Julia Araujo

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Júlia Magalhães

Certos pontos foram baseados no texto sobre o mesmo tema (Essa tal qualidade de vida) – Martha Medeiros

As últimas décadas insistiram numa ideia que virou sonho de consumo de todo mundo: qualidade de vida. Até hoje dá vontade de entrar numa loja e perguntar “tem qualidade de vida?”. Provavelmente nos responderiam que está em falta, é muita procura, sabe?, mas pode deixar encomendado.
Qualidade de vida, se pudesse ser filmada, teria a cara de

Escritora Martha Medeiros
Escritora Martha Medeiros

um comercial de margarina: uma família bela e saudável, uma casa aconchegante, um dia de sol, um bom e farto café-da-manhã, a mamãe pondo a mesa com um sorriso satisfeito, o papai empregado e os filhos numa boa escola. Qualidade de vida é um modelo de comportamento, e a prova concreta do que achamos que esse termo é seria um carro com um bagageiro enorme, ar-condicionado, motor de tanto-faz-quantos cavalos, assentos confortáveis (e tudo aquilo mais que as vezes não temos a menor ideia do porquê aquilo influenciará na nossa vida, mas falamos), algo que pode facilmente ser comprado se houver dinheiro o suficiente.
“Comprado”. Eis a palavra chave para todos os nossos problemas.
Uma boa casa na área nobre da cidade é comprada. Um carro para nos levar ao trabalho ou uma moto para irmos à escola são coisas compradas. A feira do mês é comprada, o acesso à internet é comprado, as roupas de marca que queremos são compradas. Sentimentos não são comprados, mas quem de nós sabe realmente o que é isso? E as emoções? Bem, elas são as mais facilmente barganhadas, muitas vezes disponíveis por um preço de meio ingresso de cinema. É fácil nos embriagarmos com bebidas alcoólicas que nos dão “coragem” para “sermos quem somos” durante os fins de semana, é fácil fumarmos até as noites e os dias se esvaírem e é bem mais fácil sentirmos a falsa alegria durante o show do pseudoartista que nos vai fazer não pensar nos problemas do cotidiano. Afinal, estamos todos cansados demais para produzir nossos próprios sentimentos, assustados demais para olhar para dentro de nós mesmos, confusos demais para transformarmos tudo o que sentimos em ativo e ocupados para conter ou resolver tudo aquilo que não conseguimos compreender ou controlar.
Procuramos redações prontas e falas prontas sendo que, no fim, somos premiados com boas notas por feitos que não são realmente nossos, nem representam nossas ideias ou interesses. Procuramos tudo aquilo que precisamos nas prateleiras de lojas do shopping, ignorando quem realmente teve o trabalho de fabricar tudo o que utilizamos e consumimos porque tal pessoa é simplesmente mais uma formiguinha dentro de uma fábrica. Mas somos bons alunos, todos temos um grande futuro pela frente, e futuramente também poderemos ser bons pais e mães de família, porque poderemos dar do bom e do melhor para nossos filhos.
Qualidade de vida. Eis um termo difícil de verdade para conceituarmos. Tão difícil que continuaremos aqui, inertes, nos perguntando por que nunca seremos como aquelas adolescentes maquiadas das propagandas que vendem a magreza como sinônimo de beleza e nunca seremos como aquele cara musculoso do comercial de Gillette, ou por que diabos gostamos tanto de todos esses filmes que dizem que nossa missão na Terra é achar uma alma gêmea quando não sabemos nem o que é amor próprio antes de amarmos outro alguém. Continuaremos lendo os livros que prometem resultados fantásticos sobre como subir na carreira e como não nos sentirmos como se estivéssemos perdendo todos os segundos de nossa vida. No fim, não notamos que a maioria de nós é simplesmente obrigada a reprimir emoções, desejos, sentimentos verdadeiros e sonhos, porque eles não se encaixam no que chamamos de “ser alguém na vida”.

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Olá, tio.

