A Conquista da Olivinha – parte 2

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Conforme prometido na conversa com o Marcos César, no dia 4 de junho de 2016, vamos apresentar o ponto de vista da simpática Olivinha, que está de férias em Alagoas.

Abel – Como nasceu a ideia de estudar na Escola Sesc de Ensino Médio no Rio de Janeiro?

Olivinha – A escola em que eu estudava, Santa Clara, anunciava para todos os alunos as notícias e provas do Infal, Sesc etc, Então eu gostei da ideia e me interessei. Fiz a prova e passei. Mas não fui chamada. Uma outra pessoa foi chamada e depois desistiu, abrindo vaga para mim. Isto me deixou muito feliz, porque isto é um sonho.
Quando isto aconteceu, eu já estava estudando em outra escola, fazendo o Ensino Médio, na Santa Esmeralda. E já fazia um mês que eu estava estudando lá. Quando eu fui chamada eu fiquei pensando se ia ou não, porque já estava lá há algum tempo e tinha feito novas amizades. Mas eu fui e se não tivesse ido eu teria me arrependido. Os meus pais e irmãos me apoiaram. Eu tive apenas uma semana para me organizar, porque o curso no Rio já tinha começado e eu tinha que recuperar o ritmo e acompanhar os estudos. Foi uma mudança total na minha vida; uma correria só. A exigência para eu me apresentar lá era providenciar vários exames de saúde, vacina, exame de vista etc. Todos os exames foram feitos em Arapiraca e enviados para o Rio de Janeiro.
Para ir para o Rio eu poderia ir sozinha mas os meus pais foram comigo porque precisavam conhecer a escola. Era uma espécie de opção porque as aulas já tinham começado e precisava ganhar tempo. Normalmente todos os pais acompanham os filhos, porque ajuda a compreender tudo.
Ao chegar lá eu achava que iria ter alguma dificuldade, mas na verdade eu achava que eu conseguiria superar tudo. E foi isto o que aconteceu. No começo, todo mundo estava me conhecendo e repassando orientação. Logo, logo fui me acostumando.
A Escola é maravilhosa. Ela dá todas as possibilidades de você aprender. É só você querer. Você participa de olimpíadas e tudo quanto é atividade. Os professores lhe tratam como se você fosse um filho Você tem de tudo lá. Você tem tudo para não ficar em recuperação. Só depende de você. Raramente alguém fica nessa situação.
Eu já estou lá há quatro meses, que corresponde ao primeiro semestre, por causa do atraso que aconteceu com a minha ida. Vou ficar na Escola três anos. Tenho férias no meio e no fim do ano. Nos finais de semana eu posso sair para onde eu quiser, desde que eu esteja sob a responsabilidade de alguém de confiança. Por falar nisto, o pessoal do Rio de Janeiro adorou a minha presença por lá porque eu significava ser a outra filha deles. Porque é assim que eu sou tratada. Eu fui umas três vezes nesse período e eles me tratam literalmente como uma filha. Isto é muito bom. E eu só tenho a agradecer esse gesto bonito deles.
Quem foi me levar foram os meus pais. E quem foi me buscar foram o vovô Miguel e a tia Ivany, que foi escolha deles. Agora eu vou voltar sozinha.
Eu acho que os meus pais e meu avô estão muito felizes com essa minha situação. Só que vem aquela saudade, mas mesmo assim eles estão muito felizes. E eu estou muito feliz também. Eu sinto aquela saudade, mas acho que nem tanto como eles, porque a minha rotina mudou e eu nem tenho tempo de sentir saudade, já eles têm a mesma rotina e por isso vão sentir sempre mais saudade do que eu. Mas dá para aguentar bem, principalmente por causa do grande objetivo a ser alcançado, porque é uma espécie de sonho que estou realizando. E tenho certeza de que muitas pessoas gostariam de estar no meu lugar porque é uma oportunidade muito valiosa. Mesmo enfrentando muitas dificuldades, mas a gente chega lá. Inclusive é uma espécie de premiação porque eu sempre me dediquei aos estudos.

Abel – E sobre leitura, tem se dedicado a algum livro?

Olivinha – Na verdade eu gosto de ler, só que lá a gente não tem tempo de ler de jeito nenhum. O tempo todo é dedicado aos estudos e leitura técnica; dedicação às coisas que a Escola manda. Em termos de leitura só lemos os livros que eles mandam. São livros como se fossem paradidáticos; livros sobre os quais vamos fazer exercício.

Abel – Já tem ideia do que vai ser quando se formar?

Olivinha – Eu acho que o meu futuro vai ser bem melhor porque a Escola ajuda muito, tanto na parte do estudo como na parte de ser responsável. A gente é que faz as nossas coisas. Nós lavamos a nossa roupa; arrumamos o nosso quarto. A gente faz tudo. E isto é uma ajuda muito grande. Isto vai fazer muita diferença no futuro.

Abel – E em termos de definição profissional? Já tem ideia?

Olivinha – Eu penso em ser arquiteta, mas eu não tenho certeza absoluta.

Abel – De resto, como está a sua vida, está tudo bem?

Olivinha – Está tudo ótimo. Não tenho de que reclamar. Só agradecer.

Abel – Minha filha, eu desejo que você seja bem sucedida e que continue nessa jornada da melhor maneira possível e que Deus a abençoe.

Olivinha – Muito obrigada, tio. Um abraço.

Maceió, 16 de agosto de 2016

Abel de Oliveira Magalhães

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2 COMENTÁRIOS

  1. Vejo neste depoimento o quanto a Olivinha já evoluiu neste pequeno espaço de tempo. Que ela continue nesta evolução. Muito obrigado, tio Abel, pelo belo trabalho.

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