2016 – 23‘ livro – Roberto Civita, o dono da banca.

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Roberto Civita, o dono da banca.
Carlos Maranhão
“Roberto Civita (1936-2013) era o dono da banca. No auge, seu império editorial — a Abril — teve 10 mil funcionários e mais de trezentos títulos. Workaholic (que ou quem é viciado em trabalho; trabalhador compulsivo), curioso, grande formador de talentos, homem de convicções fortes, mas avesso a confrontos, Civita redefiniu o jornalismo no Brasil ao criar publicações como Veja e Realidade — e por influenciar os rumos do país e da sociedade por meio desses veículos. Das origens familiares na burguesia italiana à crise da mídia impressa no início do século XXI, Carlos Maranhão reconstitui, com elegância, isenção e rigor na apuração, os acertos e os fracassos dessa figura tão fundamental quanto polêmica na história da mídia brasileira” – opinião da editora.
Ele era tão obcecado pelos projetos da editora que quase não tinha tempo para a família. No sábado ia para a editora. No domingo, levava um monte de revistas para a piscina e ficava a rabiscar e analisar os textos, a ponto de receber reclamação da esposa. A brincadeira dele era fazer revista. Na relação com os filhos foi uma negação. Na profissão foi um grande editor e escrevia muito bem.
Para editar a revista Veja teve que viajar aos locais bem-sucedidos do segmento como Europa e Estados Unidos, estudar os avanços de revistas idênticas e angariar experiência para o projeto audacioso.
Os riscos que a revista Veja passou foram inúmeros. Contratou 147 jornalistas para materializar o projeto, fora a produção editorial, revisores e preparadores de textos.
Em 2013 eram 90 jornalistas e fez cursos de preparação para novos profissionais.
O título original da revista foi Veja e Leia, que foi modificado em junho de 1975.
A difícil missão de criar uma revista como a Veja foi o alvo de ofensas injustas por parte de pessoas despreparadas para entender tamanho desafio.
Em 2016, o desembolso mensal da revista era em torno de 614 mil dólares, fora as despesas gráficas. Com estas, o desembolso subia para 900 mil dólares. Organizou um curso de jornalismo que ficou orçado em 300 mil dólares. A revista foi considerada a amante de Roberto Civita, tamanha a sua dedicação e amor ao projeto.
Enfrentou preconceitos da revista “Istoé”, que disse palavras e termos ofensivos à publicação da Abril. “Esperávamos uma bomba atômica e só saiu um pum” – de Adolfo Block, dono da revista Manchete. Apesar dos desapontamentos, a 1ª edição de Veja foi um sucesso estrondoso. Em 122 páginas, 60 eram de publicidade. Ficaram de fora 31 anúncios por falta de espaço. Dos 695.600 exemplares da tiragem, foram vendidos 649,200, com encalhe técnico de 6,7%, considerado desprezível. O mercado ficou perplexo. Nunca se vira nada igual.
Na 15ª edição, a revista quase se acaba. Foi dado mais um prazo de 3 meses para sobreviver. Isto foi em 1969, em plena ditadura. A tiragem estava abaixo dos 50 mil exemplares. Surgiu a ideia de incluir fascículos – Anos 60. Foi um sucesso. A tiragem subiu para mais de 135 mil. Inseriram uma entrevista de 4 páginas . Mudou-se a cor e as ideias foram surgindo até que chegou ao ponto de hoje.
Foram inúmeros os problemas enfrentados com a censura. A participação de J.R.Guzzo e Roberto Pompeu de Toledo foi muito importante no sucesso da história da revista.
Persistente, Roberto Civita enfrentou mais de dois casamentos, com serenidade e desenvoltura.
Em 1977, Guzzo foi oficializado como o número um no topo da hierarquia e Pompeu de Toledo virou diretor adjunto. Começa a criar aí um dos momentos mais gloriosos da revista.
Roberto Civita chegou a se encantar com Fernando Collor com sua estratégia de combate aos privilégios dos funcionários públicos, fazendo disso a sua bandeira. Depois se decepcionou.
RC alimentava um grande hábito de leitura. Até nos semáforos foi flagrado lendo revista com a mão para fora em busca de luz do poste.
Enfrentou forte disputa com a Globo e o segmento de televisão, inclusive com pesados prejuízos para as partes.
Registro especial na paradisíaca ilha Nocker Island, no Caribe, com a família, genros, noras, cônjuges etc. Diária de 60 mil dólares, foi lá que ele foi algumas vezes com todos os parentes, às suas expensas – um arraso.
Trata-se, pois, de uma eletrizante biografia, com tudo de bom que o leitor quer saber e aprender sobre um grande empreendedor.
Maceió, 18 de novembro de 2016.
Abel de Oliveira Magalhães.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Olá meu querido irmão Abel
    Parabéns pela performance, afinal ler 23 livros em 12 meses supera muitíssimo a média brasileira. Se acrescentarmos jornais e revistas, o seu volume de leitura é extraordinário. O objeto dessa biografia, motivo da sinopse, não poderia ser mais conveniente, uma vez que vivemos tempos tão cinzentos, afinal, empreendedor tal qual o RC, é coisa rara nesse país. Precisamos efetivamente de muitos outros exemplos similares que pudessem exponenciar os resultados que ele atingiu, fazendo-nos todos, uma sociedade mais informada, mais consciente e mais ética.
    Abr

  2. Valeu,meu irmão. Pelo menos um em tantos destinatários leu e reagiu sobre um trabalho feito com tanto carinho e quase anonimato. A sua contribuição é muito importante. Muito obrigado. Um grande abraço.

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