SUMÁRIO DA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA DIRETORIA DO FAM, DE 12.05.96

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SUMÁRIO DA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA DIRETORIA DO FAM, DE 12.05.96

Senhor Associado, divulgamos o sumário da reunião extraordinária da diretoria, ocorrida no domingo, 12.05.96.

Com a presença dos associados Miguel, Cláudio, Betinho, Abel, Fernando, Adilson, Raul, Ana Machulis, Miguel Jr., Ivany, Juracy, Antônio, Rose e Betinha, aconteceu uma reunião inesperada. Teve como motivo principal deliberação sobre o almoço no Dia das Mães. Em que pese ter sido aprovado na reunião anterior a realização de um churrasco pelos homens na sede do FAM, na prática, não houve condições. O ambiente não estava propício e urgia uma tomada de posição. A diretoria se reuniu e deliberou: almoço numa churrascaria da cidade em homenagem às mães, financiado pelo FAM num teto de até R$ 150,00, ficando a despesa com bebidas por conta dos associados participantes. Pelo telefone, foi pesquisada a churrascaria mais em conta, seguindo todo mundo para a Rodo Center, onde o preço foi o mais em conta.

Cláudio aproveitou para definir o problema da frase em homenagem ao patrono do FAM. Discutido o assunto, depois da apresentação de três sugestões, foi aprovado o termo “PATRONO” logo abaixo do nome do homenageado, seguindo o padrão das conhecidas galerias. A idéia foi do associado Fernando que a defendeu com firmeza e convencimento.

O almoço foi coroado de sucesso. Tivemos a presença de mais de 40 pessoas, onde houve o destaque do amigo Guedes que distribuiu texto especial dedicado às mães. O almoço foi fotografado pelo Miguel Jr e Cristina. Marquinho fez as vezes do Diretor Social, que estava ausente.

Original assinado por

Abel de Oliveira Magalhães

Diretor Secretário

Data: 13.05.96

MÃE

Hoje é o dia das mães. Das pretas, mulatas, morenas, brancas. Dia das mães de todas as cores.

Das mães de fio dental, de top-less, sem top-less, de biquíni curto e comprido.

Da mãe pobre que bate de porta em porta, que faz ponto nas esquinas buscando o alimento para seus filhos famintos, para o recém-nascido, herdeiro de um peito seco e murcho, fonte de vida dada pela natureza, mas que também lhe foi negada.

Hoje é o dia das mães que recebem salário de miséria, esquecidas dos governos, excluídas do sentido de progresso social, porém, jamais esquecidas pelo manto da mãe maior, a da caridade, do amor e da consolação, a mãe de Deus.

É o dia das mães de Iançã, de Xangô, de Iemanjá, das católicas, das protestantes, das descrentes, das crentes, mas acima de tudo, hoje é o dia das mães que sofreram, que curtiram, que sonharam durante nove meses esperando olhar para uma criança e dizer “és meu filho, eu te dei a vida, filho do Sol, do Vento e da Lua, filho da esperança, filho da incerteza, filho do amor.”

Dia das mães que nunca tiveram mãe, das mães com marido, das mães sem marido, das que nunca conviveram com o marido, das bem casadas, das mal casadas, das viúvas, das sofredoras no leito de morte, das imensamente felizes e das profundamente tristes.

Hoje é o dia das mães que apesar de tanta incerteza política, de tantas humilhações sociais, para perpetuação da espécie humana, colocam seu útero a serviço da vida.

É o dia das mães alfabetizadas, das analfabetas que não poderão ler este texto, não lêem as placas de sinalização, os livros, os jornais, as bulas dos remédios.

É o dia das mães do PSDB, do PT, do PDT, do PMDB, do PCdoB, também as mães do PFL, as Filhas de Maria, as devotas do Padre Cícero.

É o dia das mães que trabalham na roça, na fábrica, no escritório, no consultório, nas cozinhas das residências, batendo roupa nos rios, das mães que ganham salário gordo e das que ganham exploração e extorsão com nome de salário.

Hoje é, acima de tudo, o dia da mulher, que com força enfrenta as injustiças, com resignação sofre calada, que se levanta em defesa dos seus direitos, expondo sua própria vida, que é assassinada por defender sua dignidade e, acima de tudo, o dia da mãe que com vigor se enche de esperança, com fé se fortalece e vai, com coragem e dignidade construir o futuro.

Saudades imensas da minha mãe, ausente, que tanta falta me faz, o meu abraço e profundo respeito às outras mães.

JOSÉ GUEDES FILHO”.

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