O cordel do oitentão

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O cordel do oitentão
Constituído de rimas e versos de um forte e fixe trovador, o livro apresenta logo na orelha o belo destaque feito pela esposa, Sra. Almira Fernandes, sobre os 82 anos do autor dr. Judá, dizendo que ele nessa idade não para de escrever, inclusive para ativar os neurônios. Diz que o autor evoluiu da crônica para o cordel; que registrou inúmeras viagens que fez na nova atividade; que a sua vida longeva produziu muito, a ponto de ganhar vários prêmios literários; que tem discursos produzidos em verso e prosa, como o que fez em homenagem à Rádio Novo Nordeste, um dos seus grandes trunfos. Como é viçosense, não se esqueceu de homenagear a terra natal. Disse do carinho dedicado à confecção da obra, cujo resultado será julgado pelo leitor; e não se esqueceu de homenagear o Jacoquinha e o irmão Manoel, que Deus os levou cedo.
Dedica versos à Tribo de Judá, onde reúne a família, os amigos e a sociedade em geral.
Realça o valor da família bem estruturada, motivo de imensa felicidade. Agradece a todos, a partir do Criador, por estar vivo e produzindo. O destaque maior vai para a companheira de sempre, a esposa Almira. Enfatiza que ela se constitui na “muleta do doutor”, uma demonstração de afeto incomparável por ter sido tudo em sua vida em todos os sentidos. Diz que, sem ela, não teria chegado aonde chegou. Tem cinco filhos, todos formados e independentes que lhe geraram onze netos.


No prefácio, escrito pelo juiz Emanoel Fay, o autor destaca que “os escritos do Dr. Judá são calcados no simples e no coloquial, que atingem a percepção de todos os tipos de leitores”.
O livro avança com a dedicatória e agradecimento, registrando o prazer do autor em ter uma família bem estruturada; fala de suas conquistas e ainda poder continuar produzindo numa idade tão avançada. A dedicatória é feita a todos os parentes, amigos, colegas, clientes, compadres e afilhados.
Sua trajetória profissional e literária é algo surpreendente. Recebeu inúmeros prêmios que nem dá para acreditar. Sua vida, pois, é típica de um grande realizador. Sente-se completamente satisfeito. Chega a achar que não merece tanto, mas agradece ao Criador por tudo que recebeu.
No cordel “Jubileu de prata” o autor comemora o grande acontecimento da cirurgia que fez em seu coração. Estava praticamente desenganado, mas foi para São Paulo onde conseguiu o milagre. A propósito, fez um cordel com 25 estrofes, para comemorar o chamado Jubileu de prata do evento – algo de grande valor.
“Carnaval Mussulo” – O cordel reproduz as alegrias que a família dos onze de Arapiraca teve ao passar o carnaval de 2011 no excelente hotel Mussulo, bem perto de João Pessoa. O grupo era formado pelo autor e seus familiares. O registro fez-me lembrar de um passeio que fizemos com a família para o mesmo local onde nos hospedamos e ficamos encantados com as belezas observadas.
“INGUINORANÇA” – Pelo título dá para se notar que se trata de algo fora do padrão convencional. O autor aproveita a veia inspiratória e faz forte crítica ao MEC que estaria baixando o nível do ensino de sua finalidade e dando o mau exemplo. São 32 estrofes em que dá o seu recado, digno de louvores.
Em “Os 7 nas serranias” destacou a simbologia do número sete e os sete componentes na viagem que o autor fez com a família ao Chile e Argentina, visitando a Cordilheira dos Andes. Descreve detalhes da comemoração do aniversário do genro Paulo Barbosa num ambiente da região, cujo brilho foi conseguido pela força e energia de todos, principalmente do genro. Em 80 estrofes o autor discorreu sobre o passeio e suas belas paisagens.
“A Festa dos oitenta anos” foi no Enotel, em Porto de Galinhas. Além das 50 estrofes, o autor inseriu um belo recheio de fotos sobre o grande acontecimento. No evento havia a presença de inúmeros convidados que vieram de todas as partes prestigiar a efeméride.
“A saga da Rádio Novo Nordeste” relembra as vicissitudes enfrentadas na realização do grande projeto e homenageando os companheiros associados, bem como os dedicados funcionários.
No “São João na Tribo de Judá” registrou a história dos cinquenta anos de casado e a participação dos 5 celebrantes na Igreja do Livramento, em Maceió. Reviveu tudo na valiosa Tribo de Judá, em Arapiraca.
“Manoel Fernandes de Lima” – Neste cordel o autor descarrega todo o seu carinho e afeto em 75 estrofes, homenageando o irmão que viveu 75 anos. Deu ênfase à prole do homenageado. E aureolou com rico painel fotográfico.
“Formatura da Polyana em Medicina” – Outro grande momento em que o autor se transborda em felicidade é a formatura da primeira neta. Ela se graduou pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. O Hotel Tambaú recebeu 60 convidados para a grande festa, que teve de tudo. O evento foi nos dias 4 a 7 de junho de 2014, e a jovem estava radiante.
“Arapiraca, cidade sem calçada” – interessante registro para as deficiências da cidade que tanto cresce e não corrige as suas deficiências. Cadê os responsáveis?
“Denis Portela de Melo” – Homenagem ao grande conterrâneo escritor em 33 estrofes de conteúdo carinhoso.
“Cordel do Jacoquinha” – Belo registro em homenagem ao querido genro Plácido Augusto, cavaleiro da esperança. Jacoquinha, esposo da filha Aurélia Magna, faleceu prematuramente de insuficiência renal, de origem genética. Foi uma dolorosa experiência, principalmente para sua esposa, a Lela, com quem deixou a Isabela.
“Não deixe o lago acabar” – Informação preocupante de um projeto que se revelava auspicioso, erguido no Lago da Perucaba. Se não houver providência a tempo, o prejuízo deve ser muito grande.
E assim, o autor segue registrando suas lembranças e homenageando as pessoas de bem que passaram em sua vida. Como diz o prefaciador, trata-se de uma obra “inspirada no simples e no coloquial, que atinge a percepção de todos os leitores”.
Lendo o livro a imaginação voa e acompanha o autor nas suas viagens e emoções vividas por toda parte, percebendo o grande desafio de escrever mais um livro, mesmo em uma idade avançada. É, por certo, a melhor maneira de se evitar esquizofrenia e afins.
Maceió, 03 de junho de 2016.
Abel de Oliveira Magalhães.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Oi Abel
    Fico muito feliz por ambos, certamente o autor das inúmeras obras que denotam a vocação alternada do reconhecido médico, sentir-se-á honrado com a deferência e você pela oportunidade de por em pratica a mesma similitude. Finalmente os eventuais leitores que saboreamos com prazer tais conhecimentos.
    Abraço
    Fernando

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