2016 – 17º livro – A ditadura acabada

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A ditadura acabada
Elio Gaspari
Apresentação da editora
“A mais aclamada obra sobre o regime militar no Brasil chega à conclusão com o livro A ditadura acabada. No quinto volume da Coleção Ditadura, o jornalista Elio Gaspari examina com riqueza de detalhes o período de 1978 a 1985, desde o final do governo do presidente Ernesto Geisel e a posse de seu sucessor, o general João Baptista Figueiredo, até a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral. São os anos da abertura política, momento decisivo na história de nosso país e repleto de acontecimentos, como o fim do AI-5, as manifestações políticas pela anistia e pela volta das eleições diretas para a presidência, os atentados promovidos por aqueles que se opunham à redemocratização, como o episódio da bomba no Riocentro em 1981, e uma crise econômica sem precedentes.
Com uma narrativa fluida e pesquisa profunda, Elio Gaspari compõe um painel fascinante de um país em plena ebulição, em que muitos dos protagonistas se mantêm como parte do noticiário atual. No epílogo, denominado “500 vidas”, o autor acompanha o destino de quinhentos personagens que sobreviveram ao fim da ditadura, entre militares e militantes, empresários e sindicalistas, torturados e torturadores. Alguns desses sobreviventes chegaram à presidência da República, como a presa política Dilma Rousseff, o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva e o professor Fernando Henrique Cardoso. É uma conclusão impactante para uma obra fundamental sobre a história recente do Brasil”.
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Sobre o Lula.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos era um retirante pernambucano de 32 anos que chegara a São Paulo em 1952 com a mãe, abandonada no sertão quando estava grávida dele. Encontrara o pai, alcoólatra, com uma nova família. Das muitas mulheres com quem o velho Aristides se acasalara estima-se que tenha tido vinte filhos. Luiz Inácio tivera uma infância de maus-tratos paternos, pobreza e vergonhas. Fumara guimbas de cigarro e chicletes mascados por amigos. Engraxara sapatos na rua, mas conseguira empregar-se como metalúrgico. Persuadido e ajudado por um irmão que militava no Partido Comunista, tornara-se diretor de Previdência Social do Sindicato de São Bernardo. Sua experiência de trabalhador com carteira assinada durara treze anos. Passou de “Baiano” e “Taturana” a Lula. Tendo sofrido a pobreza do Brasil rural e as misérias da periferia das grandes cidades, parecia encaminhado para a vida de um bem-sucedido operário do ABC. Tinha casa, carro e uma mulher tecelã. Grávida de nove meses, ela foi internada com uma hepatite mal diagnosticada. Os médicos disseram que ia tudo bem e que ele deveria voltar no dia seguinte com as roupinhas do bebê. Quando retornou, ambos estavam mortos.

Com as pernas bambas, Lula fizera seu primeiro discurso lendo um texto redigido pelo advogado do sindicato, militante da esquerda católica: “De um lado vemos o homem esmagado pelo Estado, escravizado pela ideologia marxista, tolhido em seus mais comezinhos ideais de liberdade. No reverso da medalha, encontramos o homem escravizado pelo poder econômico”. Ideologia marxista, tolhido, comezinhos e reverso não faziam parte do seu universo vocabular, nem daquele dos trabalhadores de São Bernardo.
Como se vê, teve um volume de experiência incalculável, mas quando chegou ao poder, parece que esqueceu tudo e passou a explorar atividades incoerentes às suas origens. Cresceu de mais e parece que se perdeu nas brumas do desconhecido. Está pagando um preço muito alto.
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Franklin Martins teve a ideia do sequestro do embaixador Charles Elbrick e não foi preso. Exilou-se em Cuba, no Chile e na França e viveu como clandestino no Brasil. Depois da anistia, foi candidato a deputado federal, mas não se elegeu. Recomeçou a vida como jornalista e passou pelas TV Globo e Bandeirantes. No governo de Lula tornou-se ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. E optou por um caminho conflitante com a democracia.
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“Obra-prima do jornalismo de reconstituição. Não há nada que se compare em termos de quantidade e qualidade de informação.” Zuenir Ventura.
“É como ouvir uma conversa proibida.” Heloisa Buarque de Hollanda.
Maceió, 06 de agosto de 2016.
Abel de Oliveira Magalhães.

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1 COMENTÁRIO

  1. Olá meu querido irmão Abel,
    Inconteste seu relato sobre essa obra do Elio Gaspari. Absolutamente recomendável a leitura pra todos brasileiros que, sem dúvida, sofremos as consequências boas e maléficas de tão tensa época de nossa história.
    Somente faço crítica elogiosa quando senti certa dificuldade pra separar o texto da editora e o seu próprio, precisei voltar ao inicio e buscar o entre aspas, porque seu estilo e desenvoltura de texto, está tão bem feito que passei direto….
    Abr
    Fernando

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