Belém – conhecendo a cidade

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Diário de viagem
10.10.09 – 8:00h: Saída para o Complexo Feliz Luzitânia, onde foi criada a cidade de Belém em 12.01.1616, com o nome Santa Maria de Belém do Grão-Pará. O palácio da antiga residência do governador é conhecida pelo nome de Casa das onze janelas, referência à quantidade de janelas correspondentes. O local é chamado de Baía de Guajará. Conhecemos a Catedral da Sé, de onde sai a procissão do Círio e fim da Trasladação (movimento através do rio).
9:30h – Visita ao Museu Emilio Goeldi com muita natureza, árvores, animais, ariranhas, vitórias régias, onça, jabuti-do-pé-amarelo e vermelho, jacaré, tartaruga, jacaré-açú, a maior espécie conhecida com até 7 m; jacaré-tinga, paca, cotia, urubu-rei, anta, etc.
11;00h – Shopping Pátio Belém; Exposição Nazaré de todos nós; tópicos sobre o tema; a festividade nos municípios do Estado.
13:00h – Encontro com Eline Baracho (Shopping) na praça de alimentação, na Trattoria. Julinda (Guia) foi dispensada e ficamos com Eline. Ela e Ivonete foram ver as lojas para compras e lembranças. Enquanto isto, sentei-me e fui ver o mapa da cidade com os destaques do Círio. Afinal, é o que se respira por toda parte.

Dia 11. Círio nº 217. Tínhamos ingresso para as arquibancadas. Por causa da imensa aglomeração, chegamos cedo. As arquibancadas ainda estavam um pouco vazias. Fotografamos seguidamente para ver o crescimento do fluxo. Daí a pouco passou o 1º carro, que representava o achado da Santa (história idêntica à de Nª Sª Aparecida). Os familiares de Julinda (a guia, que é de lá) chegaram e nos conhecemos: Isabel, José Elígio, Murilo (pai e filho). O cortejo atravessa as Av. Presidente Vargas e Nazaré. Vêm os carros das Promessas; dos Anjos; e vários colégios. As arquibancadas são montadas embaixo das frondosas mangueiras, propiciando sombra e amenizando o calor tropical da cidade de Belém. Ficamos ao lado do Teatro da Paz, um local de incalculável valor cultural da cidade. (Apesar da correria, fizemos uma visita e recebemos as informações preciosas sobre o citado bem cultural). Várias bandas de música passavam fazendo parte do desfile; sistema de som em todo o percurso transmitia as orações e cânticos, que envolvem a todos; a participação dos jovens era maciça; Ivonete fotografava enquanto eu registrava os dados no livrinho. Izabel, irmã de Julinda, explicava cada componente da procissão. A sacola das ofertas passava pra lá e pra cá (pedindo dinheiro). Grupos de socorristas, compostos de voluntários, passavam a toda hora para prestar socorro a eventuais necessitados. Romeiros e promesseiros se agarravam a uma corda pagando suas promessas numa disputa incrível, enfrentando dificuldades imensas. A corda formava estações de 400m de extensão. O espetáculo de fé é algo inacreditável. Só vendo para crer.
Após a passagem da Santa, fomos para o apto da Eline, onde almoçamos. Depois de uma soneca, descemos para a piscina do condomínio. Saboreando uma cervejinha providenciada pela querida Eline. Ficamos até o jogo da seleção brasileira. Ivonete e Eline jogavam um baralhinho. Abel aproveitava a piscina. Chico dormia. O resultado do jogo de baralho foi 1480 Ivonete; 420 Eline.

Dia 12 – 8:00h: saída. Primeira parada – feirinha da 25. Castanha do Pará; processo de fazer o suco do Açaí e plantas regionais: Cupuaçú, Bacurí, Taperebá, Murucí; peixe Pirarucú; feijão manteiguinha; piraçuí, (farinha de peixe), Aviú (camarão microscópico, que só dá nos meses de julho e agosto em Cametá e Santarém); Acarí (peixe que gera a farinha piracuí) (De repente vi o fumo Extra-Forte, do Grupo Curinga e dei aquela vibrada); Abacaba; Tapereba etc. Remédios: Copaíba; Pau que ressuscita; Marapuana (levanta o caído e ressuscita o morto); Rosa, a moça que vendia os produtos, conhecida como Dra Erva. Muito engraçada).

Teatro da Paz – No teatro de Belém, atendeu-nos a simpática apresentadora, Sra. Maria das Neves. Fez referências a umas Órfãs de Portugal de 1878; Inspiração do teatro: Scala de Milão; em 1905, sofreu a primeira reforma, estilo neoclássico. Mosaico colado com a banha da Gorijuba (peixe). Todo o material veio da Europa – ferro, mármore, lustre, espelho, bronze francês; afrescos originais; ferro inglês folheado a ouro; cadeiras de palhinha; camarote do Imperador, que hoje é do Governador. Na Praça da república fica o 1º cinema do Brasil – Olympia; Monumento à República.
Almoço na casa da Julinda, onde conhecemos D. Vinoca, sua mãe, com 88 anos. Degustamos um prato chamado Maniçoba e Porco no Tucupi; Açaí com camarão seco. Uma delícia. Depois fomos ver o Mercado Ver-o-Peso: Grande variedade de produtos artesanais; frutos regionais; antiguidades; quinquilharias e sujeira por toda parte. O Mercado fica ao lado do caudaloso rio que banha Belém e da Estação das Docas, com grande movimentação de barcos e viajantes. Uma brisa suave aliviava o forte calor da região. No fim da tarde retornamos ao hotel e fomos preparar as coisas para a maratona do dia seguinte.

Abel de Oliveira Magalhães
Maceió, outubro de 2016

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