A Conquista da Olivinha

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Conversa de Abel e Marquinho sobre a Olivinha e seu projeto de estudar na Escola SESC Rio de Janeiro.
Abel – Como foi essa história da Olivinha em ir para o Rio de Janeiro estudar na Escola SESC Rio?
Marquinho – Em abril do ano passado (2015), a Olivinha começou a comentar que queria ir para a Escola SESC/Rio, que a gente nem conhecia; nem também o projeto. A própria escola onde ela estudava (Santa Clara) informava aos alunos o que sempre há de melhor no mercado. Em casa, ela começou a acessar o site específico e ficou entusiasmada. E concluiu: “É isso que eu quero”. Para conseguir o intento, ela pediu para que eu fosse ao SESC com ela e cumprir a parte burocrática. Precisei me associar ao E-Comerce da empresa para conseguir a pontuação necessária para estudar lá. Não é só fazer a prova e passar. Tem que cumprir uma série de requisitos em termos de burocracia. Assim, fiz a minha inscrição no SESC e consegui a minha carteirinha e a dela. Fiz a inscrição da prova que foi em agosto de 2015. Providenciei Identidade e CPF dela. Enquanto eu demorava um pouco, ela cobrava sempre. Ela precisava se preparar para as provas. E estava focada mesmo. Só pensava nisso.
O SESC fornece o material e o aluno estuda na escola, em casa e em toda parte. Ela acessava o site, via o que tinha que estudar e se preparava para a prova. Chegou ao ponto de, nos fins de semana, a gente sair e ela ficar em casa estudando.Olivinha Fui me certificar e tomei conhecimento de que só eram quatro vagas para o estado: duas para escola particular e duas para escola pública. No caso dela, só duas vagas.
Quando o aluno faz a prova é identificado por um número. Dos que fizeram as provas só doze eram aprovadas. Quando saiu o resultado, em novembro, ela olhou e disse que tinha perdido, porque o número dela era “54”. Na escola comentava-se que uma coleguinha tinha sido aprovada. Uns quinze dias depois, a diretora do SESC ligou e disse que ela tinha sido aprovada. Ela reagiu: “Não, não fui aprovada, não. Meu número é 54”. E a diretora disse: “Não, o seu número de inscrição é 60”. E confirmou a sua aprovação. A Olivinha ficou feliz demais.
Foram selecionados doze no estado, para fazer o teste psicológico. Ela se submeteu a três psicólogos, em Maceió. Dos doze, foram selecionados quatro no estado, sendo dois de Arapiraca. Um era ela. Na realidade, de escola particular, só uma pessoa tinha sido classificada. As entrevistas eram da seguinte maneira: uma somente com ela; outra com ela e os pais; depois só com os pais; e finalmente, só ela com os psicólogos. Foram duas horas de entrevistas. Enquanto isto, eles faziam suas anotações e passavam tudo para o SESC no Rio de Janeiro. Ninguém interfere em nada para fins de conhecimento ao longo do processo.
Quinze dias depois, saiu o resultado. Ela não foi selecionada. Não ficou entre os quatro. Ela ficou em casa chorando, meio triste. E usava a expressão: “É porque não tinha de ser. Eu vou estudar e me preparar para o próximo ano”.
Ela era persistente. Matriculamo-la em outra escola e compramos todo o material necessário. Nos dias três e quatro de março, os aprovados em todo o país foram para o Rio de Janeiro tomar posse no curso. Ela acompanhava tudo pelo site. Enquanto isto, ela estava tomando gosto na nova escola – Santa Esmeralda – no Bairro Brasília, em Arapiraca. No dia 29 de março, nós recebemos uma ligação da Escola SESC de Maceió, querendo falar com a Olivinha, informando que a menina que tinha ido para o Rio não tinha dado certo. A ligação foi às 17:00h, perguntando à Vânia: “Vocês aceitam que ela vá? Ela aceita?” Informamos que tínhamos de falar com ela. A moça disse: “Só posso aguardar até às 20h”. Tínhamos menos de três horas para dar a resposta. Vânia ligou para mim e eu disse: “Não estou acreditando nisso, não”. Eu disse: “Vamos aguardar que dê 18h, para a gente conversar com ela”. Em casa, a gente foi conversar com a Olivinha, que botou pra chorar. A reação foi tão forte que todo mundo chorou. Ela falou que já estava com cerca de 45 dias na nova escola e já tinha feito boas amizades. Disse que não sabia se queria ir mais. Dissemos: “Pense, que temos até às 20h para dar resposta”. Ela perguntou: “Posso conversar com os meus amigos nas redes sociais”? “Fique à vontade”, dissemos. Ela entrou no quarto e foi se comunicar com a galera. Todos foram unânimes, inclusive os professores no sentido de dizer que ela não podia perder a grande chance. Não precisou mais de 15 minutos. E voltou dizendo: “Já decidi, eu vou”. Todo mundo se abraçou; começamos a chorar; todo mundo feliz. Em seguida, ligamos para a diretora da Escola SESC de Maceió, dando a resposta positiva. Ela reagiu dizendo: “Amanhã, às 9h vou estar com vocês, com toda a documentação para vocês assinarem”. E acrescentou: “Vão ter que seguir os três para o Rio de Janeiro”. E fomos à Escola Técnica, onde assinamos uma maçaroca de papéis, porque a responsabilidade era muito grande.
A gente não imaginava a estrutura que era lá. WhatsApp-Image-2016060222E perguntamos a previsão de tempo para ela ir. A diretora respondeu: “Ela tem que estar lá, no máximo, domingo”. E estávamos numa terça-feira. Tínhamos que providenciar tudo; passagens aéreas; e coisas típicas de um momento dessa natureza.
O curso, no Rio, já estava adiantado, com quase 30 dias de iniciado. A Olívia não podia perder tempo. Tinha que acompanhar. E assim nós fizemos. Agilizamos e deu tudo certo.