Eu ia perguntar “como você está?”, mas acho “como você tem passado?” mais adorável e menos cínico. Não acho que você esteja bem por completo, mas pelo menos não acho que você esteja pior que eu. De qualquer modo, o senhor já é senhor, entende melhor que eu de pessoas que foram – abre aspas para as palavras da minha mãe – “para o outro lado”, ou não? Se não entender, você é sortudo.
Afinal, como você tem passado? Às vezes eu falo tanto que esqueço o que estava pensando.
Ah, é, minha internet finalmente voltou, êê!
Nossa, esqueci o que estava falando. Ah, sim- você ainda vai querer que eu envie as sinopses?
[Alias! Recentemente, eu descobri que deveriam ser chamadas de resenhas. Sinopse é um resumo ou um sumário; algo como um resumo de um livro sem mostrar detalhes. Resenha é um texto que serve para apresentar outro texto ou livro. E eu não sei apresentar ou falar completamente de um livro sem dar detalhes, heheuaheuahe.]
Se ainda quiser, eu vou enviar a sinopse(/futuramente apelidada de resenha) de um livro muito incrível que eu considero que todas as pessoas com mais de vinte anos deveriam ler. Talvez as que têm menos também, levando em conta a mim mesma, hehe.
Ele se chama “O Oceano no Fim do Caminho” e eu o li ainda este ano. Classificaria-o como um livro que te faz voltar à infância, por isso em certos pontos é uma explosão de nostalgia. E por esse motivo todos deviam ler. Além do fato de ser genial.
Às vezes penso que os adultos se perdem em determinados momentos da vida (não estou falando besteiras, você entenderia se tivesse lido o livro. Sério!).
Sua sobrinha,
Julia Araújo de Magalhães.

Ps.: Olha só, como eu adorei colocar isso aqui no final. “Sua sobrinha, Julia Araújo de Magalhães”. Ficou mais formal, mesmo eu não sendo formal. Acho que vou pesquisar como coloca-se direito e fazer mais vezes.

Abel Magalhães <abelmagallhaes@gmail.com>
12/09/13

para Julia

Oi Ju, gostei de sua mensagem. Não entendi a expressão “menos cínico”. Gostei da abordagem sinopse/resenha. Para mim, ambas são sinônimo. Parece que a sinopse é um resumo e a resenha é uma crítica. Oportunamente farei a minha pesquisa. Valeu! Com relação a remeter suas sinopses, peço ficar à vontade. Se preferir não fazer nada, tudo bem. Gostei do resumo sobre o livro O Oceano Sobre O Fim Do Caminho. Depois eu vou procurá-lo. Ao lê-lo, compartilharemos os conhecimentos, ok? JB.

Enviado via iPad

Julia Araújo de Magalhães <juliaaraujomag@hotmail.com>
12/09/13

para mim

Com menos cínico, quis dizer que pessoas cínicas são aquelas que jogam tudo na cara das pessoas.
Hm, calma, eu vou fazer uma explicação melhor: Menos descarado. Menos, sei lá, menos “fingindo que não se sabe o que está passando-se com alguém”. Talvez eu esteja errada, não tenho estado muito normal essa semana.
Eu espero de verdade que, se você ler o livro, goste, porque eu o achei muito bom. Se quiser dar uma “olhada” antes de comprar eu posso até te emprestar, porque eu o ganhei de um amigo do meu pai.
Beijos.

Julia Araújo de Magalhães <juliaaraujomag@hotmail.com>
12/09/13

para mim

Pensando bem, eu acho que realmente fui errada em enviar a expressão “menos cínico”. Me desculpe.
Não é nada pessoal. Só tenho estado realmente nada bem e não tenho medido as palavras. Escrever, sobre qualquer coisa, me faz esquecer. Só isso. E escrever sobre livros é melhor que escrever sobre o que se pensa, definitivamente.

Julia Araújo de Magalhães <juliaaraujomag@hotmail.com>
12/09/13

para mim

Talvez demore um bom tempo para todos ficarmos bem.
É só um aviso, se eu te falar algo sem noção ou grosso. Não sou assim, é algo temporário. Espero.
Desculpe.
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From: juliaaraujomag@hotmail.com
To: abelmagallhaes@gmail.com
Subject: RE: Olá.
Date: Fri, 13 Sep 2013 00:39:29 +0300

Abel Magalhães <abelmagallhaes@gmail.com>
13/09/13

para Julia

Realmente, Ju, vc tem motivos de sobra para estar com os pensamentos tumultuados. Na verdade, tudo vai passar. Com relação ao livro, não precisa me emprestar, porque só estou lendo edições digitais. Muito obrigado. Bis.

Enviado via iPad

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3 COMENTÁRIOS

  1. Fiquei muito feliz em ver os registros da querida Júlia Araújo, filha do associado Miguel Júnior na sua página do portal. Boa ideia, também, do Marcio ter colocado uma foto dela com a Clau, demonstrando uma relação harmoniosa entre as partes. Sobre a palavra “cínico” referido no texto acima, confesso que só vim entender a sua colocação no mencionado registro algum tempo depois. Ao indagar o que você queria dizer com o registro não tinha percebido que a falha de interpretação era minha, fruto de uma leitura apressada. Hoje vejo claramente o que você queria dizer. Destarte, sem querer, fiz você se esforçar e dar uma série de justificativas, que no fundo, eram dispensáveis. Restou o aprendizado para as partes.

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