral do Brasil de forma assustadoramente eficiente. Isso explicaria muita coisa… Para dar corpo às vozes daqueles que aceitaram, anonimamente, ser ouvidos ao longo dos últimos meses, foi criada a figura do “Nobre Deputado”, Cândido Peçanha. Reunimos assim, num único personagem, os testemunhos de vários políticos que, mesmo não se conhecendo entre si e sendo dos mais variados pontos do país, se referem às mesmas práticas de modo minucioso e coerente.
Meu nome é Cândido Peçanha. Sou um deputado eleito democraticamente para representar o povo do meu Estado(…)
(…) Antes que você me acuse de ser mentiroso como todo político, você dirá , digo que estou aqui para contar a verdade que todo político esconde de seus “eleitores”. Por que escrevi eleitores entre aspas? Porque não existem eleições. (…) A grande farsa eleitoral brasileira é o tema deste livro.
(…) Meu trabalho, como qualquer trabalho, é pautado por interesses. Represento os interesses do povo em diversos níveis: meu país, meu Estado, minha cidade, meus amigos, minha família, meus interesses próprios. Nessa ordem crescente. (…)(…) A política é movida a dinheiro e poder. Dinheiro compra poder, e poder é uma ferramenta poderosa para se obter dinheiro. É disso que se tratam as eleições: o poder arrecada o dinheiro que vai alçar os candidatos ao poder. Saiba que você não faz diferença alguma quando aperta o botão verde da urna eletrônica para apoiar aquele candidato oposicionista que, quem sabe, possa virar o jogo. No Brasil, não importa o Estado, a única coisa que vira o jogo é uma avalanche de dinheiro. O jogo é comprado, vence quem paga mais. Sempre foi assim e sempre será, pois os novatos que ingressam com ilusões de mudança são cooptados ou cuspidos pelo sistema.
Meu objetivo aqui é revelar como o poder transforma dinheiro em poder. “É um sistema de engenhosidade formidável, complexo e encantador” – diz o autor. (…) – Mensagem da editora.
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Depois da república da Propina, O Nobre Deputado é o complemento indispensável para a compreensão do tema. Veja o conselho dado ao autor na abertura do livro: “Procure outra coisa para escrever. Escreva sobre as belezas de São Luís. Isso o povo adora. É beleza. ´É glamour. Ou ninguém vai comprar o seu livro. Quem vai querer ler um livro sobre mentira? As pessoas de menor credibilidade no Brasil são os políticos. Pense na sua carreira, para ver se você chega ao tribunal (O autor é Juiz)”. Este foi o conselho dado por um dos políticos entrevistados durante a pesquisa que originou o livro.
O livro “O nobre deputado” é um verdadeiro manual da corrupção, pois ele mostra como os políticos garantem as suas conquistas. Ele aborda todos os temas sobre o assunto, como a liberação das emendas, em que 10%, 20% delas vão para os deputados, sem se falar na parte da empresa contratada; os convênios com o dinheiro público para entidades e prestadoras de serviços; as fundações, as instituições, as ONGs, as associações criadas e passadas para nomes de outra pessoa para não deixar rastro; as licitações viciadas (precisa ver o descalabro); Tudo combinado de maneira inacreditável; agiotas e suas mazelas; o cabo eleitoral e suas surpresas; quem pede; quem manda e quem ameaça. Todo mundo tem seu preço.
Desta forma, o leitor faz um verdadeiro curso de corrupção – ativa e/ou passiva. Para quem quer ver como a bandalheira acontece, tem que ler o livro. Acho altamente recomendável a sua leitura.
Maceió, 16 de março de 2017.
Abel de Oliveira Magalhães.

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