Chegamos ao Rio no sábado. Fomos direto para a casa da tia Fátima. No domingo pela manhã, a Carla nos levou até a Escola. Chegamos no horário combinado. Para a nossa surpresa, já havia uma equipe de alunos esperando a Olívia para dar as boas vindas e as orientações necessárias. Foi uma recepção muito calorosa. Os professores foram nos recepcionar e mostraram os ambientes. Já estava tudo pronto: crachá; identificação de guarda-roupa; cartão de saúde; sapatos etc. O pessoal foi mostrar toda a Escola. Para se ter uma ideia da dimensão do ambiente, nós começamos conhecer às 9:30h e terminamos às 12:30h, de tão grande que é lá. Nós ficamos encantados.
Uma imagem que não sai da nossa cabeça: ela recebeu um crachá em que tem cartão de saúde, origem dela; apartamento etc. Quando fomos conhecer a sala de aula, foi entregue a chave do armário onde se guardam todos os pertences do aluno. Brincaram, dizendo:“Vamos ver o que é que tem no armário da Olívia”. Lá dentro estava todo o material que ela ia precisar, desde roupa específica a cadernos, livros e material didático. A reação foi muito bonita. E todos nós nos emocionamos. Ela disse: “Eita!, vou ter o meu armário; as minhas coisinhas; vou ter tudo que gosto juntinho”. Mostraram a lavanderia (todos os alunos lavam as suas roupas, passam ferro); a biblioteca é fantástica; tudo informatizado com computadores de última geração; sala de vídeos para fazer pesquisas; cinema. Ficamos encantados com tudo o que vimos lá. E ela, muito mais.
Ela vai estudar nessa Escola durante três anos. É o Ensino Médio. No final, ela vai definir o que vai ser na vida. Na grade curricular consta Inglês e mais Espanhol no sábado; No parque esportivo ela escolheu handball; na parte cultural, vai fazer Teatro; na parte social, a cada 15 dias ela sai para visitar um asilo de velhinhos. O horário de acordar é às 6h; o café é às 7h; as aulas são das 8h às 12;35h. Retorna às 13:45h para a sala de aula, até às 16h. Depois vai fazer as atividades de estudo.Ela recebeu um notebook, que ao término fica com ela – tudo pago pelo Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC e pelo  Conselho Nacional do Serviço Social do Comércio – SESC, que reconheceu na construção de uma comunidade educativa a possibilidade de formar jovens sob o signo da diversidade, preparando-os para o mundo do trabalho e para o exercício da liderança e da cidadania. O custo de cada aluno é cerca de R$ 6.000,00 por mês. Tem dois períodos de férias por ano. Se o aluno não tiver condições financeiras de visitar os pais, pode ficar lá o tempo todo. No caso da Olívia, o porto seguro dela é a casa da tia Fátima e as férias em Arapiraca.
Abel – Qual foi a receptividade dela lá na família Magalhães?WhatsApp-Image-20160606 (1)
Marcos – Ave Maria! Na casa da tia Fátima foi um negócio fantástico. A família toda chegou junto. A tia Fátima, quando chegou em casa, vindo da Escola SESC, disse que se soubesse que era tão bom, teria colocado todo mundo para estudar lá.
Abel – Eles devem ter ficado surpresos com essa conquista de uma pessoa humilde, do interior e chegar até lá, não?
Marcos – Interessante é que, depois que a Olivinha descobriu isso, amigos nossos ficaram interessados para incentivar os filhos a fazerem o mesmo.
Abel – Qual a reação dos irmãos dela?
Marcos – Eles estão num diálogo permanente. A Isabela chega a passar cerca de duas horas falando com ela pelo Skype aos domingos, bem como a gente, vendo-nos mutuamente. Ela decorou o quarto com as fotos da família, tiradas por ela e projetadas num mural.. É uma emoção muito forte. E diz: “Vocês estão do meu lado, bem pertinho”.
Abel – Como pais, vocês estão satisfeitos?
Marcos – Muito, muito, muito.
Abel – Como vocês encaram tudo isto?
Marcos – A gente chega a pensar: “Será que merecemos tudo isto de bom que está acontecendo com os nossos filhos? A única coisa que pode justificar é o diálogo. Condições financeiras a gente nunca teve. Quando alguém vai fazer alguma coisa, primeiro combina com a gente. Sempre nos combinamos; sempre conversamos. E sempre prevalece a decisão da maioria. Quando a Olivinha ficou só conosco, mostrou uma personalidade bem forte”.
A Escola pediu que a gente guardasse sempre as fotos ligadas ao evento para servir de WhatsApp-Image-20160606recordação/ligação com a escola. O SESC começou a fazer uma pesquisa ecológica numa nascente sobre água e eles publicam no site. A Olivinha tem saído em várias fotos dessa pesquisa. Se a pessoa acessar o site, vê o resultado lá. (www.escolasesc.com.br). Ela disse que sempre há palestrantes autores de diversos livros que vão fazer palestra lá. A Escola tem um teatro enorme, onde eles dão palestras e os alunos interagem; inclusive muitos artistas. Tem também uns testes para descobrir a vocação do aluno e se aprimorar.
Abel – O avô da Olivinha, o que diz disso?
Marcos – É quem mais sente saudade dela; chora tanto que não consegue se controlar. É o seguinte, toda quinta-feira nós almoçamos lá (Eu, Vânia e Olivinha). Às 14h a Vânia e eu vamos trabalhar e a Olivinha passa a tarde inteira com ele. Ela aprendeu a fazer o bolo com a vovó Ilda e isto criou um apego muito grande. Agora, com a ausência dela, o avô sente uma falta danada. Mas está muito satisfeito e orgulhoso. O papai vai busca-la em julho, de férias. Já foi autorizada a sua vinda. Ela vai sair no dia 19 (dez dias antes do convencional). Papai vai no dia 15 e ela retorna no dia 29 de agosto. Ela vai passar quarenta dias com a gente.
Abel – Agora, vamos aguardar a chegada dela, quando vou fazer uma entrevista com ela e colher a sua opinião. Deverá ser muito importante.

Maceió, 04 de junho de 2016

Abel de Oliveira Magalhães

14 COMENTÁRIOS

  1. Agora que consegui concluir a leitura desta matéria, onde pude reviver momentos emocionantes, não me contendo as lagrimas e tendo de pausar minha leitura, devido a tal emoção. Tio Abel, muito obrigado pôr retratar deste momento com um grande significado para mim. e vamos aguardar a volta dela, de ferias para curtir um pouco pessoalmente.

  2. Caramba, muito feliz e emocionado. Essa menina cresceu. Invejável sua determinação. Sou também assim. parabéns para nós. Olivinha você é uma pequena show de bola! Como é linda sua determinação. Estamos juntos.

  3. Muito emocionante essa entrevista Marquinhos, só mesmo vcs país sabem o verdadeiro valor, eu como padrinho e tio sinto um orgulho danado principalmente por se tratar de mais um MAGALHÃES que está honrando o nome da família, recebam os nossos parabéns e que sirva de exemplo aos outros para que sigam esses passos!!!

  4. Oi gente!!!!!
    Verdade! Não sei que foco devo dar a esse comentário, são tantos os pensamentos relacionados que embaralham o cérebro. Primeiro faço referência a própria, que sem sombra de dúvida, tem muito a falar e testemunhar sobre a jornada em si. Gostaria muito de poder ouvir ou ler dela a Olivinha, sua reflexão sobre a jornada que a possibilitou fazer a transposição entre esses dois mundos, Arapiraca x Rio de Janeiro versus Santa Clara e Sesc Rio que pelo visto e processo de seleção é o top do top….
    Evidente que faço um paralelo comigo, quando tive a chance de me mudar e encarar, de forma mais imprevidente possível, essa mudança de vida. Mas como a vida evolui, o tempo é outro, os pais dela, diferentemente dos meus, possibilitaram essa vitória, a despeito das brutais e diferentes formações educacionais. A hora não é o caso de relembrar o passado, mas de contemplar o presente e valorizar o futuro.
    Nos tempos atuais, caso mantenha o foco, administre a saudade e contenha a ansia de querer sempre o retorno às raizes, o que é tremendamente natural, fico absolutamente convencido que a linda Olivinha terá sucesso e brilho garantido em seu futuro, como gente e a profissional que venha a sonhar ser.
    Ao Abel, parabéns pela iniciativa, verdadeiramente única na família, essa inigualável competência, exclusividade sua!! Aos pais, somente o orgulho e os inúmeros choros que virão, afinal, o talento associado ao foco tornam a filha de vocês, uma vencedora nata, o tempo provará isso. Quanto aos Magalhães, nos resta aplaudir, compartilhar e congraçar em alegria, por poder constatar que a evolução está presente entre nós. Não é irrazoável supor que mamãe, onde estiver, se eterniza e se renova, inclusive no mesmo nome. Coisas do universo ainda inexplicável….
    Abraço
    Fernando

    • Parabéns de uma prima distante pelo tempo e pelos rumos dessa vida mas muito orgulhosa por olivinha. Muitas saudades Fernando. Não sei se vai lembrar de mim… Sou a 11a filha da tia neinha. Denise. Um grande beijo a todos!!!
      Muito sucesso para olivinha!!!

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